PARIS/FRANKFURT (Reuters) – O Banco Central Europeu precisa tomar medidas “firmes” para controlar a inflação, mas também está totalmente determinado a conter qualquer aumento indevido nos custos de empréstimos na periferia da zona do euro, disseram autoridades nesta sexta-feira.

O BCE sinalizou na quinta-feira um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros em julho e disse que um aumento maior pode ser necessário em setembro, uma vez que as pressões inflacionárias estão crescendo e se ampliando, elevando o risco de que o alto crescimento dos preços se torne arraigado.

“As taxas de inflação da área do euro não cairão sozinhas”, disse o presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, em comunicado. “A política monetária é necessária para reduzir a inflação por meio de uma ação firme.”

Embora o BCE tenha elevado na quinta-feira sua projeção de inflação para 2022 para 6,8%, mais de três vezes sua meta de 2%, disse que o número teria sido ainda maior, em 7,1%, se também incluísse dados divulgados após a data limite para o levantamento.

“A inflação este ano será ainda mais forte do que no início da década de 1980”, disse Nagel, referindo-se ao último período de crescimento de preços dolorosamente alto.

Os aumentos das taxas, no entanto, elevam o risco de que uma grande lacuna se abra entre os custos de empréstimos de diferentes membros da zona do euro, particularmente a Alemanha e os países mais endividados do sul, como Itália, Espanha e Grécia.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, prometeu combater a fragmentação “injustificada” desse tipo e afirmou que o BCE poderia até implantar uma nova ferramenta, se necessário, mas não deu detalhes.

(Reportagem de Dominique Vidalon e Balazs Koranyi)

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