Economia

Um pacote para ontem

Governo precisa correr em busca de soluções para a economia e isso envolve cuidar de empresas, cuidar dos desassistidos e cuidar do equilíbrio fiscal.

Crédito: Caio Rocha

Todo o dinheiro recebido como auxílio emergencial será controlado pelo app Caixa Tem (Crédito: Caio Rocha)

O governo Jair Bolsonaro precisará agir mais frontalmente para ajudar a estimular a economia brasileira. Com os resultados macroeconômicos apontando que as dificuldades vão continuar no segundo semestre – com juros e inflação em alta e dólar ainda acima de R$ 5,00 – um pacote de socorro para os empresários de todos os portes e ajuda aos trabalhadores se faz ainda mais urgente que em 2020. Irineu Martins, proprietário de duas lanchonetes no centro de São Paulo, resume: “Eu não tinha caixa em 2020 para manter a empresa fechada, imagina em 2021, depois de nove meses sem operar?” A demanda de Irineu não é exclusiva dos pequenos empresários. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) saiu em defesa de um novo pacote, coro que foi acompanhado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e entidades ligadas ao setor de serviço. A pressão conjunta parece ter dado resultado. Paulo Guedes, à frente do Ministério da Economia, planeja anunciar um novo pacote este mês.

Segundo assessores do ministro, os termos do novo pacote envolvem extensão do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEM), um programa de refinanciamento para micro e pequenas empresas e opções de crédito para capital de giro de médias empresas. No caso do BEM, o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, confirmou que o governo estuda pedir ao Congresso um crédito extraordinário para bancar a reedição sem precisar ferir o teto de gastos. Segundo ele, a estimativa de custo para a prorrogação da medida é de cerca de R$ 10 bilhões.

10 bilhões de reais é o custo previsto por Guedes para prorrogar o programa de redução de salários e jornadas

Houve tentativa do governo de mudar as regras do seguro-desemprego (com redução de 10% em cada parcela) para compensar uma nova rodada do programa, mas medida foi barrada pela ala política do próprio governo e criticada por centrais sindicais. O problema é fazer as contas fcharem. “Precisamos fazer tudo dentro do prisma da responsabilidade fiscal”, disse Bianco.

Outras medidas, essas de impacto direto no bolso do brasileiro, também estão sendo estudadas. A antecipação do 13º, por exemplo, foi colocada como possibilidade, mas seria impossível fazer essa manobra sem furar o teto. “Talvez seja possível essa antecipação com apenas os aposentados”, disse uma fonte do ministério. O recomeço do Auxílio Emergencial e a abertura de 460 mil vagas (incluindo trabalhadores temporários) em fevereiro, segundo o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego de fevereiro, ajudam na recomposição de renda do brasileiro. Mas não bastam para reativar a economia.