Mercado Digital

Humanidade aumentada

Evento no Rio foca em tecnodiversidade e se destaca na agenda das soluções de inovação

Crédito: iStock

Xavier Leclerc, curador da Ponto Futuro / Rio: “não há como separar a inovação e a tecnologia de qualquer setor da economia” (Crédito: iStock)

Tecnochato é a versão sem álcool do enochato. Para ele, a tecnologia – somente a tecnologia e acima de tudo a tecnologia – é a solução para tudo. E simplesmente esquece que não existe mais um universo sob a equação de compartimentos ou segmentos econômicos estanques. A trindade Agro, Indústria e Serviços serve para medir PIB. E olhe lá. “Quem não entender que toda empresa, de qualquer segmento, será uma empresa de tecnologia realmente não entendeu nada”, diz Xavier Leclerc, curador e diretor comercial da Mox Digital, empresa que organiza a terceira edição da Ponto Futuro | Rio, que acontecerá dias 5 e 6 de junho, no Rio de Janeiro.

A pressão por inovação é transversal a qualquer indústria. Mas ainda mais intensa, evidentemente, nos puros-sangues da tecnologia. De acordo com a recém-divulgada 22ª Pesquisa Anual Global de CEO, da PwC, apenas 40% das lideranças corporativas de empresas tecnológicas se disseram “muito confiantes” no potencial de crescimento de receitas em suas companhias nos próximos 12 meses. Esse é o menor percentual nas últimas cinco edições do levantamento.

Na mesma pesquisa, um a cada dois executivos de tecnologia disse que estava “extremamente preocupado” em encontrar talentos e habilidades de que precisam em suas corporações, e 55% afirmaram que a falta de talentos “afeta negativamente a capacidade de inovar” em suas empresas. Leclerc, da Mox, é testemunha dessa preocupação. “Até pouco tempo atrás, encontrar soluções de inovação e tecnologia era problema exclusivamente do CTO (Chief Technology Officer) ou do CIO (Chief Information Officer)”, afirma. “Agora, passou a ser job description número 1 de todo CEO.”

Isso significa que passa a fazer parte da cultura de toda a empresa pensar o novo. É por esse motivo que esta edição do Ponto Futuro | Rio terá como um dos pontos principais a “humanidade aumentada”. O foco é promover discussões mais embasadas – o que pressupõe conhecimentos verticais, mais especializados. Ao mesmo tempo, o evento procura, também, contemplar pontos de vista nunca adotados, um conhecimento mais horizontal, típico da multidisciplinaridade. Todos os perfis profissionais devem atuar nos processo de inovação. É o que Leclerc chama de “opinião informada”.

“Não há como separar a inovação e a tecnologia de qualquer setor da economia, de qualquer área de uma empresa ou de qualquer funcionário”, diz ele. A agenda do evento, cujo público é formado, em 43%, pelos chamados C Level (as chefias), está dividida entre um dia de palestras e conferências e o outro de wokshops, num formato de rápidos speechs, muitos cases e abundante construção de networkings.

O formato construído pela Mox é, em si, inovador. Suas versões pockets regionalizadas atendem a necessidades locais – sob o tema da Mobilidade, em Minas Gerais, do Turismo, em Pernambuco, ou da Educação, em São Paulo –, além de soluções in company. “Não fazemos consultoria. Nossos eventos, de qualquer porte, reúnem as pessoas certas com capacidade de encontrar soluções”, afirma Leclerc. “É uma grande teia de gentes.” No plural, mesmo. E tudo com a tal opinião informada.