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Xangai endurece lockdown da Covid e Pequim mantém testagem em massa

Crédito: REUTERS / Aly Song

Funcionários em trajes de proteção caminham em rua de Xangai durante lockdown para conter disseminação da Covid-19 (Crédito: REUTERS / Aly Song)



Por Engen Tham e Eduardo Baptista

XANGAI/PEQUIM (Reuters) – As autoridades de Xangai endureceram o lockdown da Covid-19 que impuseram há mais de um mês na cidade, prolongando até o final de maio uma experiência que a capital chinesa, Pequim, está desesperada para evitar.

Xangai, centro comercial de 25 milhões de pessoas, está fazendo um novo movimento para reduzir a zero o número de casos de coronavírus fora das áreas que estão enfrentando restrições mais rígidas até a segunda quinzena de maio, disseram à Reuters pessoas familiarizadas com o assunto.

As fontes disseram que as restrições de mobilidade vão permanecer durante o mês devido a temores de um retorno, embora os números de casos estejam caindo. Autoridades em alguns distritos emitiram avisos ordenando que as pessoas voltem para seus complexos residenciais após deixá-las sair para breves caminhadas ou compras rápidas.



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Em um vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais chinesas, policiais em trajes de proteção discutiam com moradores que foram informados de que precisariam ficar em quarentena após um vizinho testar positivo para a doença.

“Isso é para que possamos remover completamente quaisquer casos positivos”, pode-se ouvir um dos policiais dizendo. “Parem de me perguntar por que, não há porquê. Temos que aderir às diretrizes nacionais.”


A Reuters não conseguiu verificar o vídeo de forma independente.

O governo de Xangai não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

O isolamento prolongado e o medo de serem enviados para centros de quarentena, que às vezes carecem de chuveiros e outras condições básicas de higiene, têm causado frustração generalizada e até brigas.

As duras restrições da Covid-19 em Pequim, Xangai e dezenas de outras grandes cidades chinesas estão afetando psicologicamente sua população, pesando sobre a segunda maior economia do mundo e interrompendo as cadeias de suprimentos globais e o comércio internacional.

As medidas marcam um nítido contraste com a maior parte do mundo, que está relaxando ou removendo as restrições da Covid-19 para conviver com o vírus mesmo quando as infecções se espalham.

Pequim fechou academias e locais de entretenimento, proibiu serviços de refeições em restaurantes e fechou dezenas de rotas de ônibus e quase 15% de seu extenso sistema de metrô, enquanto muitos moradores evitam sair voluntariamente.

“É muito estranho”, disse um morador de Pequim de 50 anos de sobrenome Ding, enquanto tirava uma foto de uma rua vazia que levava a uma estação de metrô fechada. “É a primeira vez em todos os meus anos em Pequim que vejo ruas vazias no meio do verão. É mágico.”

As empresas que permaneceram abertas não estão atendendo muitos clientes, pois as pessoas não querem fazer nada que possa aproximá-las de pessoas infectadas e forçá-las a ficar em quarentena.

(Reportagem de redações da Reuters em Pequim e Xangai)

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