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UE apoia Grécia e Chipre no conflito com a Turquia

UE apoia Grécia e Chipre no conflito com a Turquia

Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, espera chegada do primeiro-ministro croata, no primeiro dia da cúpula em Bruxelas, Bélgica, em 1o de outubro de 2020 - POOL/AFP

Líderes da União Europeia expressaram, nesta quinta-feira (1o), sua solidariedade inequívoca com a Grécia e o Chipre nas crescentes tensões com a Turquia, no primeiro dia de uma cúpula da UE cuja agenda está centrada em como evitar uma escalada militar no Mediterrâneo Oriental.

Essa região do Mediterrâneo tornou-se uma fonte de grande preocupação no último mês, devido ao dramático aumento das tensões entre Turquia, de um lado, e Grécia e Chipre do outro, em um cenário que envolve o envio de forças navais.

O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, disse em Bruxelas que “as provocações da Turquia não podem mais ser toleradas” e que chegou a hora de a UE discutir “com coragem e sinceridade o tipo de relação que deseja ter” com o governo de Ancara.

Ao chegar em Bruxelas para uma cúpula de emergência da UE para tratar esta questão, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse à imprensa que “a solidariedade da Europa com a Grécia e o Chipre é inegociável”.

Em meio ao ambiente de tensão, a chefe de governo da Alemanha, Angela Merkel, disse à imprensa ao chegar à sede da UE que seu país tem “interesse em um diálogo construtivo” com a Turquia.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse que seu país tem um interesse particualr nesta questão “porque compartilhamos o Mediterrâneo com Grécia e Chipre”, e expressou a solidariedade espanhola a esses dois países.

– Opções sobre a mesa –

Em seu convite à cúpula, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, advertiu que “todas as opções permanecem sobre a mesa”, se a Turquia não participar de maneira construtiva dessas discussões.

Nesta quinta-feira, Michel disse que os países europeus queriam “mais previsibilidade, mais estabilidade na região” do Mediterrâneo Oriental.

Em Ancara, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse os parlamentares que “a UE, refém dos pretensiosos governos da Grécia e Chipre, tornou-se uma instituição ineficiente e superficial”.

Simultaneamente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) anunciou que, depois de vários dias de negociações com Turquia e Grécia, finalmente chegaram a um acordo para implementar um mecanismo para evitar incidentes armados no mar e no ar do Mediterrâneo Oriental.

Em uma breve nota oficial, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou que o objetivo do mecanismo é “criar espaço para os esforços diplomáticos sobre a disputa de fundo”.

– Diferenças afetam orçamento –

Além das tensões no Mediterrâneo, os altos funcionários também serão obrigados a discutir o compromisso de vincular o acesso aos fundos da UE à situação do Estado de Direito em um determinado país, uma ideia à qual a Hungria se opõe fortemente e que gera enormes repercusões em outras negociações.

Em uma turbulenta cúpula de quatro dias realizada em julho, os líderes concordaram em autorizar a UE a assumir uma dívida para financiar um gigantesco plano de recuperação de 750 bilhões de euros (cerca de US$ 880 bilhões), apoiado por um orçamento da UE, de longo prazo, de 1 trilhão de euros.

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, advertirá os chefes de governo sobre a oposição dos eurodeputados aos cortes em programas-chave da UE no plano orçamentário e dirá que querem mais 100 bilhões de euros (US$ 118 bilhões).

O Parlamento poderá ainda se negar a aprovar todo pacote. Hungria e Polônia também poderão bloquear o acordo, caso o acesso aos fundos continue condicionado ao respeito dos padrões europeus do Estado de Direito.

A recente retomada dos combates entre Armênia e Azerbaijão pela disputada região de Nagorno Karabakh também influenciará na discussão sobre a Turquia.

Quando o centro de Bruxelas já estava fechado para a chegada dos líderes, a Comissão Europeia anunciou sua decisão de iniciar ações legais contra o Reino Unido, por um projeto de lei que modifica unilateralmente o Acordo de Retirada.

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