Dinheiro em Ação

Vale define indenização a famílias das vítimas de Brumadinho

Vale define indenização a famílias das vítimas de Brumadinho

Papéis avulsos

A Vale assinou, na segunda-feira 15, um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) que estabelece as condições para indenizar os familiares dos trabalhadores mortos no rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro. Segundo o acordo, cônjuges, pais ou filhos dos funcionários vão receber individualmente R$ 700 mil, sendo R$ 500 mil por dano moral e R$ 200 mil a título de seguro adicional por acidente de trabalho. Irmãos vão receber R$ 150 mil por dano moral. Para reparar o dano material, ou seja, restaurar a renda mensal das famílias de trabalhadores falecidos, o dependente do falecido receberá pensão mensal vitalícia até a idade de 75 anos, a expectativa de vida do brasileiro segundo o IBGE. O acordo fixa indenização mínima de R$ 800 mil, ainda que a renda mensal acumulada do falecido seja inferior a esse valor. Para o pagamento antecipado da indenização, em única parcela, haverá deságio de 6% ao ano. O acordo prevê estabilidade no emprego de três anos para os empregados da Vale e terceirizados lotados na Mina de Córrego do Feijão na data do desastre.

 

Quem vem lá

Hapvida e Movida vão ao mercado

Aproveitando o apetite elevado dos investidores, Hapvida e Movida preparam novas ofertas de ações. A empresa de saúde vai oferecer 46,44 milhões de ações. Pelo fechamento de terça-feira, 16, a oferta pode movimentar R$ 1,9 bilhão. Se houver demanda pelos lotes suplementares, a operação pode chegar aos R$ 2,6 bilhões. Já a locadora de veículos pretende captar cerca de R$ 1 bilhão com uma distribuição pública primária de 35,5 milhões de novas ações, além de uma secundária de 13 milhões de ações. As ações da Hapvida sobem 35% no ano, e as da Movida, 104%.

 

Touro x Urso

Após fechar o pregão de quarta-feira 10 na maior pontuação da história, aos 105,8 mil pontos, o Ibovespa não teve forças para seguir adiante. Uma semana depois, o principal índice da bolsa brasileira oscilava próximo aos 104 mil pontos. A aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara não foi o suficiente para animar os investidores, que aparentemente já haviam colocado a medida no preço dos ativos.

 

Mercados

BTG Pactual e NotreDame no Ibovespa

As ações do banco BTG Pactual e da operadora de planos de saúde NotreDame Intermédica devem entrar na composição do Ibovespa, na próxima reformulação prevista para 1° de agosto, segundo cálculos dos especialistas do banco. Para fazer parte do benchmark as ações precisam estar entre as mais negociadas da bolsa. Com o BTG Pactual, que deve entrar no índice com uma participação de 0,64%, o setor bancário vai aumentar sua presença dominante de 28,82% para 29,14%. As ações do banco sobem 155% no ano, e as da Notre Dame, 43,4%.

 

Destaque no pregão

A solidez das construtoras

O segundo trimestre de 2019 mostrou forte retomada do mercado imobiliário. O maior destaque foi a Cyrela, que lançou 21 empreendimentos, com um potencial de vendas de R$ 2,08 bilhões, 112,5% maior na comparação com o mesmo período de 2018. Já as vendas alcançaram R$ 1,9 bilhão, um aumento de 79,4%. Na Eztec, as vendas no período alcançaram R$ 372 milhões, três vezes superior aos R$ 80 milhões do mesmo período de 2018. Foi o melhor trimestre de vendas da Eztec desde 2011. Os lançamentos somaram R$ 707 milhões de janeiro a junho e já estão bem próximos dos R$ 753 milhões registrados pela empresa em todo 2018. A MRV também teve um segundo trimestre positivo, mas em ritmo mais modesto. As vendas cresceram 2,7% para R$ 1,3 bilhão. Os lançamentos, 5,8%, para 1,8 bilhão. Na Even, as vendas cresceram 49,5% para R$ 492 milhões, mas os lançamentos recuaram 39,6% para R$ 155 milhões. As ações da Cyrela sobem 48% no ano e as da Eztec avançam 44,1%. As da MRV valorizam 61,6% e as da Even, 55%.

Palavra do analista:
Os dados operacionais mostraram uma recuperação acelerada, escreveram em relatório os analistas da Guide, que consideraram os números positivos. “O maior número de lançamentos segue contribuindo para as maiores vendas no período”, dizem os especialistas, que destacam também a queda nos distratos.

 

Bancos

RI do Bradesco premiada

Investidores e analistas escolheram a área de Relações com Investidores do Bradesco como a melhor da América Latina no setor bancário. A pesquisa é realizada anualmente pela revista Institutional Investor, uma referência de grandes investidores institucionais globais. Segundo o diretor executivo e de Relações com Investidores (RI) do Bradesco, Leandro Miranda, trata-se de um reconhecimento que atesta o nível de satisfação de investidores e analistas com as informações prestadas. “Nosso objetivo é a veracidade, completude e transparência”, diz Miranda. “Queremos ser uma ponte sólida com o universo de investidores que nos acompanham”. O Bradesco realiza 400 eventos por ano, incluindo conferências, reuniões com analistas e teleconferências, com a participação de mais de dois mil investidores e analistas. E o interesse cresce na medida em que a ação ocupa posição de liderança na Bolsa. A ação do Bradesco sobe 18,3% no ano.

 

 

Mercado em números

B3
R$ 6,12 bilhões – Foi o quanto movimentou o exercício de contratos de opções sobre ações no segmento Bovespa na segunda-feira 15. Foram R$ 5,2 bilhões em opções de compra, e R$ 895,1 milhões em opções de venda

RENOVA ENERGIA
R$ 988 milhões – É o empréstimo da companhia junto ao BNDES para a execução de obras do complexo Eólico Alto Sertão III, que venceria na segunda-feira 15 e foi prorrogado por 30 dias

LOCALIZA
R$ 300 milhões – É o montante que a empresa de aluguel de carros vai emitir em debêntures, com vencimento em julho de 2025 e remuneração de 109% do CDI

TRIUNFO
67,1 milhões – Foi o tráfego de veículos nas rodovias sob concessão da empresa, o que correspondeu a um pequeno incremento de 0,1% na comparação com o mesmo período de 2018

ALPARGATAS
US$ 14,4 milhões – É o montante que a empresa vai receber com a venda de suas operações no segmento têxtil na Argentina

 

Número da semana

13 mil

Foi o número de postos de trabalho fechados pela indústria paulista no mês de junho, informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na quarta-feira 17. Isso representou uma queda de 0,61% no índice de emprego da Fiesp. Dos 22 setores industriais monitorados, 17 demitiram, quatro contrataram e um permaneceu estável. A maior queda ocorreu no setor de veículos, com a demissão de 2.260 trabalhadores, seguida por alimentos, com corte de 2.074 vagas, e confecção, com redução de 1.305. Apesar das demissões em junho, o setor conseguiu encerrar o primeiro semestre do ano com um aumento de 2.500 vagas. Ainda assim, segundo José Ricardo Roriz, vice-presidente da Fiesp, a criação de empregos no primeiro semestre ficou abaixo das expectativas. A Federação não descarta a hipótese de 2019 se tornar outro ano com mais fechamentos do que aberturas.

 

 

Entrevista da semana

“Vejo o Ibovespa em dezembro nos 110 mil pontos”

Rafael Weber, sócio da RJI Gestão e Investimentos

Combine uma bolsa batendo recordes com uma expectativa para o crescimento da economia em queda há 20 semanas seguidas e você terá uma ideia de como tem sido difícil para os gestores de fundos encontrar ações promissoras. É preciso aumentar a seletividade para encontrar empresas que ainda possam representar boas oportunidades, diz Rafael Weber, sócio da RJI Gestão.

Quais setores da bolsa o atraem?
A construção civil, que tem conseguido uma boa recuperação diante do patamar dos juros. Embora a Selic ainda não tenha caído, já houve uma redução importante das taxas no mercado de juros futuros. E muitas construtoras, que tem dívidas atreladas à taxa, se beneficiam desse movimento.

Algum outro setor no radar?
Com a economia crescendo em ritmo fraco, temos olhado para empresas de varejo que focam em um público de menor renda, como Riachuelo, Magazine Luiza e Lojas Renner.

Quais papéis você não recomenda?
Temos olhado com cuidado para as ações do setor financeiro diante do aumento da concorrência provocado pelos bancos digitais. Temos notado certa resistência dos investidores pelos papéis do setor por conta disso. Basta ver o desempenho do Itaú, que sobe menos da metade do Ibovespa no ano.

Qual sua expectativa para o Ibovespa até dezembro?
Não acredito que o índice vá chegar aos 120 mil pontos, como algumas casas projetam. Vejo o Ibovespa em dezembro nos 110 mil pontos. É preciso cautela com alguns papéis com peso importante, como Petrobras e Vale, que sofrem a influência do ambiente externo. Talvez eles não tenham força para engatar uma alta tão forte.