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Incerteza levou BC a buscar inflação ao redor da meta em 2023, horizonte não inclui 2024, diz Campos Neto

Incerteza levou BC a buscar inflação ao redor da meta em 2023, horizonte não inclui 2024, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de cerimônia no Palácio do Planalto em Brasília

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) – O elevado grau de incerteza no cenário atual fez o Banco Central modular sua estratégia para levar a inflação para “ao redor” da meta em 2023, não mais o patamar exato do alvo de 3,25%, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.



“A gente fala de uma taxa mais alta por um horizonte maior na mesma estratégia do ‘ao redor da meta’. Entendemos que isso é suficiente para atingir convergência. Isso foi feito porque o volume de choques e o grau de incerteza é tão grande, e tivemos medidas que geram mais incerteza, que entendemos que essa era a melhor forma”, afirmou.

Em entrevista à imprensa sobre política monetária, Campos Neto esclareceu que a autarquia antecipou a divulgação de projeções para a inflação em 2024 (em 2,7%) por transparência diante dos choques recentes e o alto grau de incerteza. Segundo ele, o ano de 2024 ainda não faz parte do horizonte relevante da política monetária, algo que deve ocorrer a partir da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária.

“Foi muito mais uma questão de transparência do que pensar em mudar a forma de atuação”, disse.

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O presidente do BC voltou a sinalizar ser contra mudanças nas metas de inflação. Segundo ele, modificar o alvo em um ano que a meta não será atingida não gera credibilidade. Da mesma forma, para ele, mudar a meta em anos mais distantes, que hoje estão com expectativas próximas à meta, também não gera credibilidade.

Campos Neto ressaltou que o BC não determina sua própria meta e que a decisão cabe ao Conselho Monetário Nacional, onde a autarquia conta com um dos três votos. O CMN deve decidir nesta quinta-feira a meta para 2025.


Ele reforçou que o trabalho atual do BC é para levar a inflação em 2023 da atual projeção de 4% para o redor da meta, sem detalhar o patamar exato.

Na apresentação, o presidente do BC ressaltou ser importante esperar que medidas para desonerar combustíveis sejam concluídas para fazer interpretação de efeitos sobre o quadro fiscal e, consequentemente, a atuação da autoridade monetária. Segundo ele, até o momento, não houve mudança suficiente para gerar assimetria no balanço de riscos para a inflação.

Perguntado sobre o fato de o programa de governo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizer que a política cambial dos últimos anos foi passiva e acentuou volatilidades, Campos Neto disse que não comenta sobre campanha, mas defendeu o câmbio flutuante. “Seguiremos nessa linha”, afirmou.

TAXA NEUTRA EM ALTA

Na apresentação, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afirmou que a autarquia revisou de 3,5% para 4,0% a taxa neutra de juros –patamar que não estimula nem retrai a atividade.

Ao explicar que a decisão foi motivada por uma maior incerteza no cenário, ele afirmou que o impacto da subida da taxa neutra é modesto no horizonte relevante para a política monetária, atualmente focada em 2023.

Guillen disse que tem sido observado um aumento nas expectativas de inflação, ressaltando ser difícil saber quanto dessa mudança já incorpora medidas recentes para desonerar combustíveis.

Segundo ele, o BC espera para os próximos trimestres um arrefecimento gradual da inflação com preços de alimentos recuando, mas ainda com pressão de alta nos itens industriais e serviços.

Sobre a condução da política monetária, Guillen afirmou que é muito cedo para fazer avaliação sobre a magnitude do ajuste que será feito na Selic em agosto. O BC já comunicou que pretende aumentar a taxa em patamar igual ou menor do que 0,5 ponto percentual.

Nesse tema, Campos Neto disse que se houver novos choques de grande magnitude, o BC vai reavaliar sua atuação, ressaltando que a autarquia tem feito suas comunicações de forma transparente.

Guillen também afirmou que na medida em que se prolonga a permanência da Selic em nível mais alto, ainda haverá impacto sobre a inflação em 2023, mas a influência maior será sobre 2024.

O calendário da autoridade monetária previa a divulgação nesta quinta-feira do relatório trimestral de inflação, incluindo projeções econômicas, mas diante da continuidade da greve dos servidores da autarquia, o cronograma foi alterado, mantendo apenas a entrevista de Campos Neto e divulgação dos quadros com as estimativas do BC.

Pela nova previsão, o relatório de inflação completo será apresentado na próxima quinta-feira.

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