Dinheiro em Ação

Vale investe R$ 1,8 bilhão em Brumadinho

Vale investe R$ 1,8 bilhão em Brumadinho

Papéis avulsos

Vale investe R$ 1,8 bilhão em Brumadinho

A Vale vai investir R$ 1,8 bilhão (US$ 450 milhões) até 2023 para recuperar a região de Brumadinho, que foi devastada pelo rompimento de uma barragem da mineradora. O valor se soma ao impacto negativo de US$ 4,5 bilhões registrado nas demonstrações financeiras do primeiro trimestre. Do montante anunciado na quarta-feira 26, cerca de R$ 500 milhões serão aplicados ainda neste ano. Os recursos serão utilizados para garantir a segurança das estruturas remanescentes da Mina Córrego do Feijão, na zona rural de Brumadinho, e para a remoção e destinação adequada dos rejeitos. Eles também servirão para a recuperação ambiental, especialmente do rio Paraopeba. Atualmente a Vale tem 66 pontos de monitoramento ao longo do rio. As obras envolvem a contratação de 28 empresas e a previsão é gerar aproximadamente 2,5 mil empregos. No momento são cerca de 1,3 mil trabalhadores atuando nas intervenções, sendo mais de 700 de Brumadinho e região. A mineradora está estudando demais obrigações e compensações, dentre as quais as ambientais, que serão provisionadas no resultado de segundo trimestre em conjunto com os valores anunciados nessa semana.

 

Petróleo

Enauta a todo vapor no Campo de Atlanta

A petrolífera Enauta, novo nome da QGEP, controlada pela empreiteira Queiroz Galvão, iniciou na sexta-feira 21, a produção do terceiro poço no Campo de Atlanta. Localizado no Bloco BS-4, na Bacia de Santos, Atlanta é um campo de óleo do pós-sal situado a 185 quilômetros do Rio de Janeiro. Na segunda-feira 24, quando a Enauta informou o inicio da produção no terceiro poço, sua ação subiu 7,13%, o que contribuiu para que a valorização no ano chegue a 58,2%.

 

Touro x Urso

Após fechar no dia 19 pela primeira vez acima dos 100 mil pontos, o Ibovespa não teve fôlego para seguir em alta e uma semana depois se encontrava próximo do mesmo patamar. Atrasos na reforma da previdência pesaram no humor dos investidores. Do exterior vieram sinais mistos. O Fed reduziu o ânimo ao questionar a necessidade de queda dos juros, mas a alta do petróleo impulsionou as ações da Petrobras.

 

Construção

BR Properties e JHSF vendem imóveis para fundos

Na expectativa de valorização dos imóveis, os gestores de fundos imobiliários têm ido às compras. Na segunda-feira 24, dois deles anunciaram aquisições. O fundo da XP Investimentos dedicado a shopping centers comprou, por R$ 113,6 milhões, a fatia do Catarina Fashion Outlet que pertencia à JHSF Malls. Com isso, subiu de 32% para 49,99% a participação do fundo no centro de compras, que fica em São Roque, a 60 quilômetros de São Paulo. E o fundo JS Real Estate adquiriu, da BR Properties, o Edifício Paulista, localizado na Av Paulista, em São Paulo. O negócio foi fechado por R$ 405 milhões. No ano, as ações da JHSF sobem 51,5%, e as da BR Properties, 20,7%.

 

Destaque no pregão

Calor e gripe suína aumentam consumo na Energisa

O consumo de energia elétrica nas concessões do grupo Energisa, em onze Estados brasileiros, aumentou 4,3% em maio em comparação com o mesmo mês de 2018. O grupo é o quinto maior distribuidor de energia do País e atende 7,7 milhões de consumidores. O principal responsável pelo resultado foi o segmento industrial, que cresceu 7,6% puxado pela produção de alimentos. “Esse aumento pode estar atrelado ao impacto da gripe suína na China que demandou maior volume de carnes brasileiras”, diz a Energisa. Destaque também para o segmento residencial. Devido às temperaturas elevadas, a demanda por energia subiu 5,1%, registrando avanços em nove das onze distribuidoras. As maiores altas foram em Minas Gerais (12,4%), Sergipe (12,3%) e Paraíba (10,3%). As ações da Energisa sobem 21,4% no ano.

Palavra do analista:
Os analistas da Guide avaliaram os números como marginalmente positivos. “Seguimos otimistas com a companhia”, escrevem os especialistas da corretora, que acreditam na capacidade da diretoria do grupo Energisa de reverter o quadro de algumas distribuidoras deficitárias adquiridas recentemente da Eletrobras.

 

Bancos

Fitch eleva rating do BTG Pactual

A Fitch Ratings elevou o rating nacional de longo prazo do BTG Pactual de AA-(bra) para AA(bra). Segundo a agência de classificação de risco, a elevação reflete a estabilização do perfil financeiro do banco, presidido por Roberto Sallouti, que passou a ter níveis de liquidez, capitalização e rentabilidade bons na comparação com seus pares locais. A Fitch observou uma melhora no perfil de captação do BTG Pactual, decorrente da evolução da estrutura da área, principalmente com a utilização de novos canais, como a plataforma digital. A melhora do rating também reflete um aprimoramento da visibilidade da estrutura organizacional do grupo e a contínua consolidação do modelo de negócios, atualmente mais em linha com entidades classificadas na categoria de rating AA(bra). As ações do BTG Pactual sobem 115,6% no ano.

 

 

Mercado em números

PETROBRAS
R$ 7,3 bilhões – Será o volume a ser movimentado com a venda de 241,34 milhões de ações ordinárias da petroleira detidas até então pela Caixa, após a precificação estabelecer o preço em R$ 30,25 por ação

BRASKEM
R$ 3,7 bilhões – Foi o montante que o Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas bloqueou para garantir eventuais indenizações à população afetada pela extração de sal-gema próximo à capital alagoana

SÃO MARTINHO
R$ 85,6 milhões – Foi o lucro líquido da produtora de etanol no quarto trimestre da safra 2018/2019, o que correspondeu a uma queda de 44,2% na comparação anual

SER EDUCACIONAL
R$ 24,9 milhões – É o quanto a empresa, focada no ensino superior, vai receber da Ocktus Participações com a venda da aeronave Phenom 300 pertencente a ela

BRADESCO
15 milhões – É a participação que a gestora Atmos Capital Gestão de Recursos atingiu no Banco Inter, passando a deter cerca de 4,7 milhões de ações preferenciais

 

Número da semana

0,06%

Foi a inflação de junho, medida pelo IPCA-15, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira 25. A inflação de junho desacelerou-se em relação aos 0,35% registrados em maio, e é o menor resultado desde 2006, quando o IPCA-15 de junho havia registrado uma deflação de 0,15%. O índice acumulado em 12 meses caiu para 3,84%, ante os 4,93% nos 12 meses até maio, e ficou abaixo dos 4,25% do centro da meta de inflação para 2019. Dos nove grupos que compõe o índice, seis desaceleraram em relação a maio. Os preços do grupo Alimentos registraram uma deflação de 0,64%, após ter ficado estável no mês anterior. E os do grupo Transportes subiram 0,25%, após terem avançado 0,65% em maio. No caso do grupo Vestuário, a alta foi de apenas 0,09%, ante os 0,38% de maio.

 

 

Entrevista da semana

“O governo se perde em coisas muito pequenas”

Bernardo Parnes, sócio fundador da Investment One Partners

O governo Bolsonaro precisa começar a entregar resultados para disputar o concorrido capital estrangeiro com outros países. Quem diz isso é Bernardo Parnes, um dos mais experientes executivos em atividade no mercado brasileiro. Com uma carreira de mais de 30 anos, ele já chefiou o Merrill Lynch no Brasil e o Deutsche Bank na América Latina. Também esteve à frente da JSI Investimentos, family office de Joseph Safra, e estruturou o Bradesco BBI.

Qual sua avaliação sobre o cenário atual?
Existe uma liquidez muito grande no mundo e a potencial queda dos juros, sinalizada tanto no exterior quanto no Brasil, deve valorizar ativos reais, já que a renda fixa não fica tão atraente.

O que o Brasil precisa fazer para atrair parte desse fluxo?
Uma reforma da previdência a níveis mínimos, na faixa dos R$ 800 bilhões, que faça o investidor começar a ver boas perspectivas. Reformas micro também são importantes. Além disso, o governo precisa mostrar unidade e estratégia, porque apesar das intenções serem muito boas e o time ser excepcional, ele se perde em coisas muito pequenas.

Qual o sentimento do investidor estrangeiro em relação ao Brasil?
O interesse existe, mas desde que haja uma reforma minimamente decente e um norte para o País. O estrangeiro pode colocar o dinheiro em qualquer ativo no mundo, então a competição é muito grande. O Brasil é bastante atraente, mas precisa fazer a lição de casa.

Isso tem retardado o fluxo estrangeiro para a bolsa?
Exato. Grande parte do dinheiro que entrou na bolsa, que fez o Índice Bovespa bater os 100 mil pontos, é de investidores locais. Isso é bom, mas não o suficiente. Não podemos comparar a liquidez local com a global. Ainda assim, tem muita gente com a mão no gatilho, esperando uma visibilidade melhor para fazer negócio.