Economia

IPCA desacelera a 0,31% em abril mas em 12 meses dispara a máxima em 4 anos e meio

Crédito: REUTERS/Diego Vara

Consumidores fazem compras em supermercado de Porto Alegre em meio a disseminação da Covid-19 (Crédito: REUTERS/Diego Vara)

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) – A queda dos preços dos combustíveis compensou a pressão dos medicamentos, e a inflação oficial brasileira desacelerou com força em abril, mas em 12 meses chegou ao nível mais alto em quase quatro anos e meio.

Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,31%, abaixo da taxa de 0,93% vista em março.

O dado mensal informado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o mais baixo desde janeiro (+0,25%) e ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de 0,30%.

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Mas no acumulado em 12 meses a alta do IPCA aumentou a 6,76%, de 6,10% no mês anterior, igualando a expectativa.

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O resultado é o mais forte desde novembro de 2016 (+6,99%) e vai ainda mais acima do teto da meta do governo para este ano, que é de uma inflação de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

“Há também o efeito das duas deflações que tivemos no ano passado, em abril e maio. Quando olhamos para os 12 meses, estamos tirando uma deflação de 2020 e adicionando uma variação positiva agora”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

No mês, o índice de preços foi pressionado principalmente pelos produtos farmacêuticos, depois de no dia 1º de abril ter sido autorizado reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos.

Os produtos farmacêuticos tiveram em abril alta de 2,69%, sendo a maior variação do item remédios anti-infecciosos e antibióticos, de 5,20%. Isso levou o grupo Saúde e cuidados pessoais a apresentar avanço de 1,19%, depois de recuo de 0,02% em março.

Já o grupo Alimentação e bebidas, com forte peso no bolso do consumidor, acelerou a alta a 0,40% em abril, de 0,13% no mês anterior, com a alimentação no domicílio subindo 0,47% diante do encarecimento de carnes (+1,01%), leite longa vida (+2,40%), frango em pedaços (+1,95%) e tomate (+5,46%).

“Não temos pressão de demanda no IPCA. A alta se concentrou em alimentos por conta de proteínas como frango, carnes e leite devido à ração mais cara”, disse Kislanov.

Por outro lado, os Transportes registraram queda de 0,08% nos preços, depois de dispararem 3,81% em março. Segundo o IBGE, após 10 meses de alta a gasolina recuou 0,44% em abril, enquanto os custos do etanol caíram 4,93%. Por outro lado, os preços das passagens aéreas subiram pela primeira vez no ano (6,41%).

“Houve uma sequência de reajustes entre fevereiro e março na gasolina. Mas no fim de março houve duas reduções no preço desse produto nas refinarias. Isso acaba chegando ao consumidor final”, explicou Kislanov.

O cenário inflacionário no Brasil tem sido observado com cuidado. Na semana passada, o Banco Central elevou a taxa básica de juros Selic em 0,75 ponto percentual, para 3,50%, e indicou a intenção de fazer novo aperto da mesma magnitude em sua próxima reunião, em junho.

O movimento ocorre em meio ao aumento persistente da inflação corrente e das expectativas para a inflação de 2022. Nesta terça-feira, a ata dessa reunião apontou que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) avaliaram que levar a Selic, sem interrupção, até o nível considerado neutro levaria a inflação “consideravelmente” abaixo da meta.

Na pesquisa Focus mais recente realizada pelo BC com uma centena de economistas, as perspectivas para a inflação este ano vêm aumentando, e estão agora em 5,06%, com a Selic a 5,50%.

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