Edição nº 1100 14.12 Ver ediçõs anteriores

“Temos 32 pessoas para pagar impostos e 12 para vender açúcar. Isso está errado”

“Temos 32 pessoas para pagar impostos e 12 para vender açúcar. Isso está errado”

O grupo francês Tereos é o segundo maior produtor de açúcar do mundo, com 5,3 bilhões de toneladas por ano; produziu 1 bilhão de litros de etanol no ano passado, conta com 49 unidades industriais e 22 mil funcionários espalhados por quatro continentes. Não à toa, faturou E 5 milhões em 2017. E a operação brasileira foi crucial para isso. “O País é estratégico para o grupo, representa cerca de 24% do faturamento global”, diz Jacyr Costa Filho, CEO da Tereos no Brasil. Ele é o convidado do MOEDA FORTE na TV Dinheiro que vai ao ar na segunda-feira 8 de outubro. Acompanhe alguns trechos de sua entrevista:

O que o Brasil representa para o grupo Tereos?
O Brasil tem uma importância não só dentro do faturamento do grupo, pois responde por 24% dos resultados, mas também é estratégico. É impossível ser um player global de açúcar sem ter presença no País. De cada duas toneladas produzidas no mundo, uma tonelada vem do Brasil.

E o que é mais importante, o açúcar ou o etanol?
Diferente do açúcar, o etanol é consumido basicamente nos países onde há produção. No Brasil, ele tem um caráter muito importante porque traz uma diversificação para as usinas. Agora que os preços do açúcar estão baixos, a produção está migrando para etanol.

Qual é o impacto do RenovaBio para a economia brasileira?
A produção de etanol vai sair dos atuais 29 bilhões de litros por ano para 50 bilhões de litros, dentro de nove anos. E isso significa investimentos no interior do País. Vai gerar empregos e beneficiar os centros urbanos.

O que falta para o Brasil olhar para o agronegócio com a importância que ele merece?
Cada país tem de buscar a sua vocação. Inegavelmente, a vocação dos Estados Unidos é a tecnologia, a da China é manufatura, a da Índia é serviços e o Brasil é o celeiro do mundo. O Brasil tem clima favorável; conseguimos fazer até três safras por ano, enquanto na América do Norte tem apenas uma safra; temos terra; tecnologia; gente capacitada…

O Brasil não acessa muitos mercados internacionais. Por quê?
Nos últimos 13 anos, o Brasil fez acordo bilateral só com Israel, Egito e Palestina. Ficamos de fora de todos os acordos. A nossa sorte foi que o Donald Trump parou com o acordo com os países do Pacífico. Porque os EUA é o nosso maior concorrente na produção de alimentos e os nossos clientes estão no Pacífico. O Brasil investiu em uma diplomacia de acordos multilaterais e acabou deixando de lado os acordos bilaterais. Mas isso está mudando.

Falando em política, qual é a grande reforma que o próximo presidente precisa atacar?
A reforma tributária é muito importante. Aqui no Brasil é uma confusão de impostos e todo dia tem uma mudança de regra que você precisa ter uma estrutura para pagar impostos e, mesmo assim, corre riscos enormes. Na nossa empresa, temos 32 pessoas para pagar impostos e 12 para vender açúcar. Isso está errado.

(Nota publicada na Edição 1090 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Valéria Bretas)


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(Nota publicada na Edição 1100 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Felipe Mendes)
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