Ciência

Twitter se organiza para reduzir o alcance da mídia ‘afiliada a Estados’

Crédito: AFP/Arquivos

(Arquivo) Twitter está seguindo alguns passos do Facebook (Crédito: AFP/Arquivos)

O Twitter anunciou nesta quinta-feira (6) novos passos para conter a divulgação de conteúdo de mídia “afiliada a Estados”, usada para espalhar informações da agenda política do governo.

A rede social americana informou que começará a etiquetar essas contas e que não irá “mais amplificar” suas mensagens por meio do seu sistema de recomendação, uma medida recente para identificar e limitar o compartilhamento das campanhas de influência lideradas por Estados.

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O anúncio do Twitter segue os passos de uma ação similar do Facebook realizada no início deste ano, que rotulou o conteúdo da mídia controlada editorialmente por governos.

A medida divulgada pelo Twitter afeta a mídia “onde um Estado exerce controle sobre o conteúdo editorial por meio de recursos financeiros, pressões políticas diretas ou indiretas e/ou controle sobre sua produção e distribuição”, informou a empresa em comunicado.

“Diferentemente da mídia independente, a mídia afiliada a um Estado costuma usar sua cobertura de notícias como um meio para avançar uma agenda política. Acreditamos que as pessoas têm o direito de saber quando uma conta midiática é afiliada direta ou indiretamente a um Estado”.

O Twitter afirmou que a decisão não afetaria “as organizações de mídia financiadas por Estados que possuam independência editorial”, como por exemplo a BBC e a National Public Radio, com sede nos Estados Unidos.

Para contas que receberem a etiqueta de mídia afiliada a um Estado, o Twitter oferecerá um link direcionado para um artigo explicando a medida e referindo-se a ela como sendo parte da sua “política de transparência”.

As ações do Twitter e do Facebook são motivo de preocupação por causa das campanhas de governo destinadas a influenciar as eleições, além de influenciar públicos em outros países por meio de meios de comunicação que disfarçam suas verdadeiras origens.

Durante as eleições de 2016 nos Estados Unidos, as campanhas de influência lideradas por Estados foram destaque nas mídias sociais, e foram vistas em todo o mundo.

Um relatório recente de pesquisadores da Universidade de Oxford descobriu que as teorias de desinformação e conspiração se espalharam pelos principais meios de comunicação da Rússia e da China, assim como no Irã e na Turquia – todos esses controlados pelos governos ou intimamente ligados aos regimes que estão no poder.

O Twitter também disse que criaria novas etiquetas de autenticidade para “funcionários importantes do governo”, incluindo ministros das Relações Exteriores, entidades institucionais, embaixadores e funcionários autorizados a falar em nome do Estado.

Inicialmente, essas etiquetas serão aplicadas apenas às contas dos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

O Twitter planeja lançar o recurso para outros países no futuro. “Acreditamos que este é um passo importante para que quando as pessoas vejam uma conta discutindo questões geopolíticas de outro país tenham contexto sobre ao que está afiliado nacionalmente e estejam melhor informadas sobre quem representam”, afirmou o comunicado.

“No momento, não estamos etiquetando as contas pessoais dos chefes de estado, pois elas contam com amplo reconhecimento de nomes, atenção da mídia e conhecimento público”.

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