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Você ainda vai investir em NFT

Conheça a tecnologia que permite colecionar itens digitais, revoluciona o trabalho dos artistas e movimenta bilhões.

Crédito: Divulgação

Jack Dorsey, fundador do Twitter, é um homem rico. Segundo as estimativas mais recentes, seu patrimônio é de US$ 12,8 bilhões. Na segunda-feira (22), ele poderia ter acrescentado US$ 2,9 milhões a essa cifra polpuda por meio da venda de seu primeiro tweet. “Just setting up my twttr”, algo como “acabei de configurar meu twitter”, a primeira mensagem publicada no sistema, foi leiloada – o dinheiro da venda foi doado. Apesar de a cifra ser pequena em comparação com a fortuna de Dorsey, o que realmente chamou a atenção foi a forma da venda, realizada por meio de um Non-Fungible Token, ou NFT.

Apesar de a sigla parecer o nome de um título do Tesouro brasileiro, os NFT são uma das maiores promessas do mundo dos ativos virtuais. Parece confuso, mas é simples. Um NFT é um ativo não fungível (calma, já chegamos lá). Fungibilidade é uma característica de qualquer bem. Significa a capacidade de esse bem ser substituído por outro semelhante. Por exemplo, uma nota de R$ 20 em sua carteira. Você pode trocar essa nota de R$ 20 por outra igual a qualquer momento. Uma nota é um ativo fungível.

ATIVO VIRTUAL, VALOR REAL André Abujamra está lucrando com a venda de obras criadas em parceria com Uno de Oliveira. “Qualquer artista da quebrada pode produzir arte e vender, tirando os intermediários do caminho”, disse o músico. (Crédito:Divulgação)

Porém, vamos supor que você encontre uma celebridade inacessível e peça um autógrafo. Milagrosamente a celebridade concorda, mas não há papel disponível. Você abre sua carteira, tira uma nota de R$ 20 e conquista a assinatura. Nesse momento, a nota de R$ 20 perdeu sua fungibilidade. Ela continua valendo R$ 20, mas não pode ser substituída por outra, pois é a única com aquele autógrafo. O mesmo raciocínio vale para qualquer item colecionável. A diferença é que, agora, qualquer item digital pode se tornar uma peça de coleção.

Um NFT é um ativo digital – como um tweet, uma música ou uma imagem – que tornou-se único por meio da tecnologia blockchain, a mesma que sustenta as moedas virtuais como o bitcoin. Assim como é possível obter milhares de reproduções da Mona Lisa, também é possível fazer cópias ilimitadas de qualquer arquivo digital. Ao registrá-lo como um NFT, esse arquivo ganha características de unicidade. Você pode fazer uma cópia, mas não será um arquivo original, da mesma forma que as cópias da Mona Lisa vendidas pelos camelôs em Paris não são o original. “A venda do tweet do Jack Dorsey é comparável à venda de manuscritos de algum artista famoso em um caderno”, disse o professor da Fundação Getulio Vargas Bruno Diniz.



Evandro Rodrigues

FORTUNAS Se parecem algo alternativo, os NFT já movimentam milhões. A rigor, tudo pode virar um NFT. Domínios de internet, ingressos para eventos virtuais, colecionáveis de games. Usando recursos dessa tecnologia, a empresa de jogos Epic Games, que desenvolveu o game Fortnite, está fazendo isso. Ambientado em um mundo pós-apocalíptico infestado de zumbis, o game é um sucesso absoluto.Dorsey transformou seu primeiro tweet em um NFT, colocou-o em leilão e encontrou um comprador disposto a pagar US$ 2,9 milhões. O que para ele foi uma excentricidade pode ser uma revolução para artistas mundo afora. É o caso do músico André Abujamra. Recém-convertido ao NFT, Abujamra criou obras em dupla com o artista plástico Uno de Oliveira. “Estamos musicando arte e arteando músicas”, disse ele. As imagens de Oliveira têm trilhas sonoras de Abujamra, e vice-versa. As obras são colocadas à venda na forma de NFT. Em algumas semanas, o músico comemora ter ganhado cerca de US$ 500 com as obras. “Parece pouco, mas ao colocar minhas músicas no Spotify eu ganhava alguns centavos.” Animado, Abujamra começou a estudar finanças e criptoativos. Para ele, as possibilidades são infinitas. “Essa tecnologia permite descentralizar a produção cultural, qualquer artista da quebrada pode produzir arte e vender, tirando os intermediários do caminho”, disse ele.

A estimativa do mercado é que a venda de itens colecionáveis, como armas personalizadas e uniformes de combate, movimentou US$ 2,4 bilhões só em 2018. Por meio do NFT, uniformes de campeões do jogo podem ser comercializados. Só o que varia é a capacidade de negociação. A maioria dos NFT se baseia na Ether, plataforma que sustenta a criptomoeda ethereum, mas isso não é uma obrigação. O céu (ou o inferno pós-apocalíptico) é o limite. “Isso se tornará normal no futuro, como várias outras novidades que pareciam sem sentido há alguns anos”, disse Diniz.

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