Meio ambiente

Venezuela nega responsabilidade por petróleo derramado no Brasil

Venezuela nega responsabilidade por petróleo derramado no Brasil

(27 set) Barril de petróleo na praia de Barra dos Coqueiros, Sergipe - Ademas/AFP

A estatal petroleira venezuelana PDVSA negou nesta quinta-feira (10) responsabilidade nos derramamentos de petróleo registrados na costa do Brasil, após o Ministério do Meio Ambiente brasileiro indicar que o líquido viscoso preto que chegou às praias “muito provavelmente” veio da Venezuela.

“A PDVSA nega categoricamente as declarações do ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, que acusa a Venezuela de ser responsável pelo petróleo que contaminou as praias do nordeste do Brasil desde o começo de setembro”, afirmou a petroleira venezuelana em um comunicado.

A empresa considera “infundadas” as afirmações do Brasil, “já que não existe evidência alguma de derramamento de petróleo nos campos petrolíferos da Venezuela que pudesse ter gerado danos ao ecossistema marinho do país vizinho”.

Na quarta, Salles disse que as manchas que apareceram em cerca de 130 praias do Brasil “muito provavelmente” vêm do país vizinho, em meio a uma grave crise socioeconômica.

Salles disse nesta quinta à imprensa que a nota venezuelana lhe parece “descabida, precipitada e inadequada” porque “a hipótese não é de vazamento de campo, e sim o vazamento de um navio que tenha transportado o óleo venezuelano”, provavelmente abastecido no país caribenho.

“Ao contrário do que foi dito pelo governo ditatorial da Venezuela, nós não dissemos que o vazamento vem de poços venezuelanos. O que dissemos é que o petróleo encontrado (…) conforme laudo laboratorial da Petrobras, comprova, primeiro, que não é brasileiro e, segundo, é muito provável que seja venezuelano”, disse Salles.

A PDVSA afirmou que não recebeu nenhum relatório de seus clientes, ou filiais, “sobre uma possível avaria, ou derramamento, nas proximidades da costa brasileira, cuja distância de nossas instalações petroleiras é de aproximadamente 6.650 km, via marítima”.

“Condenamos essas afirmações tendenciosas que pretendem aprofundar as ações unilaterais de agressão e bloqueio contra nosso povo”, afirmou a PDVSA em alusão às sanções americanas.

As manchas de petróleo foram encontradas ao longo de 2.000 km de costa do Nordeste brasileiro.

Especialistas consultados pela AFP alertam que os resíduos de petróleo ameaçam ecossistemas muito sensíveis, como praias, mangues e recifes.