Testardi, o novo ícone do Sertão

Testardi, o novo ícone do Sertão

Testardi Syrah 2018: a teimosia produziu o grande vinho do Nordeste

Ele nasceu às margens do Rio São Francisco. Descende de uma família italiana e por isso foi batizado com o nome  Testardi. Em bom português, teimoso. Foi concebido para provar que o Nordeste brasileiro pode ser o berço de um grande vinho tinto. E se tornou lendário. Um dos Sete Lendários da Miolo, a coleção de ícones da vinícola escolhidos a dedo para representar o melhor da safra 2018, a mais perfeita dos 30 anos de história da empresa.

As condições climatológicas daquele ano, favorecidas pelo fenômeno conhecido como La Niña, permitiu a plena maturação das uvas em todas as regiões produtoras do País. Não foi diferente no Vale do São Francisco. Lá, onde a agricultura só é possível devido à irrigação, as videiras produzem duas vindimas por ano: uma de maior volume, no verão; e outra de maior qualidade, no inverno. Foi da segunda colheita que saíram as uvas da variedade syrah utilizadas para a vinificação do Testardi. Antes de ser engarrafado, ele passou por 12 meses em barricas novas de carvalho francês, o que ajudou a arredondar os taninos e aportou aromas bem interessantes. Além de um pouco de pimenta negra, o que é típico da casta, ele traz notas de noz moscada, que combinam perfeitamente com as frutas vermelhas que se destacam no olfato. Em especial o morango maduro. Assim como o mandacaru, cacto típico do semiárido, que apesar da aparência rústica tem um perfume elegante em seu interior, esse vinho sertanejo é bem mais sofisticado do que pode parecer.

Por conter 15% de álcool – o que o qualifica como vinho nobre pela legislação brasileira –, é recomendável refrescar a garrafa e abri-la ao menos meia hora antes do serviço. Essa oxigenação ajudará a volatizar o álcool e permitir que os aromas se evidenciem. Bem estruturado de boa persistência em boca, o Testardi é um vinho gastronômico, que vai muito bem com carne de porco e de cordeiro. A enóloga Eloisa Teixeira, que trabalhou nas últimas safras do rótulo, afirma que ele expressa melhor sua personalidade quando harmonizado com  pratos típicos do sertão. Ela cita como exemplo a carne de bode. Seja qual for a escolha, vale provar esse grande vinho, que merece não apenas um lugar entre os Lendários da Miolo como tem tudo para fazer história entre os melhores do Brasil elaborados com a variedade syrah.

Paisagem do Rio São Francisco, onde o clima semiárido exige que a viticultura seja feita por meio da irrigação. A vegetação típica é a da caatinga. com a presença constante do mandacaru, símbolo do Testardi

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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