Sustentabilidade

“Tudo está perdido” após a passagem do ciclone Amphan em Bangladesh


Escondido debaixo da cama com sua esposa e dois filhos, Shafiqul Islam passou três horas em uma espera torturante, rezando para que sua casa não fosse afetada pela passagem do ciclone Amphan.

Este agricultor, de 40 anos, do distrito costeiro de Satkhira (sudeste de Bangladesh) acreditava que Amphan, o ciclone mais forte na região em 20 anos, passaria longe de sua cidade na quarta-feira.

Consequentemente, não foi se refugiar em um dos milhares de abrigos abertos pelas autoridades do país.

Um “grande erro”, disse a si mesmo quando, escondido dentro de sua casa, tentava sobreviver às rajadas que destruíram seu telhado e quase todos os seus pertences.

No entanto, ele e sua família conseguiram sobreviver.

Aleya Begum e seu marido, depois de enviar seus filhos para um refúgio anticiclone, permaneceram em casa para proteger seus pertences. Mas seus esforços foram em vão.

“Tudo o que construí ao longo das décadas foi destruído em questão de horas. Já vi uma série de ciclones, mas esse foi o pior”, afirma a mulher de 65 anos.

– Lição –

O escritório das Nações Unidas em Bangladesh estima que o ciclone afetou 10 milhões de pessoas e destruiu a casa de 500.000.

Amphan também causou, pelo menos, 88 mortes na Índia e Bangladesh, segundo relatórios oficiais ainda provisórios desta quinta-feira.

Apesar dos consideráveis danos materiais, as perdas humanas parecem ter sido limitadas. Até o momento, os balanços dos ciclones mais violentos na área do Golfo de Bengala chegavam a milhares de mortos.

Em 1970, meio milhão de pessoas morreram no ciclone Bhola. O último ciclone especialmente mortal, Sidr, causou a morte de 3.500 pessoas em Bangladesh em 2007.

No entanto, este país e a Índia aprenderam a lição com os desastres das décadas anteriores e construíram milhares de refúgios para a população. Também estabeleceram políticas de evacuação rápida.

Os sistemas de vigilância meteorológica estão mais sofisticados. Com a proximidade do Amphan, as autoridades evacuaram três milhões de pessoas que habitualmente vivem em áreas de risco.

As rajadas de vento de cerca de 160 km/h e as chuvas torrenciais não eram os únicos perigos. Os ciclones também podem provocar uma onda ciclônica, uma parede de água no mar de às vezes vários metros de altura, que pode ser especialmente devastador quando atinge a costa.

Na aldeia de Purba Durgabati em Bangladesh, centenas de habitantes lutaram a noite toda contra os elementos para tentar consolidar a barragem que os protegia.

Mas o aumento do curso da água, de quatro metros, a pulverizou por quase dois km e inundou 600 casas.