Dinheiro em foco

Vitor Bidetti, sócio-fundador e CEO da Integral BREI

Crédito: Nelson Toledo

A Integral BREI está diversificando suas atividades?
Sim. Eu fundei a BREI em 2014 como uma empresa focada na estruturação de ativos de base imobiliária. No ano seguinte a empresa se fundiu com a Integral, que havia sido fundada em 1999. Nesse período, mantivemos nossa especialização nos ativos imobiliários e também focamos em fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDC. Essas são as verticais mais importantes, mas agora estamos lançando outras.

Quais?
Durante o primeiro semestre nós estruturamos quatro FIDCs, dedicados a diferentes teses de investimento. Por exemplo, lançamos um fundo de R$ 125 milhões para uma fintech que aluga veículos para motoristas de aplicativo, um FIDC para uma fintech que atua no mercado de consórcios e um fundo dedicado a empresas que atuam na concessão de empréstimos consignados.

Qual o tamanho desses fundos?
Considerando ativos sob gestão, temos um total de R$ 13 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões em fundos registrados na Anbima. Esses fundos novos, estruturados recentemente, agregaram R$ 1,5 bilhão ao nosso portfólio. Agora administramos um total de 34 fundos. Essas são as novas atividades.

E nos negócios tradicionais?
No segmento imobiliário estamos estruturando um negócio imobiliário no Distrito Federal. É uma cidade inteligente, ou smart city, que será localizada em um terreno de 1 milhão de metros quadrados que pertence à Terracap e que está em uma das pontas da Asa Norte, no Plano Piloto. A ideia é criar um hub de inovação, com algumas empresas-âncora do setor de tecnologia. Como o governo federal é um dos maiores, senão o maior, consumidor de tecnologia do País, esperamos um grande interesse dos investidores. Vamos estruturar um fundo imobiliário que pode captar até R$ 1,1 bilhão.

Na avaliação de vocês há demanda imediata para isso?
Sim. Nossa avaliação é que em 2022 haverá uma normalização das condições financeiras. Ou seja, uma inflação convergindo para a meta histórica entre 4% e 5% ao ano e a taxa Selic oferecendo um prêmio de um a dois pontos percentuais. Ou seja, depois de descontar o imposto, o investidor terá pouco mais que a variação da inflação. Nesse sentido, haverá demanda por produtos estruturados de renda fixa que ofereçam uma possibilidade de ganho real com riscos razoáveis e conhecidos.

CAPTAÇÃO LÍQUIDA DE R$ 41,7 BI EM AGOSTO

Apesar da desaceleração da economia, os fundos de investimento continuam captando recursos. Em agosto, até o dia 27, o setor recebeu R$ 41,7 bilhões líquidos. Essa é a diferença entre as aplicações de R$ 791,8 bilhões e as retiradas de R$ 750,1 bilhões. As informações foram divulgadas pela Anbima, associação que representa o setor, na quarta-feira (1). No acumulado do ano, até 27 de agosto, a indústria de fundos havia registrado captação líquida de R$ 350 bilhões.

CVM E ANBIMA VÃO FISCALIZAR FUNDOS

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Anbima ampliaram o escopo de um convênio iniciado em 2018 e vão compartilhar as informações sobre o enquadramento dos fundos de investimento, para saber se os ativos que formam as carteiras estão de acordo com o que está definido nos estatutos. A ideia é evitar redundâncias e reduzir os custos de fiscalização para o mercado, detectando mais depressa os desenquadramentos dos fundos.

SULAMÉRICA REFORÇA FOCO NA PREVIDÊNCIA

A seguradora SulAmérica lançou mais produtos de previdência privada. Na quarta-feira (1) ela anunciou o lançamento de um fundo de fundos (FOF) de previdência com perfil conservador. O retorno esperado é de CDI mais 0,25% ao ano e a taxa de administração é de 0,60% ao ano, sem taxa de performance. O aporte inicial ou portabilidade é de R$ 5 mil, com um mínimo de R$ 100 para movimentações futuras. A adesão terá de ser realizada por meio de um corretor de seguros.

EM ALTA
1,3 ponto 

Foi o aumento do Índice de Confiança de Serviços (ICS) em agosto, atingindo 99,3 pontos, conforme levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Este foi o maior nível desde setembro de 2013, quando chegou a 101,5 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice avançou 3,7 pontos, quarta alta seguida. De acordo com o FGV Ibre, a confiança do setor de serviços avançou pelo quinto mês consecutivo consolidando patamar acima do nível pré-pandemia e próximo ao nível neutro.

EM BAIXA
0,1 ponto 

Foi o ligeiro recuo do Índice de Confiança do Comércio (Icom) no mês de agosto, passando de 101,0 para 100,9 pontos, conforme levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Dessa forma, enquanto a confiança em Serviços subiu, a confiança do Comércio recuou e acendeu o sinal de alerta sobre o ritmo de recuperação do setor, após quatro meses de altas consecutivas. Em médias móveis trimestrais, no entanto, o indicador ainda manteve aumento de 2,3 pontos, registrando a quarta alta seguida.