Negócios

Tenda agora é casa

Construtora mineira amplia portfólio com modelo de residência pré-fabricada, também voltada ao segmento de baixa renda.

Crédito: Divulgação

A construtora e incorporadora Tenda deu um importante passo para ampliar o portfólio de produtos voltados ao segmento de baixa renda. Focada exclusivamente no lançamento de empreendimentos verticais em regiões metropolitanas pelo Brasil, a empresa agora aposta na produção de casas em woodframe, sistema que utiliza madeira como matéria-prima dos perfis e placas estruturais. O desenvolvimento do modelo é baseado na construção off-site, na qual os imóveis são feitos em fábrica antes de serem transportados para o local de implantação.

A companhia declara ter investido R$ 12 milhões no lançamento do projeto. “A definição de uma casa-modelo abre portas para acelerarmos a validação de diversos conceitos de construção off-site”, afirmou o presidente da Tenda, Rodrigo Osmo. “Continuamos prototipando diferentes formatos de casas e tecnologias construtivas, mas, agora, podemos avaliar outros aspectos igualmente importantes e relacionados à construção off-site, como logística e montagem do produto no canteiro de obras”, disse o executivo.

Se os testes de mercado, que vão até 2021, para avaliar a aceitação do público forem bem-sucedidos, a Tenda pretende atingir produção total de 60 mil unidades por ano, quase quatro vezes a média anual atual, de 18 mil imóveis. A montagem dos primeiros modelos foi concluída nesta semana, num condomínio fechado no interior de São Paulo. Mas, como o projeto ainda está em fase de testes, a companhia não revela o local. O protótipo é um sobrado geminado, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, em área de aproximadamente 60 m2 cada – existe ainda o exemplar de uma unidade térrea. A Tenda investiu em um centro de inovação próprio na região de Campinas (SP), capaz de realizar testes de produtos e de tecnologias. Para o consumidor final, o preço ficará entre 10% e 20% abaixo de um projeto de alvenaria tradicional.

A construção fora dos canteiros tem vários atrativos. A Tenda revela que o menor tempo de produção e montagem das casas reduz custos indiretos, mas que ainda não tem uma estimativa dessa economia. Em relação ao impacto ambiental, a empresa afirma que, diferentemente de outros insumos, como aço e concreto, que são emissores de carbono, a madeira retém carbono do meio ambiente para crescer. Além disso, a produção na indústria diminui o volume de resíduos e o consumo de água nas obras. A tecnologia woodframe utilizada na casa-modelo é de ampla aplicação em outros países, como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Japão, entre outros. Diferentemente do que acontece no Brasil, no entanto, nessas nações a opção abrange também residências de alto padrão. Rodrigo Osmo acredita ser possível proporcionar as vantagens do produto – como conforto térmico e isolamento acústico – ao segmento de habitação popular, caso do Programa Casa Verde e Amarela, no qual a empresa atua exclusivamente.

PROJETO EM ESTUDO Presidente da Tenda, Rodrigo Osmo afirma que a empresa desenvolve diferentes formatos de casas e tecnologias construtivas relacionados ao modelo off-site. (Crédito:Claudio Belli)

RETOMADA NA PANDEMIA O desenvolvimento do projeto de casas é importante passo no processo de retomada dos negócios da Tenda, após perda de 15% da produtividade no segundo trimestre em decorrência da pandemia. A construtora teve operações paralisadas em quatro estados (Ceará, Goiás, Pernambuco e Rio Grande do Sul), onde estão 20 das 74 obras em andamento (27% do total) pelo País. Com as lojas fechadas no período em respeito às orientações das autoridades sanitárias, a empresa investiu R$ 2 milhões em estratégias de digitalização e de desenvolvimento corporativo. Como resultado, registrou o melhor trimestre em vendas brutas em sua história, com R$ 689,2 milhões (alta de 28,4% em relação ao segundo trimestre de 2019), após a comercialização de 4.946 unidades. Foram lançados 14 empreendimentos, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 630,2 milhões – no acumulado de 2020, são 18 projetos e VGV de R$ 795,8 milhões. A receita líquida entre abril e junho totalizou R$ 526,1 milhões (alta de 7,6% sobre o segundo trimestre de 2019). Ainda assim, o ritmo menor e os investimentos para transações digitais comeram parte da margem. O lucro líquido alcançou R$ 40,3w milhões, recuo de 44,8% na comparação com os R$ 73 milhões alcançados na mesma época de 2019.

A professora Patricia Bianchi, presidente do Núcleo de Educação Ambiental do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), destaca algumas vantagens apontadas por empresas da área em relação ao modelo de casas desenvolvido pela Tenda, como redução de 40% a 60% nos resíduos sólidos; utilização de recursos 100% renováveis, normalmente com o aproveitamento de pinus ou eucalipto no projeto; economia do uso da água durante a construção em comparação com uma obra tradicional de alvenaria; e rapidez no processo de montagem devido à padronização das placas estruturais.

FALTA REGULAMENTAR Conselheira no Conselho de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Consema) e do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), Patricia cita como um dos desafios a ausência de regulamentação desse assunto no Brasil. “Existem normas técnicas, como a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 7.190, que dão diretrizes para esse tema no nosso País, mas não há uma lei regendo tudo”, disse. “E isso é muito preocupante, porque são questões que envolvem a certificação, a procedência da madeira, a fiscalização”, afirmou.

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