Dinheiro em Ação

Via Varejo lança banco digital com start-up dos EUA

Via Varejo lança banco digital com start-up dos EUA

Papéis avulsos

A Via Varejo, dona das Casas Bahia, ganhou a atenção e os recursos dos consumidores ao oferecer crédito por meio do carnê. Com o processo de digitalização nos últimos anos, a empresa que tem Michael Klein como um dos principais acionistas anunciou a criação de um banco digital, o banQi. Para a empreitada, a rede varejista vai contar com o auxilio da start-up norte-americana Airfox, que atua com soluções de pagamentos móveis e digitais. O banco vai oferecer empréstimos pessoais, assinatura eletrônica do crediário, cartão de débito, entre outros serviços. Ele também vai ajudar a Via Varejo a alcançar consumidores de baixa renda que não frequentam suas lojas. “Por meio do banQi poderemos oferecer a expertise de serviços da Via Varejo, que hoje é restrita às Casas Bahia e Pontofrio, para consumo fora da companhia”, afirmou Felipe Negrão, CFO da Via Varejo. Atualmente, a empresa possui cinco milhões de pessoas pré-aprovadas no carnê. O banQi contará com a capilaridade nacional da Casas Bahia, com cerca de 800 pontos de atendimento. A partir da próxima semana, os serviços estarão disponíveis para 34 lojas localizadas no Estado de São Paulo. E a expectativa é que até o final de julho todas as unidades da rede estejam integradas à operação do banQi.

 

Adquirência

Pagamentos pela Rede somam R$ 2 bilhões

A Rede, empresa de meios de pagamento controlada pelo Itaú, informou que R$ 2 bilhões, referentes a vendas do varejo no crédito à vista, foram pagos a 300 mil clientes desde que a nova política comercial entrou em vigor, em 2 de maio. A partir dessa data a companhia passou a oferecer custo zero de antecipação para o pagamento de recebíveis aos lojistas em dois dias. Estão sendo beneficiados clientes novos e antigos que faturam até R$ 30 milhões por ano. No ano as ações do Itaú sobem 3,8%.

 

Touro x Urso

Após conseguir fechar em azul no volátil mês de maio, mas com uma valorização de apenas 0,7%, o Ibovespa não manteve o avanço e recuou 1,06% no início de junho, até a quarta-feira 5. Especulações sobre o insucesso do governo na agenda fiscal voltaram a pesar no humor dos investidores. Também contribuiu para a realização de lucros a queda no preço do petróleo, com impacto direto nas ações da Petrobras, que têm peso relevante no índice de mercado.

 

Aviação

Demanda da Gol cresce acima da oferta

A oferta de vôos da Gol no mercado doméstico aumentou 0,5% em maio, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já a demanda cresceu 7% em igual período. Diante do crescimento da procura acima da oferta, a taxa de ocupação doméstica da companhia aérea aumentou cinco pontos percentuais, para 82,9%. O volume de decolagens, por outro lado, caiu 4,6%, enquanto o total de assentos reduziu-se 1% em relação a maio de 2018. No mercado internacional, a oferta e a demanda da Gol aumentaram 55,6% e 71,9%, respectivamente. A taxa de ocupação alcançou 75,3%, alta de 7,1 pontos percentuais. Nos dois mercados, a oferta total cresceu 5,8%. As ações da Gol sobem 12% no ano.

 

Destaque no pregão

Odebrecht e LyondellBassell encerram negociação por Braskem

A Odebrecht, acionista controladora da Braskem, encerrou as negociações que vinham mantendo desde junho de 2018 com a empresa holandesa da área química LyondellBassell. As empresas negociavam a transferência à holandesa da totalidade da fatia da Odebrecht no capital da Braskem. A insegurança jurídica relacionada à operação, tendo em vista a atual situação financeira do grupo Odebrecht, foi um dos motivos que levaram as partes a encerrar as tratativas. A Odebrecht deu, em julho de 2016, todas as ações ordinárias e preferenciais que possui na petroquímica como garantia para cinco bancos. Na última semana, a Odebrecht colocou a produtora de etanol Atvos em recuperação judicial, o que pode levá-la a pedir na Justiça proteção contra seus credores. No acumulado de 2019 as ações da Braskem têm desvalorização de 27,9%.

Palavra do analista:
Os analistas da Guide avaliam que a notícia é negativa, e deve fazer os papéis da empresa seguirem pressionados. Os especialistas avaliam que o fluxo de notícias segue negativo, e citam a abertura de processo de deslistagem na NYSE, e uma ação do MP de Alagoas que alega que a exploração mineral em Maceió afundou o solo.

 

Energia

Eneva vence leilão e EDP nega conversas com CTG

A Eneva, antiga MPX, venceu o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Anell) para fornecer suprimento de energia à Boa Vista, capital de Roraima, e também para localidades próximas. Para atender a demanda a empresa vai se valer de seu projeto de geração termelétrica UTE Jaguatirica II, com capacidade instalada de 132,3 megawatts. Já as ações da EDP Energias do Brasil registraram dias de volatilidade devido a especulações sobre uma potencial fusão de ativos com a China Three Gorges Corporation (CTG). No entanto, ao ser questionada pela CVM, a EDP informou que “não tem conhecimento de qualquer entendimento que corrobore a referida notícia”. Pode ter contribuído para os rumores o fato da companhia manter com a CTG Brasil uma parceria operacional em três ativos de geração hídrica. As ações da Eneva sobem 44,4% no acumulado de 2019, enquanto os papéis da EDP avançam 47,1% no mesmo período.

 

 

Mercado em números

CPFL ENERGIAS RENOVÁVEIS
R$ 300 milhões – Foi o aumento do capital social homologado pelo conselho de administração da companhia, que contou com a subscrição de 17,5 milhões de novas ações ordinárias, correspondentes a 99,94% das ações disponíveis para subscrição

COMGÁS
R$ 206,15 milhões – É o montante movimentado no leilão da oferta pública voluntária para aquisição (OPA Voluntária) de ações ordinárias de emissão da companhia, tendo sido adquiridas 2,47 milhões de ações ordinárias pela Cosan, representativas de 1,88% do capital social da Comgás, pelo preço de R$ 83,16

OI
5,32% – Foi a porcentagem que Victor Adler e a VIC DTVM passaram a deter na empresa de telefonia em recuperação judicial, o que corresponde a cerca de 8,4 milhões de ações

ALLIAR
1 milhão – De ações poderão ser recompradas pela companhia no programa aprovado na terça-feira 4 pelo conselho de administração da empresa, equivalentes a aproximadamente 2,15% do total de ações ordinárias em circulação

BANCO INTER
9,3% – É a participação que a gestora Atmos Capital Gestão de Recursos atingiu no Banco Inter, passando a deter cerca de 4,7 milhões de ações preferenciais

 

Número da semana

1,98%

Foi a queda, em maio, do Índice de Commodities Brasil (IC-Br), calculado pelo Banco Central (BC). O índice mede a variação dos preços das commodities agrícolas, metálicas e energéticas que mais influenciam a inflação. Em abril, o IC-Br havia registrado uma alta de 1,53%. No acumulado do ano a baixa é de 1,27% e, em 12 meses, a desvalorização soma 0,34%. Entre os três subgrupos que compõem o IC-Br, os preços das commodities agrícolas e pecuárias recuaram 2,63% em maio. No ano, eles acumulam queda de 3,83%, mas, em 12 meses, há alta de 2,92%. As commodities metálicas desceram 2,01% em maio, subiram 2,94% no ano e caíram 3,34% em 12 meses. Já as commodities energéticas ficaram estáveis em maio, subiram 3,21% no ano e caíram 5,82% em 12 meses. O equivalente internacional do índice, o Commodity Research Bureau (CRB), subiu 2,59% em maio. A alta no ano é de 5,58% e a valorização acumulada em 12 meses é de 5,01%.

 

 

Entrevista da semana

“A melhoria que temos agora pode se reverter de uma hora para outra”

Marcelo Giufrida, CEO da Garde Asset Management

No início de 2019, as economias de países emergentes estavam ameaçadas por um risco externo. A possibilidade de alta de juros na Europa e Estados Unidos poderia reduzir os recursos disponíveis. Esse risco foi afastado. No entanto, a situação do Brasil não avançou. Embora tenha melhorado um pouco recentemente, o otimismo do mercado com o governo de Jair Bolsonaro ainda está bem abaixo dos níveis pós eleição. “A direção está correta, mas a trajetória não tem sido em linha reta”, diz Marcelo Giufrida, CEO da Garde Asset Management.

O que fez o humor do mercado melhorar recentemente?
O Congresso, que vinha em um processo de desgaste com o Executivo, passou a aprovar várias Medidas Provisórias. Os prazos das comissões estão sendo antecipados e a Medida Provisória (MP) do Saneamento deve avançar rapidamente. Isso desanuviou um pouco a perspectiva para o segundo semestre.

Já é possível voltar a ficar otimista?
Não. A melhoria que temos agora pode se reverter de uma hora para outra. O investidor de longo prazo pode se beneficiar dos sobressaltos e comprar na baixa. Mas quem está mais focado no curto prazo vai sofrer com a volatilidade dos preços, pois o processo de melhoria pode desandar de repente, o que vai se refletir no preço dos ativos.

Qual tem sido sua estratégia?
Vínhamos desde outubro com uma estratégia mais construtiva para o mercado brasileiro. Mas na virada de abril para maio concluímos que as dificuldades na coordenação entre Executivo e Legislativo poderiam manter os preços mais voláteis, o que fez a relação risco retorno piorar um pouco. Por isso reduzimos a amplitude das posições e passamos a atuar de maneira mais tática.