Três milagres de Ste. Michelle, as mãos do tempo e o salto do veado

Três milagres de Ste. Michelle, as mãos do tempo e o salto do veado

Os rótulos produzidos na Costa Oeste dos EUA e à venda pela Grand Cru a preços entre R$ 200 e R$ 520: exemplos do que há de melhor da Califórnia a Washington

Três estados da Costa Oeste dos Estados Unidos produzem excelentes vinhos: Califórnia, Oregon e Washington. Com mais de 75 anos de história, o grupo Ste. Michelle é o único com vinhedos e vinícolas nos três. Em Washington, com o Chateau Ste. Michelle; no Oregon, com a Erath Winery, e na Califórnia, com o lendário Stags’ Leap Wine Cellars. Agora, uma parte daquilo que de melhor se pode esperar dos vinhos norte-americanos está no portfólio da importadora Grand Cru, que já traz para o Brasil os premiados rótulos da Paul Hobbs Winery, também dos EUA.



Na quarta-feira (6), uma degustação on-line apresentou à imprensa especializada quatro dos 11 vinhos que integram o catálogo do grupo Ste. Michelle. A experiência de provar cada um deles comprova que são verdadeiras obras-primas. Cada um a seu modo, todos são elaborados com o que há de mais sofisticado na indústria vitivinícola dos EUA – e com características que combinam o melhor do novo mundo (fruta, potência, tensão) e do velho (elegância, maciez, equilíbrio). Verdadeiros milagres, como convém a quem adotou um nome santo ao entrar no mundo do vinho, mas com um toque de ousadia que se traduz na insólita escolha do nome Stags’ Leap: salto dos veados, animal que aparece em seus rótulos.

Único branco da seleção apresentada, o Eroica Riesling (R$ 317,90) é fruto do trabalho em conjunto com um dos maiores produtores dessa variedade no mundo: Dr Loosen, na Alemanha. A colheita é noturna, a temperaturas baixas, para preservar os aromas cítricos (de lima e tangerina) e a acidez mineral característica da variedade. Peixes, inclusive crus, frutos do mar e queijos leves são o acompanhamento ideal.

Indo para os tintos, o Erath 2018 Pinot Noir (R$ 264,90) sintetiza as qualidades que essa variedade alcança no Oregon, onde se adaptou perfeitamente. Com taninos macios, aporta ao olfato frutas como ameixa, cereja e groselha. Pode escoltar um salmão assado, risoto de funghi ou queijos macios. Bem mais estruturado, o Chateau Ste. Michelle Throwback Cabernet Sauvignon (R$ 200,90) leva 89% da uva indicada no rótulo, com 7% de Syrah e pequenas porções de outras uvas, inoculadas com várias cepas de levedura para maximizar complexidade. A passagem por 18 meses em carvalho americano e francês (apenas 14% de primeiro uso) torna o vinho bastante equilibrado, sem exagero de notas de torrefação, defumado ou tabaco.

Ícone do Napa Valley desde que superou alguns dos premiers crus de Bordeaux no célebre Julgamento de Paris, em 1976, a vinícola Stags’ Leap está entre as melhores da Califórnia, com rótulos que chegam ao Brasil bem acima de R$ 1 mil. Por isso mesmo merece atenção o Hands Of Time Red Blend (R$592,90), com 71% de Cabernet Sauvignon e 29% Merlot. Ele já foi descrito como “um punho de ferro em uma luva de veludo”, expressão que tenta transmitir o balanço perfeito entre a suavidade e a estrutura desse vinho de coloração violácea com aroma de amora e mirtilo pontuado por notas de pimenta. Na boca, seu corpo médio revela um toque de chocolate preto que o torna espetacular para ser degustado sem o acompanhamento de qualquer prato. Se for servido à mesa, pode crescer ainda mais com massas e carnes. Como o nome sugere, as “mãos do tempo” aqui deixam marcas indeléveis.




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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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