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Zelenski comemora vitória nas eleições legislativas da Ucrânia

Zelenski comemora vitória nas eleições legislativas da Ucrânia

(Arquivo) O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, em coletiva de imprensa, 8 de julho em Kiev - AFP/Arquivos

O presidente da Ucrânia, o ex-comediante Volodimir Zelenski, está convencido de que festejará a vitória de seu partido nas eleições legislativas de domingo (21), o que lhe permitirá “limpar o país da corrupção”.

“O partido político dos meus amores vencerá todos. E apenas desta maneira poderemos formar um Parlamento normal e um governo de verdadeiros profissionais”, afirmou Zelenski em um vídeo divulgado na terça-feira.

Batizada de “Servidor do Povo”, pelo título de uma série de televisão, na qual Zelenski interpreta um professor que se torna presidente de maneira inesperada, esta jovem sigla conta com entre 42% e 52% das intenções de voto. Apresenta uma larga vantagem em relação a seus adversários.

Trata-se de um apoio impressionante para um partido completamente desconhecido antes do início da campanha presidencial de Zelenski, que esmagou seu antecessor, Petro Poroshenko. Em abril, conquistou 73% dos votos, com sua promessa de “romper o sistema”.

Hoje, em sua página on-line, o “Servidor do Povo” se gaba de ter lançado um desafio ao sistema e promete a chegada de pessoas novas dispostas a “realizar mudanças” para “limpar o país da corrupção” onipresente.

Apesar da ausência de um programa, ou de um plano de ação detalhado, estes anúncios seduzem o eleitorado de um dos países mais pobres da Europa. O país é muito afetado por uma guerra contra os separatistas pró-russos do leste do território, na qual quase 13 mil pessoas morreram em cinco anos.

O partido de Zelenski conseguiu recrutar cerca de 30 candidatos jovens em sua página on-line e eliminar os deputados em final de mandato de sua lista eleitoral.

Uma decisão similar foi tomada o partido pró-ocidental Golos, que também defende uma renovação política. Fundado em maio pela superestrela do rock ucraniano, Sviatoslav Vakarshuk, esta sigla aparece com entre 4% e 9% dos votos nas pesquisas.

– Renovação política –

Esta profusão de rostos novos pode significar uma renovação sem precedentes das elites na Ucrânia, onde a cena política esteve dominada por políticos formados nos tempos da antiga União Soviética.

“É muito provável que até 75% dos deputados eleitos sejam novatos”, prevê o diretor-executivo da fundação internacional Renascimento em Kiev, Oleksandre Sushko.

Entre os cerca de 20 partidos em disputa, é provável que alguns outros superem o limite de 5%, incluindo a legenda opositora pró-russa Plataforma (12%-14%, segundo as pesquisas), seguida de movimentos pró-ocidentais como Solidariedade Europeia, do ex-presidente Poroshenko (7%-9%), e Batkivshchina (Pátria), da ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko (6%-7%).

Estas previsões se referem apenas a 225 cadeiras do Parlamento. Os outros 199 deputados serão eleitos por maioria simples em uma consulta de um único turno.

Nesse contexto, uma das perguntas-chave é se o partido de Zelenski obterá maioria absoluta, ou se terá de formar uma coalizão.