Estilo

Um palácio com asas

Com um interior que em nada lembra um avião, Boeing 747-8 adaptado para servir como fortaleza voadora a pedido de um bilionário do Oriente Médio eleva o conceito de superjato a um patamar inédito — e o modelo se torna objeto de desejo também de Donald Trump.

Crédito: André Klotz

Misture tecnologia e luxo. Nada supera esse duo. E se eles voam, então… Há grande chance de ser algo imbatível quando um jato parrudo como o Boeing 747-8 é transformado numa fortaleza aérea. A linha, que vai se tornar o novo modelo do Air Force One – aeronave que transporta todo presidente americano –, substituindo os atuais 747-200, foi também escolhida por um bilionário do Oriente Médio para construir seu palácio celeste. Encomendas como essas levam anos entre a confecção do projeto, o tempo de construção e as idas e vindas da decoração. As duas aeronaves encomendadas pela presidência americana serão entregues em dezembro de 2024. Para o cliente árabe, chegou há pouco mais de um ano. Em comum: por dentro, nada lembra um avião.

O projeto americano foi anunciado em julho de 2018 e prevê não apenas produzir as aeronaves, mas especialmente modificá-las. Elas devem ser uma Casa Branca voadora. Algo capaz de prover segurança nos piores cenários, incluindo conflitos nucleares. Isso exige sistemas de comunicação avançados e autodefesa. A dupla de novos Air Force One vai custar US$ 3,9 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) – caso não haja alterações pelo caminho.

Na época da assinatura do contrato, o presidente Donald Trump comemorou. “Será incrível. E vai ser vermelho, azul e branco, o que acho adequado”, disse. Trump pode ter gostado da cor, mas mesmo que seja reeleito no fim do ano não irá utilizá-lo por causa do prazo de entrega. Ele estará fora da Casa Branca quando tudo estiver pronto. Nada que possa aborrecer alguém, já que os dois Air Force One atualmente em operação (747-200) já são projetos únicos.

Cada um tem três níveis internos que somam 1.200 metros quadrados de área útil com sala de conferência, suítes para o presidente e a primeira dama, uma área de escritório para funcionários sêniores, um segundo escritório que pode se converter num centro médico com equipamentos para cirurgia – há sempre um time médico a bordo –, espaço separado para equipes da Força Aérea e até mesmo companhias que Trump despreza: eventuais jornalistas que possam estar acompanhando a viagem.

Além dessas dependências há duas cozinhas com capacidade para até 100 refeições diárias. De acordo com a Casa Branca, os aviões estão equipados com “avançados equipamentos de comunicação permitindo que a aeronave funcione como um centro de comando móvel em caso de ataque aos Estados Unidos”. Por isso trazem sistemas de rádio ar-ar, ar-solo e ar-satélite.

Agora, se você não precisa levar jornalistas ou um time médico a bordo, o cenário melhora. E apesar de existir muitas coisas aos quais o presidente americano pode ter acesso e um ser humano comum não — o Air Force One é uma delas — há raríssimas, no entanto, a que um simples mortal bilionário mortal pode conseguir e o líder da maior potência do mundo não. O Boeing-8 transformado em palácio por um comprador do Oriente Médio é a resposta. O interior do jato parece qualquer coisa, menos o interior de um jato. Nesse caso desenhado pelo renomado escritório de interiores parisiense Alberto Pinto.

Comandado por Linda Pinto desde 2012, ano de morte do irmão e fundador Alberto, ela declarou ironicamente que apesar de já ter feito projetos para jatos executivos não era muito comum receber encomenda do porte de um Boeing 747-8. A primeira dificuldade para transformar uma aeronave numa mansão voadora é atender inúmeros requisitos de segurança (acessórios e tipos de material) exigidos por agências aéreas sem que isso deixe o avião com cara de avião e sim de algo luxuoso. Por isso a Alberto Pinto usou um tom geral claro e luminoso repleto de elementos em couro, incrustações em metal e até mesmo marchetaria em madeiras africanas, como o sicômoro.

Divulgação

SUÍTE SOB O COCKPIT Sobre o desejo de seu cliente, Linda disse que ele deu carta branca. Apenas afirmou que queria algo sem ser ostensivo, coisas luxuosas num contexto de conforto, de simplicidade. “O que para ele e para nós é o verdadeiro luxo.” Quando se tem muito dinheiro é fácil chamar de simplicidade a lista a seguir: suíte principal, suíte de hóspedes, escritório, sala de estar, sala de conferências, áreas discretas para descanso, espaço infantil, salas de TV e leitura. No andar superior há quartos para tripulação e funcionários. A suíte principal fica sob o cockpit do avião, o nariz. Porque ali o silêncio é maior, já que os motores estão lá no fundo. Aqueles primeiras poltronas de primeira classe, que muitas vezes só olhamos na segunda leva do embarque, viraram uma sala. Foi feito para fazer negócios e lazer. Se voar é para os pássaros, voar assim é para gente do Oriente Médio.

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