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Toque de Midas

Conheça os aplicativos que pretendem fornecer um mapa das melhores alternativas para o seu dinheiro

Toque de Midas

Aos 24 anos, o engenheiro civil paulistano Nicholas Cortonesi dedica boa parte de seu tempo a gerir projetos na startup InfoPrice, que elabora soluções tecnológicas para o varejo. No entanto, o projeto que mais o preocupa no momento é um de longo prazo: planejar a própria aposentadoria. Sem intimidade com o mundo financeiro e adepto da tecnologia, ele vem recorrendo a uma nova geração de aplicativos. Além de apenas distribuir produtos financeiros, esses APPs traçam o perfil do investidor e recomendam as aplicações mais adequadas. São a versão financeira de um GPS, que traça a melhor rota dependendo do objetivo, e periodicamente refaz as contas, para conferir se não surgiu um caminho melhor. Cortonesi tem se servido do Yubb, que permite simular aplicações e escolher a alternativa mais adequada entre 4,5 mil opções de investimentos em bancos e corretoras. “Eu pensava que precisaria ter muito dinheiro, mas logo percebi que poderia começar com R$ 30”, diz ele.

Exemplos como o de Cortonesi devem se multiplicar. “O mercado de distribuição de investimentos ainda tem muitas ineficiências, e essas startups vêm justamente para suprir esses problemas”, diz Guilherme Horn, conselheiro da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs). Em parceria com a consultoria PwC, a associação realizou uma pesquisa com 224 fintechs e descobriu que 18 delas, 8% do total, atuavam com gestão financeira e 14, ou 6%, eram gestoras de investimentos. “O segmento ainda tem muito espaço para crescer no País”, diz Horn. Essa é a aposta de Bernardo Pascowitch, que começou a desenvolver o Yubb em 2014. Hoje, os 200 mil usuários podem escolher entre 4,5 mil investimentos diferentes. “Temos recebido R$ 20 milhões ao mês em dinheiro novo e esperamos encerrar 2019 com um milhão de investidores ativos”, diz Pascowitch. “Da mesma forma que as pessoas procuram passagens aéreas, celulares ou quartos de hotel, nossa plataforma permite que eles encontrem lugares para aplicar melhor o dinheiro.” O aplicativo está disponível para os sistemas iOS e Android.

Bernardo Pascowitch, fundador da plataforma Yubb: “Assim como procuram passagens aéreas, as pessoas estão usando aplicativos para encontrar os melhores investimentos”

SIMPLICIDADE Outro aplicativo que quer guiar o investidor pelo labirinto das finanças é o TradeMap. Lançado pela empresa de soluções tecnológicas Valemobi em novembro de 2018, o aplicativo tem 100 mil usuários ativos e busca desmistificar o mercado para os leigos. “Quando as pessoas têm uma sobra de caixa, elas tendem a investir no que é mais fácil”, diz Nelson Massud, CEO da Valemobi. “Nós criamos o aplicativo para que elas possam encontrar o produto certo.” A plataforma oferece gráficos e informações em tempo real sobre fundos imobiliários, títulos vendidos no Tesouro Direto e fundos de investimento. “O brasileiro está acordando para os investimentos. Hoje, apenas 0,5% da população investe em ações. No Chile, são 4%, e nos EUA, 70%”, afirma Massud.

Recém-lançado, o aplicativo Fliper foi batizado em referência às antigas máquinas de jogos e a um seriado de televisão dos anos 1960. A intenção do economista Renan Georges, um dos idealizadores, é que o produto oriente diretamente as aplicações dos usuários. Para isso, a empresa aguarda autorização da Comissão de Valores Móveis (CVM) para se tornar um consultor de investimentos, conforme a regulamentação da autarquia . “Os usuários terão indicações e sugestões de investimento para o perfil de cada pessoa”, afirma Georges. O Fliper tem sete mil usuários e quer ter 100 mil no fim de 2019. “Com a queda de juros, as pessoas perceberam que é preciso diversificar”, diz. No fim de 2018, a empresa tinha R$ 700 milhões em ativos analisados.

A praticidade de gerir as próprias finanças por meio de alguns toques no celular é tentadora, mas é preciso tomar alguns cuidados. Fábio Gallo, professor de Finanças da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP FGV), afirma que o investidor precisa ter certeza que o sigilo de suas aplicações está garantido. “É preciso haver garantias de que as informações serão usadas na hora certa e no destino certo, e que há consistência das transações na hora de fazer transferências”, diz Gallo. Feito disso, é clicar, investir — e ganhar.