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UE se reúne na Áustria para abordar polêmica questão migratória

Os ministros do Interior da União Europeia (UE) se reuniram nesta quinta-feira (12) na Áustria para buscar novos projetos que impeçam a chegada de migrantes ao território europeu, uma questão que divide o bloco.

A reunião foi organizada sob a presidência austríaca da UE, que advoga pelas opções radicais no tema migratório.

Reunidos em Innsbruck (sul) de maneira “informal”, os ministros devem detalhar a ideia, ainda vaga, mas muito polêmica, das “plataformas de desembarque” na África para receber os migrantes resgatados no Mediterrâneo, uma possibilidade lançada em uma reunião em junho em Bruxelas.

As chegadas de migrantes reduziram drasticamente desde 2015, mas a questão migratória cria grandes tensões dentro e entre os Estados-membros da UE, com prioridades às vezes contraditórias, apesar do objetivo comum de “reforçar as fronteiras externas”.

A reunião dos 28 foi precedida nesta manhã por um encontro entre o ministro austríaco de extrema direita Herbert Kickl (FPÖ, membro da coalizão no poder com os conservadores), seu homólogo italiano Matteo Salvini, também de extrema direita e artífice do endurecimento de Roma em temas migratórios, e o ministro alemão Horst Seehofer.

Seehofer, chefe do partido bávaro conservador CSU, que desafiou a autoridade da chanceler Angela Merkel sobre a imigração, suspendeu provisoriamente a sua ameaça de negar unilateralmente os migrantes na fronteira austríaca, o que poderia provocar um efeito dominó no Espaço Schengen.

O ministro alemão disse querer que outros países aceitem da devolução de migrantes registrados neles antes de terem ido à Alemanha.

“Estamos em negociação com Grécia, Áustria e Itália”, disse Seehofer nesta quinta-feira à imprensa, assinalando esperar um acordo com Roma antes que julho acabe.

– Fronteiras externas –

Salvini, chefe da Liga (extrema direita) e ministro do Interior, considerou que, antes de qualquer coisa, “queremos que a Europa proteja as suas fronteiras externas. Quando conseguirmos isso, falaremos do resto”.

A Áustria, por sua vez, torna seu o único consenso existente entre os europeus nesse assunto, a necessidade de deter as chegadas de migrantes.

A UE “conseguiu mudar de paradigma no âmbito da migração e do refúgio”, declarou o ministro austríaco Kickl na segunda-feira ante o Parlamento Europeu, em Bruxelas.

“Ao invés de se concentrarem nas cotas de acolhida, hoje coloca-se o foco em uma proteção mais eficaz das fronteiras externas” europeias, acrescentou.

Mas os países europeus estão divididos sobre a viabilidade, legalidade e a definição dessas “plataformas”, que nações como Tunísia e Marrocos se negam a ter em seus territórios.

– ‘Centros controlados’ –

A Áustria também propõe projetos mais radicais. Por exemplo, que no futuro seja praticamente impossível pedir refúgio em território europeu, mas de lugares específicos em outros países.

O governo austríaco propõe criar centros fora da UE, para onde seriam enviados os que não obtivessem refúgio, e os migrantes chamados “econômicos”, quando não for possível devolvê-los aos seus países de origem.

Mas o comissário de Migrações, Dimitris Avramopoulos, respondeu nesta quinta-feira a essas propostas. “Por acaso alguém conhece países foram da Europa, na periferia da Europa, que estariam dispostos a abrigar esses centros? Eu não conheço nenhum”, disse à imprensa.

“Jamais a França aceitará soluções fáceis (…) que consistiriam em organizar deportações na Europa”, havia advertido na segunda-feira o presidente francês, Emmanuel Macron.

Paris quer convencer a Itália a aceitar “centros controlados” em seu território, ou seja, novos espaços de seleção onde separariam os migrantes econômicos dos refugiados.