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Uma joia lapidada em Mendoza

O premiado enólogo americano Paul Hobbs lança o seu tinto premium e inaugura uma nova categoria de preços para os vinhos argentinos

Em sua primeira safra, ele conquistou 99 pontos, em uma escala de 100, do crítico James Suckling, um dos mais importantes do mundo do vinho, que fez carreira na revista Wine Spectator antes de se lançar em voo solo. O aclamado crítico Robert Parker, por sua vez, concedeu 95 pontos ao tinto, também em uma escala de 100 pontos. Não, não estamos falando de nenhum grande Château de Bordeux. O vinho em questão é o Cobos Malbec Chañares 2014, um novo malbec argentino, uma joia lapidada em Mendoza pelo enólogo americano Paul Hobbs. O vinho, importado pela Grand Cru, será apresentado no Brasil nesta semana e vendido por exatos R$ 2.349.

A novidade que chega ao mercado cheio de predicados, como um vinho muito elegante, de aromas complexos de frutas negras e notas terrosas, com grande intensidade no paladar e taninos sedosos. “É um vinho que reflete a expressão do nosso vinhedo Chañares combinado com a paixão inesgotável de buscar os novos solos”, conta Hobbs, com exclusividade à DINHEIRO. O tinto, com produção limitada a apenas 2.160 garrafas, inaugura um novo patamar de preços para os rótulos argentinos. Até então, o vinho mais caro do país do tango era o Adrianna Mundus Bacillus Terrae, da vinícola Catena Zapata, comercializado por R$ 2 mil, pela Mistral.

Na mesma linha premium da Cobos, Paul Hobbs e seus sócios argentinos no projeto elaboram o Volturno, um corte de malbec e cabernet sauvignon, comercializado por R$ 1.799. Outros argentinos ícones como o Canal Uco, da Zuccardi, é vendido por R$ 1.158, na Ravin. “Esse novo Cobos é um objeto do desejo, para quem quer comprar um rótulo exclusivo”, define Arthur Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers – São Paulo (ABS-SP). “É um misto de vinho de muita qualidade com o marketing e o nome do Paul Hobbs”, acrescenta Diego Arrebola, eleito o melhor sommelier do Brasil em 2016.

R$ 2.349: é o preço do Cobos Malbec Chañares 2014, importado pela Grand Cru

Se o preço chama a atenção, ele também reflete o trabalho dos enólogos do país vizinho em buscar, para seus brancos e tintos, os melhores terroirs, palavra francesa sem tradução para o wportuguês que engloba o conjunto de clima, solo e variedade plantada. “O caminho atual da Argentina é de identificação dos seus melhores terroirs, de vinhedos únicos, focados na malbec, mas também em outras variedades”, afirma Arrebola. Localizado a 1.184 metros de altura do nível do mar, em Tunuyán, ao sul de Mendoza, rumo à Cordilheira dos Andes, a vinha Chañares tem uma área de 17,3 hectares, cultivada com malbec, cabernet franc e cabernet sauvignon, em solos aluviais, pobres e pedregosos (leia-se, com boa drenagem, ideal para vinhos de qualidade). As uvas para o Cobos vêm das melhores parcelas desse vinhedo, batizado com o nome da árvore típica dos Andes, a chañar, que rodeia as vinhas.

Hobbs diz não procurar os vinhedos em alturas extremas, ao contrário da maioria dos enólogos na Argentina, preferindo uvas plantadas entre 900 metros e 1,2 mil metros do nível do mar para os seus rótulos ícones. “Nossa busca está focada em vinhedos equilibrados e balanceados, não apenas de altura, mas que respeita o solo e o micro-clima particular”, afirma ele. A vinícola Catena Zapata, responsável, aliás, por trazer Paul Hobbs para a Argentina, no final da década de 1980, cultiva vinhas a até quase 1,5 mil metros do nível do mar. Sebástian Zuccardi, da bodega que leva seu sobrenome, destaca o frescor dos vinhos que vêm de seu vinhedo em San Carlos, a 1,4 mil metros de altitude, para citar apenas dois exemplos.

Hobbs, também, não desistiu de elaborar um cabernet sauvignon premium em solos sul-americanos. Desde que chegou na Argentina, ele acredita que o país tem vocação para essa uva, sem abandonar a malbec como sua variedade emblemática. “Somos um dos três melhores lugares do mundo para o cultivo do cabernet, junto com Bordeaux (na França) e Napa Valley (nos Estados Unidos)”, afirma ele. É de se esperar que Hobbs, um consultor com a experiência de quem produz seus próprios vinhos em mais de 30 projetos pelo mundo, seja na Califórnia à Armênia, entregue um grande cabernet sauvignon argentino. Só fica a pergunta: a que preço?