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A união das cervejarias

Reformulada, Abracerva trabalha para fortalecer o setor com educação, cultura e profissionalização e busca apoio das grandes fabricantes.

Crédito: Istock

Mesa de bar, cerveja, união de amigos. Uma cena típica de qualquer cidade do Brasil. Agora, quem está no momento de sentar-se à mesa, conversar e celebrar a união são os produtores da bebida fermentada, paixão nacional. “Estamos um busca da união das cervejarias”, firmou Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), que reúne as fabricantes, cervejarias ciganas, sommeliers, fornecedores, pontos de venda e apoiadores do setor.

Proprietário da Cervejaria Tarantino, Giba, como é conhecido, assumiu a entidade em janeiro, depois de um momento conturbado da instituição, com discordâncias internas e sucessivas trocas de comando. Sua missão é “educar clientes e fornecedores e profissionalizar a associação”, que desde que foi fundada, em 2013, atua com voluntários e recursos obtidos de taxas de seus 800 associados. “Queremos implementar uma governança sólida, com transparência, e entregar mais ao setor, para que possamos nos fortalecer.”

O exemplo a ser seguido vem dos Estados Unidos, com a Brewers Association, uma das principais representantes do setor. Tarantino tem relação com a entidade americana há mais de 20 anos, quando ainda trabalhava como importador de cerveja – foi o pioneiro a trazer ao País as americanas IPA. Acompanhou feiras, congressos, cursos e muitas outras atividades promovidas pela Brewers para as 10 mil cervejarias artesanais americanas, que movimentaram US$ 26,8 bilhões dos US$ 100 bilhões do mercado total de cervejas no ano passado. “Troco muitas informações com o pessoal de lá. É um modelo a ser seguido, com algumas adaptações à nossa realidade”, disse Tarantino. No Brasil, são 1.383 pequenas fabricantes, segundo o dado mais recente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), de 2020. Em 2015 eram 332. Em 2019, o mercado cervejeiro nacional movimentou R$ 77 bilhões. As artesanais representaram 2% desse montante, segundo estimativa da Abracerva.

Luis Ushirobira

“Juntos temos mais força para reivindicar demandas sobre legislação e tributação, por exemplo” Giba Tarantino, presidente da Abracerva.

O desafio é ajudar, mesmo sem muitos recursos financeiros, no desenvolvimento e aperfeiçoamento do setor que vem crescendo ano a ano. Para isso, tem procurado auxílio no que, a princípio, poderia ser um inimigo e predador das artesanais: as grandes indústrias cervejeiras. “Temos tendo boa recepção e vejo boa vontade. Eles precisam da gente e a gente precisa deles”, afirmou Tarantino. “Juntos temos mais força para reivindicar demandas sobre legislação e tributação, por exemplo.”

Essa aproximação já rende frutos. A Abracerva firmou parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindcerv), que tem as gigantes Ambev e Heineken, para realizar o congresso Cerveja é Gastronomia, na quinta-feira (30), na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. “Vamos realizar cada vez mais eventos”, disse Tarantino. Pela união do setor, cheers!