Sustentabilidade

Zhengzhou começa a avaliar danos provocados pelas chuvas torrenciais

Zhengzhou começa a avaliar danos provocados pelas chuvas torrenciais

Moradores observam veículos que foram arrastados pelas chuvas torrenciais em Zhengzhou, centro da China, em 22 de julho de 2021 - AFP

A cidade de Zhengzhou começou a examinar nesta quinta-feira (22) os danos provocados pelas mais graves inundações já registradas na região, que deixaram pelo menos 33 mortos na localidade da região central da China.

Cortes de água e energia elétrica, estradas bloqueadas e moradores incrédulos. Em três dias, a região registrou o equivalente a um ano de chuva.

A metrópole de 10 milhões de habitantes sofreu na terça-feira uma tempestade devastadora que alagou uma linha de metrô e deixou carros empilhados nas ruas, além de montanhas de lama e destruição.

Ao menos 12 pessoas morreram antes que as equipes de emergência conseguissem liberar os sobreviventes dos vagões do metrô.



Nesta quinta-feira, muitas pessoas questionaram o nível de preparo das autoridades para a catástrofe.

Os usuários do Weibo (equivalente ao Twitter), irritados, questionaram por que o metrô não foi fechado antes.

“Por que o nível da água na rua estava quase na cintura, mas o metrô continuava permitindo a entrada de passageiros?”, questionou uma pessoa.

Alguns bairros da cidade, situada 700 km ao sul de Pequim, permanecem inundados, enquanto os garis, bombeiros e socorristas trabalham para limpar o desastre.

Sob uma chuva fina, os habitantes tentam sair de suas casas para fazer compras ou seguir até o trabalho. Na saída de um túnel do centro da cidade, muitos ficam estupefatos diante da montanha de veículos arrastados pelas águas.

As lojas próximas também sofreram danos.

“A água subiu até 80 centímetros”, afirmou à AFP Chen, gerente de um restaurante popular da rua Yongan.

“O que perdi? É relativo, em comparação com o que aconteceu no túnel”, explica, enquanto não é possível saber se ainda há motoristas dentro do local.

Em alguns casos é possível observar apenas o teto dos veículos que emerge da água marrom.

– Chuva continua –

O presidente Xi Jinping chamou as inundações de “extremamente graves”.

O país continua impactado pelas imagens da linha 5 do metrô, submerso por uma cheia súbita, com passageiros que ficaram apenas com a cabeça fora da água depois que subiram nos bancos.

O governo liberou uma ajuda de emergência de 100 milhões de yuanes (13 milhões de euros) para Henan, a província populosa da qual Zhengzhou é a capital.

O balanço atualizado para o conjunto da província é de 33 mortos e oito desaparecidos nos últimos dias, enquanto 376.000 pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas.

Mais de 200.000 hectares foram alagados e os danos provocados pelas chuvas torrenciais alcançam 1,22 bilhão de yuanes (188 milhões de dólares).

A meteorologia nacional prevê chuva até sexta-feira. Mais ao norte, até Hebei, a província que cerca Pequim, decretou alerta vermelho em alguns setores.

Em Zhengzhou, vários hotéis pararam de receber clientes, devido à falta de energia elétrica ou água potável.

Os transportes públicos foram suspensos e muitas pessoas procedentes de outras regiões do país querem deixar a cidade.

Os especialistas culpam a mudança climática pelas fortes chuvas, as mais violentas na região desde o início do registro de dados há 60 anos.

Alguns cientistas chegaram a classificar como as piores inundações do “milênio”.

“As catástrofes mostram que os eventos climáticos extremos e sua intensidade são crescentes”, escreveu nesta quinta-feira o editorial do jornal Global Times.

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