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VULCABRÁS DE ROUPA NOVA

Eles são conhecidos simplesmente por serem os maiores fabricantes de calçados brasileiros, com produção anual de 95 milhões de pares e exportação para mais de 60 países. Mas prepare-se: o Grupo Grendene ? que tem 13 fábricas, 16 mil funcionários e faturamento anual de R$ 697 milhões ? quer ser também um gigante do setor têxtil. O assunto é guardado a sete chaves nos escritórios da companhia em Horizonte, no sertão cearense. É dessa fábrica, uma das mais modernas do grupo, que sairá a primeira linha de camisetas, regatas e shorts com as etiquetas da marca esportiva norte-americana Reebok, que será fabricada pela Vulcabrás, uma afiliada ao grupo. ?Vamos começar com uma única linha e depois reavaliaremos a viabilidade da produção?, garante Tullio Formicola Filho, diretor comercial e de marketing da Vulcabrás. Feitas com um fio importado, conhecido como HydroMove, as roupas estarão nas lojas no próximo mês. Como o tecido possibilita a passagem de suor da pele, deixa o corpo seco. É um passo e tanto.

Desde 1999, quando assumiu as operações da marca norte-americana no País, a Vulcabrás vinha adotando cautela. Fabricava os tênis Reebok ? com o aval de um técnico contratado pela multinacional ? e terceirizava a produção de roupas esportivas. Era muito pouco. ?O objetivo é fazer com que o negócio de roupas cresça 15% este ano?, explica Formicola. Se tudo der certo, as roupas passarão a representar 40% do faturamento da Reebok do Brasil. ?Mais para a frente, vamos contratar funcionários e aumentar nossa fábrica.? Aí, a Vulcabrás poderá finalmente ser chamada de empresa têxtil. O executivo evita, no entanto, falar em investimentos e expectativas.



A nova tacada da Vulcabrás foi celebrada pela Reebok. Por conta de uma campanha forte de produção e marketing, a empresa americana é hoje a segunda marca de tênis do Brasil. No resto do mundo, fica em terceiro lugar, atrás de Nike e Adidas. O Brasil é parte fundamental na estratégia de crescimento da marca. Tanto que a empresa lança coleções simultaneamente aqui e nos Estados Unidos. São dois novos modelos de calçados por mês. A última novidade, que chegou ao mercado este mês, é o tênis com tecnologia DMX 10, um avançado sistema de ar que fica no solado do calçado e ajuda a amortecer o impacto de esportes. Com distribuição seletiva e preço de R$ 249, a novidade deve representar 3% das vendas da Reebok no País. Outra aposta da companhia é o objeto de desejo Diamond, um tênis que tem tiragem exclusivíssima e foi lançado em cinco países ? além de Estados Unidos, apenas França, Itália, Japão e … Brasil. ?Recebemos 1.300 pares que serão vendidos por R$ 500 cada?, adianta Formicolla. Outro ponto marcado pela Vulcabrás.

Tênis moderninhos. Quando o assunto é parceria com marcas esportivas, a Vulcabrás não é nenhuma novata. Detentora da marca Keds desde 1992, a companhia começou a expansão da linha há pouco mais de dois anos. O primeiro passo foi lançar a primeira
loja exclusiva na badalada Rua Oscar Freire, em São Paulo. Com maior visibilidade, a Vulcabrás preparou uma reestilização da linha
de sapatos. Os tênis branquinhos deram lugar a uma linha de produtos mais tecnológicos e modernos. Este mês, a Keds vai
lançar 12 novos modelos. Se não pode ser medido em números ? já que a companhia não abre os dados ?, o sucesso da Keds sob a administração Vulcabrás pode ser notado por alguns feitos. ?Do Brasil, exportamos para Grécia, Israel, Portugal e até Canadá?, comemora o executivo. Os resultados não poderiam ser melhores.
No ano passado, a Vulcabrás teve crescimento de 31%. O faturamento saltou de R$ 131 milhões para R$ 191,5 milhões. Pelo visto, a empresa não está apenas brincando de fazer roupas.

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