Economia

Vilão da inflação: entenda por que o óleo de cozinha está tão caro

Crédito: United Soybean Board/ Wikimedia Communs

Óleo de cozinha subiu mais de 45% no mundo inteiro de acordo com o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) (Crédito: United Soybean Board/ Wikimedia Communs)



Cozinhar no Brasil está ficando cada vez mais caro. Depois do tomate, que subiu 26,6% em abril, e dos seguidos aumentos no preço do botijão de gás, o vilão da vez no bolso do brasileiro é o óleo de cozinha. 

De acordo com o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o óleo de soja subiu mais de 20% somente entre janeiro e abril deste ano. Nos últimos 12 meses a alta é de 30%.  

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Em um país que colheu quase 139 milhões de toneladas do grão em 2021 e consome cerca de 7 milhões de toneladas de óleo de soja por ano, o que explica essa constante alta? 



Guerra na Ucrânia 

Um dos principais fatores da alta do preço dos óleos de cozinha é a guerra entre Rússia e Ucrânia. Especialistas acreditam que a queda na oferta de petróleo no mundo fez com que o óleo de soja fosse mais procurado para a fabricação de biocombustíveis. 

A guerra também explica a demanda pelo óleo de soja brasileiro por conta da abrupta paralisação da exportação do óleo de girassol vindo da Ucrânia. Com isso, o produto feito de soja acaba sendo uma alternativa viável para o mercado internacional. 

Alta acontece no mundo inteiro 

A inflação que atinge grande parte dos países faz com que o óleo de cozinha suba em diversos deles. Segundo o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o preço dos óleos vegetais subiu 46,5% globalmente no último ano. 


No Chile, de acordo com informações do Escritório de Estudos de Políticas Agropecuárias (ODEPA), o óleo de soja aumentou 67% entre janeiro e abril nos supermercados. No México, o item foi o que mais subiu entre os alimentos da cesta básica segundo o Instituto Nacional de Estatística (INEGI). 

Aqui no Brasil, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que o produto ficou mais caro em todas as capitais pesquisadas entre março e abril. 

Saídas para o Brasil

Economistas, no entanto, afirmam que o governo brasileiro poderia tomar atitudes para frear essa alta de preços no mercado nacional e diminuir a volatilidade no preço por conta da alta demanda internacional. 

Uma das possibilidades seria colocar uma cota de venda do insumo para o mercado externo nesses momentos de crise ou manter um estoque de grãos interno.