XP ameaçada

XP ameaçada

Às vésperas de dar início ao seu processo de abertura de capital na bolsa de valores, a XP Investimentos, a maior empresa independente de serviços financeiros do País, foi surpreendida com o vazamento da informação de que foi vítima de um roubo de 29 mil dados cadastrais de clientes, entre 2013 e 2014. Os hackers tentaram extorquir R$ 22,5 milhões do sócio-fundador, Guilherme Benchimol, “para evitar o caos no Grupo XP e a manutenção intacta da credibilidade de seus investidores”. O pagamento deveria ser feito em bitcoins. Desde dezembro do ano passado, a Polícia Federal, em São Paulo, abriu inquérito para investigar o crime, que corre em segredo de Justiça.



O Brasil na mira

Diversos rankings de vulnerabilidade a ciberataques colocam o Brasil como o preferido dos criminosos na América Latina. No ano passado, houve um crescimento de 190% nas ameaças no País, ante uma expansão média global de 40%. Mas, poucas empresas buscam um seguro para se proteger desse possível problema. “Os executivos preferem investir na prevenção do risco, com o melhor antivírus, a dividi-lo com a seguradora”, diz Rodrigo Medeiros, sócio da Pyxis Corretora de Seguros. “Mas a compra de um sistema sofisticado de R$ 1 milhão só protege contra 10% dos ataques.” A característica de uma apólice de Cyber Risks é ampla. Ela inclui proteção contra a quebra de confidencialidade por invasão de hackers; roubo, destruição e transmissão de códigos maliciosos; custos com gerenciamento de crise de imagem; demandas contra extorsão; reposição por perdas de dados, entre outras.

Mais um competidor

No País, a AIG e a XL Catling são as duas únicas seguradoras a oferecer esse produto. A Allianz já tem o seu aprovado, mas ainda não disponibilizou para o mercado. Há menos de 100 apólices emitidas e o maior valor assegurado é de R$ 10 milhões. No exterior, a garantia é 10 vezes maior. Uma das principais reclamações é o custo, que pode chegar a 6% do capital assegurado. Ele, de fato, ainda é alto, pela falta de experiência do setor sobre os tipos de ataques e sinistros. Para se ter uma ideia, uma apólice de responsabilidade civil profissional, que é bastante utilizada pelas empresas, tem custo máximo de 1,2% do capital assegurado.

(Nota publicada na Edição 1003 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Com André Jankavski, Hugo Cilo e Márcio Kroehn)




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Sobre o autor

Hugo Cilo é editor de negócios da Revista DINHEIRO


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