Dinheiro em Ação

Volume em alta na B3

Crédito: Divulgação

Papéis avulsos

Impulsionado pela queda dos juros e o consequente aumento na busca dos investidores por ativos de maior risco, o volume médio negociado diariamente com as ações na bolsa brasileira cresceu 84,5% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 19,5 bilhões. Em relação a julho, o aumento foi de 18,1%. A base total de investidores também registrou um significativo aumento, de 80,8% em bases anuais, passando de 751,9 milhões para 1,35 bilhão. Considerado apenas o mês de agosto, em comparação com o mês imediatamente anterior, houve uma evolução de 9,2% no número de investidores na bolsa – foram quase 115 mil novos CPFs em apenas 31 dias. Já no mercado de derivativos, o volume registrou um crescimento anual de 61,9%, e de 4,5% na margem, para R$ 4,3 bilhões. No mercado de balcão, o avanço no volume de novas emissões de renda fixa foi mais tímido, de 7,2% em agosto frente ao mesmo mês de 2018, mas com uma queda de 10,6% ante julho, para R$ 827,7 milhões.

 

Quem vem lá

Banco Pan e Banrisul preparam ofertas

Após o melhor primeiro semestre dos últimos 17 anos, novas ofertas de ações estão programadas, do Banco Pan e do Banrisul. O primeiro fará uma oferta que pode chegar a R$ 1,35 bilhão, sendo metade dela primária, com a captação de recursos para a própria instituição financeira. A outra metade virá da venda de parte da posição detida pela Caixa. Serão oferecidas 115 milhões de ações preferenciais. Já o banco gaúcho prepara uma oferta pública secundária de até R$ 2,2 bilhões. O governo do Rio Grande do Sul quer vender 96,3 milhões de ações ordinárias do banco. Hoje, o estado tem 201,9 milhões de ações, 98% do total. As ações do Banco Pan sobem 409,8% em 2019, enquanto as do Banrisul avançam 8,2%.

 

Petróleo

Petrobras segue com a venda de ativos

A Petrobras finalizou a venda da sua participação de 70% no campo de Maromba, localizado na Bacia de Campos, para a empresa BW Offshore Production. A operação foi concluída com o pagamento da primeira parcela de US$ 20 milhões. O restante (US$ 70 milhões) será pago em duas parcelas – a primeira de US$ 20 milhões em até 15 dias úteis após o início das atividades de perfuração para o desenvolvimento do campo; e a segunda de US$ 50 milhões em até três meses após o primeiro óleo ou três anos após o início das atividades de perfuração, o que ocorrer primeiro. As ações da Petrobras sobem 21% em 2019.

 

Consumo

Varejistas sofrem com concorrência estrangeira

Ao anunciar na terça-feira 10 o serviço de entregas de mercadorias Amazon Prime, a gigante americana causou uma sangria nas ações das varejistas. As da B2W tombaram 4,83%, levando a um desempenho negativo de 0,3% no ano. No Magazine Luiza, a queda foi de 4,97% no dia, mas no ano o ativo sobe 44,4%. As Lojas Americanas caíram 3,20% na sessão, e recuam 9% em 2019, enquanto a Via Varejo perdeu 3,28% no dia, mas sobe 54,4% no ano. “A queda foi exagerada. As empresas locais tem expertise para enfrentar a concorrência”, diz Pedro Galdi, da Mirae Asset.

 

Touro x Urso

O avanço da reforma da Previdência no Senado, no front doméstico, e novas sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de que estímulos para a economia serão adotados, no front internacional, animaram os investidores locais. Com isso, a bolsa brasileira retomou o patamar dos 103 mil pontos, no qual não encostava desde 13 de agosto.

 

Destaque no pregão

Telefonica no balcão de negócios

A empresa espanhola Telefonica, controladora da Vivo no mercado local, quer acelerar a venda de ativos de infraestrutura na área de telecomunicações, como as torres de transmissão. De acordo com o comunicado de Madrid, aproximadamente 60% das operações estão, além da própria Espanha, no Brasil, no Reino Unido e na Alemanha. A Telefonica possui cerca de 50 mil instalações voltadas para as operações de telefonia móvel. Segundo cálculos da própria empresa, elas podem gerar aproximadamente € 360 milhões em lucro operacional e € 830 milhões em receitas. A empresa irá avaliar nos próximos doze meses as opções para capitalização desses ativos, o que inclui a possibilidade de compartilhamento das estruturas com outras companhias. Além disso, a operadora informou ainda despesas de aproximadamente € 1,6 bilhão com mudanças no quadro de funcionários e demissões na Espanha. As ações da Vivo têm valorização de 20,7% no acumulado de 2019.

Palavra do analista:
“A Telefônica passa por uma reestruturação, com foco na redução de custos e melhor alocação de investimentos, em especial, nas operações digitais”, escrevem os analistas da Guide, que classificam a medida como marginalmente positiva. A expectativa é que a redução de trabalhadores gere uma economia de € 220 milhões a partir de 2021.

 

 

Mercado em números

EZTEC
R$ 158,9 milhões – É o Valor Geral de Vendas (VGV) da primeira torre de um novo empreendimento em Osasco com uma participação de 76,25% da construtora

INDÚSTRIAS ROMI
R$ 25,1 milhões – É o quanto a companhia vai pagar aos acionistas em juros sobre o capital próprio (JCP), com base na posição acionária de 16 de setembro, correspondente a R$ 0,40 por ação

CSU CARDSYSTEM
R$ 2,25 milhões – É o quanto a empresa de tecnologia vai pagar aos acionistas em juros sobre o capital próprio (JCP), o que corresponde a R$ 0,054 por ação

PETRORIO
7,5% – Foi o aumento na produção diária de petróleo e gás natural registrado pela companhia em agosto, na comparação com julho

WILSON SONS
-11,2% – Foi a queda na movimentação de contêineres nos terminais de Rio Grande (RS) e Salvador (BA) em agosto, na comparação anual

 

Número da semana

1%

É quanto cresceram as vendas no varejo em julho de 2019, na comparação com o mês anterior. Trata-se do terceiro resultado positivo seguido, o que representa um acréscimo de 1,6% no período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com julho do ano passado, houve uma evolução de 4,3%, a maior taxa desde novembro de 2018 (4,5%). O resultado levou o setor varejista a recuperar o patamar de vendas de junho de 2015, mas ainda 5,3% abaixo do recorde de outubro de 2014. Nos últimos doze meses, o indicador flutuou de 1,2% para 1,6% entre junho e julho. Sete das oito atividades pesquisadas tiveram resultado positivo em julho. As principais pressões positivas foram exercidas por hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%) e móveis e eletrodomésticos (1,6%). Apenas o segmento de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação teve queda em julho (-1,6%). Já no varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume cresceu 0,7% em julho, em relação a junho de 2019, e 7,6% ante o mesmo mês de 2018.

 

 

Entrevista da semana

“Os alugueis em São Paulo estão nos mesmos patamares de dez anos atrás”

Vitor Bidetti, CEO da Integral Brei

O mercado de investimentos imobiliários tem registrado no ano o maior crescimento no interesse dos investidores, atraídos pela segurança auferida pelos tijolos que sustentam o negócio. A base de investidores no segmento saltou de 150 mil em meados de 2018 para os atuais 390 mil, com um crescimento médio mensal na casa dos 30 mil. Vitor Bidetti, CEO da Integral Brei, prevê que 2019 será um ano recorde em emissões de fundos dessa natureza. O maior valor até agora, R$ 14 bilhões, foi há sete anos. O especialista acredita que teremos R$ 20 bilhões em 2019. Até julho, foram cerca de R$ 6,5 bilhões, mas há uma série de operações represadas, segundo Bidetti.

Dado o crescimento vertiginoso do setor, há o risco de bolha?
Não. Apesar do crescimento recente, o patrimônio da indústria de fundos, de aproximadamente R$ 106 bilhões, representa apenas 2% do total do mercado local, que tem cerca de R$ 5 trilhões. Diante das perspectivas positivas para o setor, acredito que no médio prazo esse percentual vai subir para 10%.

Como a Integral Brei tem surfado a onda positiva dos fundos imobiliários?
Temos R$ 4 bilhões em novas ofertas a serem realizadas nos próximos seis meses, entre operações para o investidor de varejo (CVM 400) e para aqueles mais qualificados (CVM 476). Além dessas, temos no pipeline outros R$ 8 bilhões em oportunidades que estamos mapeando.

Quais nichos dentro do setor imobiliário devem se destacar?
Acredito bastante na logística e nos shoppings, mas de modo geral o mercado como um todo deve ir bem, em um ambiente macro mais positivo. Os preços dos alugueis em São Paulo estão nos mesmos patamares de dez anos atrás. Ainda há um bom espaço a percorrer. Logo começaremos a ver também o surgimento de projetos residenciais para obter rendimento, já muito comum no exterior.