As Melhores da Dinheiro 2019

Uma potência do campo

A companhia gaúcha encontrou a fórmula certa para expandir suas fronteiras e se consolidar como uma das maiores do agronegócio brasileiro. Em 2018, o crescimento foi de 13% em relação ao ano anterior

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Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola: “A SLC tem como meta impactar positivamente as gerações futuras, criando pessoas que possam ser líderes mundiais na eficiência agrícola” (Crédito: iStock)

Dá para imaginar o que é coordenar uma tarefa de plantio ou de colheita agrícola numa área de 457,5 mil hectares? Como pouca gente consegue visualizar a área expressa na medida mais utilizada do agronegócio no mundo, aqui vai uma comparaçnao. Os hectares acima citados representam um território no qual caberiam nada menos que 24,5 mil estádios do Maracanã, cobrindo 10,5% do Estado do Rio de Janeiro. A coordenadora dessa área plantada — principalmente com soja, algodão e milho — é a gaúcha SLC Agrícola, com sede na capital Porto Alegre.

Na safra 2017/2018, que compôs o resultado da empresa no ano passado, a colheita foi muito boa. A safra de soja foi de 842,5 mil toneladas e a de algodão, 169,7 mil toneladas. Na comparação entre a temporada 2016/2017, o crescimento foi respectivamente de 12,9% e 6,4%. “Os resultados foram bons porque a companhia soube bem onde plantar”, afirma o engenheiro agrônomo Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola. “O fator climático é desafiador, pode garantir anos de boa colheita e outros de safra não tão boa. Nossa estratégia é mitigar o risco climático através da diversificação geográfica”. Atualmente, a empresa coordena o plantio em 16 fazendas em 6 Estados (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Piauí e Bahia).

Aurélio Pavinato / Empresa: SLC Agrícola / Cargo: diretor-presidente / Principal realização da gestão: investimentos na eficiência para melhorar o resultado e crescer com o processo de digitalização da agricultura (Crédito:Divulgação)

A estratégia deu certo até nas finanças. Em 2018, o faturamento da SLC foi de R$ 2,1 bilhões, 13% a mais em relação a 2017. Já os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 668 milhões, 17,6% maior sobre o ano anterior. E, pela primeira vez, o lucro líquido rompeu a barreira dos R$ 400 milhões, fechando em R$ 405 milhões em 2018. “O foco e investimentos na eficiência da operação ajudam a melhorar o resultado da empresa”, diz Pavinato. “A perspectiva é crescer ainda mais com o processo de digitalização da agricultura.” Por esse feito, a SLC Agrícola é bicampeã no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO 2019, na categoria Agronegócio.

Fundada há 42 anos, a SLC vem refinando sua gestão. Desde 2007, possui capital aberto com ações listadas na B3. Na gestão de suas terras, a empresa também vem evoluindo. Desde a safra 2006/2007, ela diversifica suas áreas entre terras próprias e arrendadas. Naquela época, a companhia cultivou 118 mil hectares, sendo 91,5% de áreas próprias. De sua área atual, 48,5% são próprias e os 51,5% restantes são de terras arrendadas ou cultivadas em parcerias com outras empresas agrícolas. Outro fator que também consolida a estratégia da companhia está num trabalho sólido com sua equipe de trabalhadores. Com políticas de valorização, como treinamentos e planos de carreira, a empresa saiu de uma taxa de saída de funcionários de 40%, há cerca de cinco anos, para 15%, no ano passado. A SLC encerrou 2018 com 2.688 funcionários diretos e 823 indiretos. “Criamos um ambiente adequado de trabalho e com perspectiva de crescimento, aliado também a um projeto com significado”, diz Pavinato. “A SLC tem como meta impactar positivamente as gerações futuras, criando pessoas que possam ser líderes mundiais na eficiência agrícola.”

A empresa está no rumo certo e faz isso aliando o equilíbrio ambiental com a preservação de matas e a gestão de resíduos químicos e de recursos naturais. Para o engenheiro de alimentos Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), com sede na capital paulista, essa imagem precisa mudar. “Os temas mais deliberados nos últimos meses em nosso segmento foram: desmatamento, acordo entre a União Europeia e o Mercosul, e a liberação dos agroquímicos”, disse Brito, no início de agosto deste ano, durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido em São Paulo pela Abag.

“As informações divulgadas não refletem, necessariamente, a realidade do nosso setor, o que faz com que haja uma percepção negativa acerca do trabalho realizado por toda a cadeia produtiva.” Exemplos como a SLC Agrícola mostram que o setor agrícola deixou há muito tempo esse estigma para uma gestão cada vez profissionalidade e antenada com as mais avançadas tecnologias. Não é à toa que no ano passado, o agronegócio totalizou um PIB de R$ 1,44 trilhão, 21,1% de toda a economia brasileira.