Ciência

Tailândia legaliza droga natural kratom e ajuda a aliviar prisões superlotadas

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Kratom é vendida comercialmente em lojas de fitoterápicos em alguns estados dos Estados Unidos (Crédito: Pexels)

A Tailândia legalizou a posse e a comercialização de kratom, uma planta psicotrópica nativa do sudeste asiático utilizada como medicamento natural. A medida foi anunciada pelo governo tailandês na terça-feira (24). Nesta quarta (25), de acordo com o ministro da Justiça do país, Somsak Thepsuthin, 121 detidos pelo uso da planta ganham novamente a liberdade – além disso, milhares de processos judiciais serão encerrados.

Usado há milhares de anos, a kratom é da família do café e possui propriedades estimulantes e analgésicas. A substância era ilegal na Tailândia desde 1943, e as penas para posse eram de dois anos de reclusão e U$ 6 mil de multa para quantidades iguais ou maiores a 10 kg.

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Nos últimos dois anos, a Tailândia enfrenta um processo de descriminalização das drogas. O país regulamentou a cannabis medicinal, assim como forneceu licenças para compra e cultivo da kratom. De acordo com a ABC News, o sistema prisional superlotado é o principal catalisador dessa série de medidas que flexibilizam o consumo de drogas naturais no país asiático.



Além disso, a possibilidade de produzir um analgésico natural de baixo custo para substituir até remédios como a morfina e o incentivo a pequenos produtores levaram o governo a repensar as políticas antidrogas.

A kratom pode ser tanto mascada, como uma folha de coca, como fumada. No entanto, também pode ser misturada a outras drogas, como alertou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos em 2019. Comercializada nos EUA como suplemento natural, o órgão indica que a planta tenha causado, misturada a outros entorpecentes, a morte de 91 pessoas entre julho de 2016 e dezembro de 2017. A planta também foi encontrada junto ao corpo de 2 pessoas mortas por overdose.

O extrato da planta, vendida em lojas de fitoterápicos sem necessidade de receita médica em alguns estados nos EUA, contém mitragyna, um estimulante natural. Em altas quantidades, segundo a agência americana, os efeitos podem ser semelhantes aos de qualquer opioide e causar dependência – a DEA equiparou a kratom ao LSD, heroína, maconha e ecstasy em 2016.

A discussão, contudo, não foi encerrada. Defensores alegam que faltam dados científicos para desmistificar o uso da kratom. “Se estamos legalizando, precisamos de um controle de quantidades apropriado”, defende Nimu Makaje, líder muçulmano da província de Yala, no sul da Tailândia, à agência AP.

A Kratom também foi utilizada nos EUA para enfrentar o uso indiscriminado de opioides – que já matou mais que as guerras do Vietnã e Afeganistão juntas. A planta é vista como uma substância que ajuda a gerenciar a desintoxicação, atenuando dores e os efeitos da abstinência. A FDA, porém, segue preocupada com o uso da kratom como alternativa aos analgésicos.

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