Por William James e Elizabeth Piper

LONDRES (Reuters) – Três ministros de alto escalão apoiaram Boris Johnson para retornar como primeiro-ministro britânico nesta sexta-feira, depois que a renúncia de Liz Truss desencadeou uma disputa para substituí-la rapidamente como líder do Partido Conservador.

A ex-ministra da Defesa Penny Mordaunt se tornou a primeira candidata a entrar na disputa oficialmente, mas Johnson e Rishi Sunak, que já foi seu ministro das Finanças, lideram os potenciais candidatos, já que ambos ja possuem apoio antes da votação na próxima semana.

Com os conservadores detendo uma grande maioria no Parlamento e capazes de ignorar os pedidos de eleições gerais por mais dois anos, o novo líder do partido se tornará primeiro-ministro, o quinto do Reino Unido em seis anos.

Aqueles que desejam substituir Truss, que renunciou na quinta-feira após seis semanas caóticas, devem garantir 100 indicações de parlamentares conservadores até segunda-feira. A própria Truss sucedeu a Johnson depois que ele foi deposto por seus colegas em julho.

O partido espera que a disputa revitalize a sorte do grupo. Pesquisas de opinião sugerem que os conservadores serão derrotados por ampla margem se uma eleição for realizada agora.

Johnson não anunciou formalmente que vai concorrer, mas o impulso estava crescendo atrás dele, com o ministro dos Negócios, Jacob Rees-Mogg, e o ministro do Nivelamento, Moradia e Comunidades, Simon Clarke, dando-lhe seus apoios. O influente ministro da Defesa, Ben Wallace, disse que está inclinado a apoiar o ex-líder.

Um retorno ao topo será uma volta extraordinária para Johnson, que continua popular entre os membros do partido, embora uma pesquisa do YouGov com 3.429 adultos realizada nesta sexta-feira tenha revelado que 52% dos britânicos ficariam descontentes em vê-lo retornar como primeiro-ministro.

Mas Johnson, que deixou o cargo comparando-se a um ditador romano levado ao poder duas vezes para evitar crises, pode enfrentar dificuldades para chegar aos 100 votos depois que seu mandato de três anos foi prejudicado por escândalos e alegações de má conduta.

Um de seus ex-assessores, que não fala mais com Johnson e pediu para não ser identificado, disse que é improvável que atinja o patamar, tendo alienado dezenas de conservadores durante seu mandato repleto de escândalos.

O jornal Financial Times, que pediu uma nova eleição, disse que uma volta de Boris seria “uma farsa”.

Will Walden, que também trabalhou anteriormente para Johnson, disse que o ex-primeiro-ministro estava voltando de férias e fazendo sondagens.

“O país precisa de um líder adulto e sério. Boris teve sua chance, vamos seguir em frente. Suspeito que não é isso que o Partido Conservador fará, eles podem muito bem reeleger ele”, disse Walden à BBC.

A disputa começou na quinta-feira, horas depois que Truss se posicionou diante de seu escritório em Downing Street para dizer que não poderia continuar.

Sunak, o ex-analista do Goldman Sachs que se tornou ministro das Finanças assim que a pandemia de Covid-19 chegou à Europa e ficou em segundo na disputa anterior vencida por Truss, é o favorito das casas de apostas, seguido por Johnson.

Truss renunciou após o mandato mais curto e caótico de qualquer primeiro-ministro britânico depois que seu programa econômico abalou a reputação de estabilidade financeira do país e deixou muitas pessoas mais pobres.

Truss disse que não poderia mais conduzir seu programa depois que seu plano econômico tumultuou os mercados, forçando uma reviravolta sob um novo ministro das Finanças depois que ela demitiu seu aliado político mais próximo.

A visão na quinta-feira de mais um primeiro-ministro impopular fazendo um discurso de renúncia em Downing Street –e o início de uma nova corrida pela liderança– ressalta o quão volátil a política britânica se tornou desde a votação do Brexit em 2016.

O vencedor será anunciado na segunda ou sexta-feira da próxima semana.

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702)) REUTERS AC PB

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