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Uma maçã cara

Apple lança iPhone que ultrapassa a barreira de US$ 1 mil. Mas os consumidores não parecem preocupados com isso

Crédito: David Paul Morris/Bloomberg via Getty Images

Mais do mesmo: novos iPhones chegam ao mercado com poucos recursos inovadores e preços altos (Crédito: David Paul Morris/Bloomberg via Getty Images)

Nos últimos anos, a Apple parece ter se destacado mais pelo preço cobrado em seus produtos do que pelas inovações tecnológicas que eles apresentam. Mais um exemplo disso foi dado na quarta-feira 12, com o lançamento dos celulares iPhone XS, XR e XS Max (pronuncia-se “iPhone dez”). Enquanto os dois primeiros modelos custam US$ 999 e US$ 749, respectivamente, o XS Max, uma versão jumbo do iPhone, chega às lojas dos EUA a partir de US$ 1.099. É a primeira vez que um smartphone de uma grande fabricante terá seu preço inicial formado por quatro dígitos. “A Apple quebra as regras no que se refere a preços”, afirmou Geoff Blaber, analista da empresa de pesquisa e análise CCS Insight, ao jornal inglês Financial Times.

O aumento de preços do iPhone acontece em um momento em que a Apple está vendendo menos aparelhos. No último trimestre de 2017, foram 77,3 milhões de smartphones, quase 1 milhão a menos do que no mesmo período de 2016. Pior: os consumidores estão levando mais tempo para trocar os seus celulares. Nos últimos três anos, o tempo médio para comprar um novo iPhone era de 2,4 anos. Agora, está em 3,5 anos. Nada disso, no entanto, abalou a Apple, que chegou a ultrapassar a barreira de US$ 1 trilhão em valor de mercado no começo de agosto deste ano. Mesmo vendendo menos, o faturamento com a venda dos aparelhos chegou a US$ 61,5 bilhões no período, alta de 13%. Isso ajudou a empresa a registrar lucro recorde de US$ 20 bilhões no último trimestre do ano passado, alta de 12%. “Entendemos que existe uma ampla gama de preços que as pessoas vão pagar”, disse Tim Cook, CEO da Apple, em entrevista ao jornal japonês Nikkei.

Por ter um público fiel, a Apple parece que não perdeu o apoio de seus clientes. “Lá fora, o consumidor está comprando produtos cada vez melhores e mais caros. Isso aumenta o faturamento dessas companhias”, diz Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data. A tendência de preços altos para os smartphones não se restringe a Apple. O mais recente aparelho da rival Samsung, o Galaxy Note 9, chegou às lojas por US$ 999. Para os brasileiros, a situação é mais desanimadora. “O iPhone XS Max vai custar mais de US$ 8 mil por aqui”, diz Rodrigues. Faz sentido. No ano passado, o iPhone X chegou ao País custando R$ 6.999. Na conversão da época para o dólar, o valor girava em torno de US$ 1.926 – quase o dobro do ofertado nos EUA. Maçã barata, só na feira.