Semanal

Você prefere Bolsa Família ou abono salarial?

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Trabalho infantil cresceu com a queda de renda durante a pandemia. Turbinar o Bolsa Família pode melhorar a avaliação do governo (Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil)

A resposta desta pergunta depende de onde você está lendo essa matéria. Se for uma pessoa de alta vulnerabilidade, com filhos pequenos, o Bolsa Família (principalmente turbinado para R$ 300) é melhor. Se você é trabalhador registrado com até dois salários mínimos, receber o abono é ter praticamente um 14º salário. O problema começa quando é preciso escolher entre um e outro. Esse o dilema do presidente Jair Bolsonaro. Fontes próximas ao chefe da República revelaram haver estudos avançados sobre a possibilidade de retirada do abono para viabilizar o aumento prometido do benefício social. A prática, que outrora já havia sido rechaçada por Bolsonaro, tornou-se uma das poucas saídas para o governo consiga arcar com um programa populista que possa elevar a popularidade do presidente.

Flávio cita Bolsa Família de R$ 270, inferior aos R$ 300 cogitados por Bolsonaro

No mundo ideal, o plano do governo seria anunciar um novo programa social que abrangesse mais que as atuais 15 milhões de pessoas inscritas no Bolsa Família e que girasse em torno de R$ 300 (hoje a média é R$ 190). Na realidade, a medida custaria entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões ao ano, a depender do número de beneficiários e o tamanho do aumento do benefício. Nas contas do economista Felipe Salto, diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado), o Bolsa Família com valor médio de R$ 300 ainda em 2021 custaria R$ 26,5 bilhões. A previsão orçamentária do programa para o ano é de R$ 34 bilhões e seria suficiente para bancar o reajuste. Para 2022, a IFI estimou que o Bolsa Família reajustado deve ter um custo de pelo menos R$ 48,7 bilhões. E a extinção do abono garantiria os recursos necessários para bancar o benefício. Tais previsões teriam bastado para que o presidente da República permitisse que contas sobre viabilidade da troca do recurso fosse feita.

Em outubro do ano passado, no meio da pandemia, questionado sobre a possibilidade de acabar com o abono, Bolsonaro afirmou que “não tiraria dos pobres para dar aos paupérrimos”. Quando fez a declaração, o Brasil possuía ao menos 25 milhões de trabalhadores com direito ao abono do PIS/Pasep. Segundo técnicos do Ministério da Cidadania, que estão por trás da condução do projeto, ao menos R$ 20 bilhões poderiam ser usados diretamente no novo programa de transferência de renda.



A articulação do novo programa social (que não vai se chamar mais Bolsa Família pela associação com o PT) foi confirmada ontem (17) pelo ministro da Economia Paulo Guedes, que participou de um evento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) ao lado do ministro da Cidadania, João Roma e outros ministros. Segundo Guedes, as pastas trabalham em conjunto para encontrar uma equação que caiba a criação do novo programa social já anunciado (mas nunca efetuado) pelo governo Bolsonaro.

Nos bastidores da Esplanada dos Ministérios, a informação é que o presidente teria aceitado o argumento de que o benefício é pago para pessoas com renda, e que muitos deles poderiam, inclusive entrar no novo programa social. Por desejo de ajudar os mais pobres, ou medo da impopularidade em ano eleitoral, Bolsonaro quer transformar os programas petistas de transferência de renda (os mesmos que o presidente criticou por anos) em uma versão ainda maior (e mais cara) para chamar de sua.

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