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Teerã diz que ‘provocações genocidas’ de Trump não acabarão com o Irã

O ministro iraniano das Relaciones Exteriores, Mohamad Javad Zarif, respondeu nesta segunda-feira (20) às últimas ameaças de Donald Trump e afirmou que “as provocações genocidas” do presidente dos Estados Unidos “não acabarão com o Irã”.

“Trump espera conseguir algo em que Alexandre (o Grande), Gengis (Khan) e outros agressores falharam”, escreveu Zarif em sua conta no Twitter, referindo-se a dois conquistadores estrangeiros que dominaram a Pérsia – antigo nome do Irã – em um determinado período de tempo de sua história milenar.

“Os iranianos permaneceram de pé durante milênios enquanto todos os agressores foram embora”, escreveu em seguida, depois que Trump afirmou na véspera na mesma rede social: “Se o Irã quer lutar, este será o fim oficial do Irã”.

“Se o Irã quer brigar, esse será o fim oficial do Irã”, escreveu Trump, antes de advertir: “Nunca ameacem os Estados Unidos de novo”.

“O terrorismo econômico e as provocações genocidas não acabarão com o Irã. Nunca ameace um iraniano. Tente o respeito. Funciona”, completou o ministro.

A resposta de Trump não demorou muito. Horas depois ele postou novamente na rede social, informando que se Teerã quiser dialogar, terá que dar o primeiro passo.

“O Irã nos chamará quando estiverem prontos. Enquanto isso, sua economia segue colapsando, é muito triste para o povo iraniano”, acrescentou Trump.

Já o senador americano Lindsey Graham, próximo a Trump, ameaçarão com uma “resposta militar definitiva” diante de qualquer ação contra os interesses dos Estados Unidos.

A relação entre os dois países piorou consideravelmente nas últimas semanas, depois que os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Golfo Pérsico para aumentar a pressão sobre o governo de Teerã, que acusa de preparar ataques contra seus interesses na região.

O governo americano enviou um porta-aviões e bombardeiros B-52, em resposta a supostas fotografias que mostravam que o Irã havia carregado mísseis em pequenas embarcações.

Além disso, o governo americano retirou os funcionários diplomáticos não emergenciais do Iraque, citando ameaças de grupos armados iraquianos apoiados pelo Irã..

– Preocupação ocidental –

A tensão aumenta entre Estados Unidos e Irã desde que Trump decidiu, ano passado, retirar seu país do acordo internacional alcançado em 2015 para limitar o programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções contra Teerã. Washington voltou a impor severas sanções à República Islâmica.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, deu um conselho aos iranianos: não subestimem a determinação dos americanos.

“Os americanos não buscam o conflito, não querem uma guerra com o Irã, mas se os interesses americanos forem atacados, responderão, e isso é algo sobre o que os iranianos têm que refletir muito atentamente”, alertou o chefe da chancelaria.

“É claro que estamos preocupados e queremos uma desescalada”, acrescentou, e responsabilizou as “atividades desestabilizadoras” do Irã pela situação atual.

As relações entre os Estados Unidos e o Irã, ruins desde a década de 1970, deterioraram-se ainda mais desde que Trump decidiu, em maio de 2018, retirar-se unilateralmente do acordo internacional alcançado em 2015 em Viena sobre o programa nuclear iraniano.

Com este acordo, que deveria acalmar os temores da comunidade internacional sobre o acesso do Irã à bomba atômica, Teerã concordou em limitar drasticamente seu programa nuclear em troca de uma suspensão das sanções contra ele.

Mas ao renunciar a este texto, Washington voltou a impor severas sanções extraterritoriais à República Islâmica, suspensas ou limitadas após o acordo de Viena.

– “Crime contra a humanidade” –

Essa política de Washington impede que a República Islâmica aproveite dos benefícios que esperava obter com o acordo.

Teerã denunciou isso repetidamente, chamando a situação de “crime contra a humanidade” ou “terrorismo econômico”.

De sua parte, Trump, que defende uma política de “pressão máxima” sobre Teerã, tenta levar a República Islâmica a negociar um acordo “melhor” do que o de Viena.

Mas o Irã exclui qualquer negociação “com o atual governo dos EUA” e ameaça gradualmente desconsiderar o acordo de 2015 se os outros signatários do texto (Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) não permitirem que o documento contorne as sanções de Washington.