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Variante já predomina na Grande SP; Estado interna três a cada 2 minutos

Crédito: Governo do Estado de São Paulo

As 18 unidades temporariamente desativadas devem retomar as atividades assim que for estabelecido o calendário de vacinação dos idosos de 69 a 71 anos (Crédito: Governo do Estado de São Paulo)

Com três pacientes sendo hospitalizados a cada dois minutos por covid em São Paulo, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, voltou a manifestar preocupação sobre um possível colapso no sistema e fez um apelo para atrair voluntários para atuar na linha de frente. “Nós precisamos (de) ajuda, porque estamos em guerra.” Ainda ontem, um estudo da Dasa e da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que a variante amazônica, mais transmissível, já predomina na Grande São Paulo.

“Algumas unidades, infelizmente, já colapsaram”, lamentou Gorinchteyn, sem detalhar hospitais ou localização. “Não queremos que as pessoas morram sem assistência. O mínimo que podemos dar é dignidade. Nem que a gente coloque em qualquer lugar o cilindro do oxigênio, que distribua a pessoa até mesmo nos corredores. Nós vamos garantir a assistência.”

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“Vamos continuar abrindo leitos e vagas dentro dos hospitais. Abriremos em qualquer local desses hospitais, seja nos anfiteatros, seja nos laboratórios e seja nos corredores”, disse Gorinchteyn. Ao lado dele, o governador paulista, João Doria (PSDB), destacou que um novo hospital de campanha montado dentro de uma unidade hospitalar já existente será anunciado na próxima segunda. O governo já havia adiantado que negociava a contratação de 130 leitos nas dependências de uma instituição privada na região central da capital paulista. De cerca de 8,5 mil leitos que o Estado prevê em funcionamento até o fim de março (hoje são cerca de 8 mil), mais de 1/3 são vagas particulares alugadas.

“Ah, paciente no corredor? Vai ter paciente no corredor. O que nós não queremos é paciente desassistido. Nós vamos dar oxigênio, ampliar a distribuição de respiradores, como nós já temos feito”, continuou o secretário. Ao falar dessa situação, Gorinchteyn fez um apelo para que conselhos de classe chamem profissionais de saúde a serem voluntários para atuar na linha de frente contra a covid-19. “Nós precisamos (de) ajuda, porque estamos em guerra.”

No caso de hospitalizações relacionadas ao novo coronavírus, houve aumento de 13,5% na média diária nesta semana, que chegou a 2.066 novos pacientes por dia. Na comparação comtrês semanas atrás, isso representa elevação de 42,4%. Em óbitos, a média diária da semana é de 273, um aumento de 13,2% em relação à semana anterior. As médias são consideradas parciais, pois não incluem os dados desta sexta e do sábado, fechando a semana epidemiológica.

São Paulo soma 2.093.924 casos e 61.064 óbitos pelo novo coronavírus. A ocupação é de 77,4% em leitos de UTI, média que é de 79,1% na Grande São Paulo. Nas enfermarias, a ocupação é de 59,6% e 66,9%, respectivamente. O número de pacientes internados chegou a 17.802 na quinta-feira, dos quais 9.910 estão em enfermaria e 7.892 em UTIs.

Mutação

A variante P.1 do coronavírus, originada em Manaus no fim de 2020, já é predominante na Grande São Paulo, segundo estudo feito pela rede Dasa de laboratórios em parceria com cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) e divulgado ontem.

Os pesquisadores analisaram 91 amostras de pacientes infectados pelo coronavírus em municípios da região metropolitana e verificaram que 77% delas se mostraram positivas para a nova cepa. Segundo estudos recentes, a P.1 é até duas vezes mais transmissível, aumenta em dez vezes a carga viral nas células do doente e pode escapar de anticorpos formados em infecções prévias, facilitando reinfecções.

Na quinta-feira, uma análise feita pela Fiocruz mostrou que, de oito Estados analisados, seis já tinham a prevalência de variantes mais preocupantes do coronavírus: Alagoas, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A análise das amostras da Grande São Paulo foi feita por meio de uma nova técnica do exame RT-PCR capaz de identificar características de diferentes cepas. A metodologia foi desenvolvida pela Dasa e pelo IMT/USP, seguindo um protocolo de identificação de variantes proposto pela Universidade de Yale (EUA). Em nota, a rede de laboratórios alertou que o resultado da análise “reforça a importância das medidas de prevenção amplamente conhecidas pela população: uso de máscaras, higienização das mãos com álcool em gel 70% e, sempre que possível, manter o isolamento social para frear a disseminação do vírus”.

Comparação

Para o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana, a rapidez com que a cepa vem se espalhando pelo País demonstra seu poder de disseminação. “Podemos sugerir que a P.1 seja altamente transmissível e apresentou maior prevalência que a variante do Reino Unido.”

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