Por Rajendra Jadhav

MUMBAI (Reuters) – Usinas indianas estão planejando produzir açúcar bruto já no início do novo ano comercial, a partir de 1º de outubro, à medida que um rali nos preços internacionais para máximas de quatro anos impulsiona a demanda por exportações da commodity, disseram à Reuters seis membros do setor.

As usinas da Índia tradicionalmente produzem açúcar branco para consumo local e pequenos volumes de açúcar bruto para exportações.

No entanto, o possível aperto de ofertas nos mercados globais no trimestre de dezembro, após registros de seca e geadas terem afetado a safra de cana do Brasil, levou usinas indianas a planejar a produção de açúcar bruto para vendas externas.

“Estamos planejando começar a temporada com açúcar bruto, já que é mais fácil exportá-lo do que o açúcar branco. Os preços também estão atraentes, e é provável que continuem firmes”, disse B.B. Thombare, presidente da West Indian Sugar Mills Association.

As exportações da Índia podem limitar os ganhos nos preços internacionais do açúcar e ajudar a ampliar as ofertas na Ásia, já que o Brasil –maior exportador de açúcar do mundo– deve colher uma safra menor do que a do ano passado.

As usinas já contrataram exportações de cerca de 725 mil toneladas de açúcar bruto e 75 mil toneladas de açúcar branco para embarques entre novembro e janeiro, segundo operadores.

Ainda assim, embora muitas usinas do Estado de Maharashtra tenham decidido produzir açúcar bruto para exportação, elas não têm vendido com antecedência por expectativas de que os preços externos possam subir ainda mais, disse um operador de uma trading internacional em Mumbai.

“As usinas querem vender em base ‘spot’, em vez de assinar contratos com antecipação”, afirmou.

Segundo o presidente da All India Sugar Trade Association (AISTA, na sigla em inglês), Praful Vithalani, exportadores estão dispostos a comprar açúcar bruto das usinas por cerca de 32 mil rupias (431 dólares) por toneladas, mas os produtores ainda não estão prontos para vender.

A Índia pode exportar pelo menos 6 milhões de toneladas de açúcar em 2021/22, ante 7,1 milhões de toneladas no atual ano comercial, disse Vithalani.

A forte demanda externa também deu impulso aos preços locais do açúcar, que avançaram em 10% desde meados de julho e atingiram o maior nível em quase quatro anos.

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