Edição nº 1095 09.11 Ver ediçõs anteriores

Uma China menos cinzenta

Uma China menos cinzenta

Por um ar melhor: um homem usando máscara em dia com alta concentração de poluição em Pequim

Nos últimos anos, enquanto o presidente americano Donald Trump afastava o seu país dos acordos internacionais e relativizava os problemas levantados por cientistas em relação ao meio ambiente, o governo chinês deu demonstrações de preocupaçao com os impactos perversos causados pelo homem. Essa postura pode estar dando resultado antes do esperado. Um novo estudo, feito por pesquisadores da China, do Reino Unido e dos EUA, indica que o país asiático, um grande poluidor global, já pode ter atingido o seu pico de emissões de dióxido de carbono. Trata-se de uma boa notícia para o planeta.

A China havia se comprometido, com o Acordo de Paris, a atingir o ponto máximo de suas emissões por volta do ano 2030. Mas a pesquisa, divulgada na segunda-feira 2, pela publicação Nature Geoscience, mostra que o país emitiu 9,53 gigatoneladas (milhões de toneladas) em 2013, volume que caiu pelos três anos seguintes, para 9,2 gigatoneladas em 2016. Isso indicaria uma mudança estrutural em 2014, já que de 2000 até 2013 a quantidade de emissões crescia em média 9,3% por ano. A causa da mudança seria uma guinada da economia para setores mais tecnológicos e menos intensivos na queima de carbono.

Os dados, no entanto, podem levar a críticas de que as metas estabelecidas ao país teriam sido pouco ambiciosas, um questionamento recorrente de Trump sobre o Acordo de Paris, que ele alega pesar mais sobre os EUA do que aos países em desenvolvimento. Há também dados preliminares que trazem um motivo de preocupação. A ONG Greenpeace estima que as emissões voltaram a crescer em 2017, em torno de 2%, e teriam subido mais no primeiro trimestre deste ano, em 4%.


(Nota publicada na Edição 1077 da Revista Dinheiro)


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