Economia

UE e Reino Unido têm dificuldade de desbloquear negociação do Brexit

UE e Reino Unido têm dificuldade de desbloquear negociação do Brexit

(Arquivo) O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk - AFP/Arquivos

A União Europeia (UE) e o Reino Unido culparam um ao outro nesta quarta-feira pela estagnação da negociação do Brexit em temas como a fronteira irlandesa e a futura relação comercial.

“As negociações do Brexit entraram na fase decisiva”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para quem “as propostas do Reino Unido têm que ser revistas” em temas como “a questão irlandesa, ou no marco da cooperação econômica”.

Tusk fez esse pedido antes de um jantar informal com mandatários europeus em Salzburgo, na Áustria, nesta quarta-feira (19).

Esses são os dois temas mais sensíveis na negociação da separação, que deve acontecer em março.

A resposta da primeira-ministra britânica, Theresa May, que deve pedir flexibilidade aos seus colegas europeus na complexa questão da Irlanda, segundo uma fonte de seu gabinete, foi rápida.

Para a inquilina de Downing Street, se quiserem concluir a negociação com sucesso, “assim como o Reino Unido modificou sua posição, a UE também terá que modificar a sua”, disse May à imprensa após a sua chegada ao jantar. Assim, nenhuma das partes dá o braço a torcer.

Tanto Londres quanto Bruxelas tentam evitar a reintrodução de uma fronteira clássica entre os dois territórios para proteger o acordo de paz de 1998, mas ainda não encontraram uma solução válida para ambos.

Bruxelas defende a manutenção da Irlanda do Norte na união aduaneira e no mercado único europeu, na ausência de uma solução melhor. Mas Londres teme que isso comprometa a integridade territorial de seu país.

Para a primeira-ministra britânica, sua proposta de criar uma zona de livre-comércio dos dois lados do Canal da Mancha é a “proposta certa” para um “comércio sem atritos” no futuro e para evitar uma “fronteira dura” na Irlanda do Norte.

No entanto, ela entra em conflito com um princípio do mercado único europeu – não há circulação liberada de bens sem a de pessoas, capitais e serviços. A rejeição da presença de trabalhadores europeus no Reino Unido foi um dos catalisadores do Brexit.

Enquanto isso, o tempo corre. Os mandatários esperavam chegar a um acordo final sobre o divórcio e o futuro relacionamento em sua reunião de 18 de outubro em Bruxelas. Agora, porém, consideram convocar uma cúpula extraordinária em “meados de novembro”, segundo Tusk.

O Reino Unido deixa o bloco no fim de março do ano que vem, mas a negociação do Brexit está estagnada nesses dois pontos. Ela deveria ser concluída até o fim de novembro para que os parlamentos europeu e britânico possam ratificar o acordo a tempo.

Embora a UE e o Reino Unido tenham concordado em dezembro passado em criar um “backstop”, ou “rede de segurança”, Londres contesta essa proposta agora.

Os líderes europeus escolheram Salzburgo para tentar chegar a um acordo sobre suas visões sobre a questão de uma política migratória comum.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, cuja proposta de fortalecer as fronteiras ganhou o apoio da chanceler alemã, Angela Merkel, nesta quarta, reiterou que a UE “precisa de solidariedade” e pediu para os países que não aceitam refugiados que colaborem de outras maneiras.