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Turquia culpa UE por ‘SofaGate’ e eurodeputados pedem debate parlamentar

A Turquia se defendeu nesta quinta-feira (8) das acusações por descumprimento de protocolo durante a visita a Ancara da presidente da Comissão Europeia, que ficou sem cadeira e acabou em um sofá, imagem que gerou polêmica.

Os serviços de cerimonial colocaram a presidente da Comissão Europeia em um sofá nesta terça-feira, durante uma reunião de presidentes das instituições da União Europeia com o chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara. Já o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, foi acomodado em uma cadeira ao lado de Erdogan. O caso foi apelidado de “Sofagate”.

Nesta quinta-feira à noite, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, chegou a rotular Erdogan como “ditador” e disse que ficou “incomodado” com a “humilhação que a presidente da Comissão Europeia teve que passar”. Suas declarações foram descritas como “populistas, ofensivas e irracionais” pelo ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, que convocou o embaixador italiano em Ancara.

Antes, em entrevista coletiva, ele havia considerado que “as acusações contra a Turquia são injustas. A Turquia é um Estado profundamente enraizado e não é a primeira vez que recebemos dignitários estrangeiros”. “Os pedidos da UE foram respeitados. Isto significa que as disposições das cadeiras foram feitas de acordo com os seus pedidos”, afirmou.

Em Bruxelas, o caso foi inicialmente discutido como desprezo à única mulher presente à reunião, mas a polêmica rapidamente se tornou uma discussão sobre a ordem hierárquica entre Michel e Von der Leyen e suas aparentes disputas, assim como a imagem de desunião que ambos mostraram.

– Pedidos de audiência –

o eurodeputado Manfred Weber, líder da majoritária bancada conservadora no Parlamento Europeu, pediu uma reunião com os dois líderes, por considerar que a visita “se traduziu em um símbolo de desunião”.

A eurodeputada espanhola Iratxe García, líder do bloco parlamentar socialistas e democratas, pediu a convocação de Michel e Von der Leyen a uma sessão do Parlamento para “explicar o ocorrido e (discutir) como respeitar as instituições europeias”.

Para o ministro francês de Assuntos Europeus, Clément Beaune, as imagens do incidente em Ancara “doem”.

“Embora percebendo a natureza lamentável da situação, optamos por não agravá-la com um incidente público e privilegiar a substância da discussão política”, escreveu Michel. Ele e Von der Leyen organizaram a visita à Turquia como parte dos esforços para reconstruir as relações entre Bruxelas e Ancara, após as graves tensões que ocorreram em 2020.

Dias antes da visita, no entanto, Von der Leyen havia criticado duramente o governo turco por sua retirada da Convenção Internacional contra a Violência contra Mulheres e Crianças. Portanto, inicialmente, o episódio da cadeira foi visto como uma resposta turca a essa postura da funcionária alemã.

O porta-voz de Von der Leyen disse em Bruxelas que insistiu ontem em que a presidente da Comissão decidiu priorizar as questões a serem discutidas com Erdogan, em vez de insistir no tema do sofá. “Essas são questões organizacionais internas”, assinalou Eric Mamer.

A Turquia, membro da Otan, é um aliado-chave da UE, que está pronta para iniciar conversas de alto nível e discutir facilidades de migração, em troca de Ancara moderar sua conduta no Mediterrâneo e cessar “provocações”.

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