Ciência

SuperCam estudará Marte em busca de rastros de vida passada

SuperCam estudará Marte em busca de rastros de vida passada

Imagem cedida pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais da SuperCam, desenvolvida pela França, um dos instrumentos científicos do explorador marciano Perseverance - CNES / VR2Planet 2021/AFP

Empoleirada no topo do rover americano Perseverance, a SuperCam, projetada por cientistas franceses, estudará as rochas marcianas com seu feixe de laser e um microfone, em busca de vestígios de vida passada no Planeta Vermelho.

Outras duas ferramentas europeias, a espanhola MEDA e a norueguesa RIMFAX, serão usadas para medir os parâmetros atmosféricos de Marte e explorar sua subsuperfície, respectivamente.

Do tamanho de uma caixa de sapatos e pesando cinco quilos, a SuperCam usará seus “superpoderes” do topo de uma haste, com ferramentas adicionais americanas de análise e controle, afixadas ao corpo do robô.

“É um método de vigilância geofísica, que vai indicar onde tirar determinada amostra e examinar seu ambiente”, explicou à AFP o astrofísico Sylvestre Maurice, do Instituto de Pesquisas em Astrofísica e Planetologia (IRAP), que projetou o instrumento.

Sua irmã mais velha, a ChemCam, que continua ativa no rover americano Curiosity desde 2012, provou que Marte era habitável. Agora, cabe ao Perseverance encontrar vestígios de vida.

Sua cabeça é dotada de um feixe de laser, cujo disparo sobre uma rocha, a até 7 metros de distância, vaporiza uma pequena parte em forma de plasma. A luz emitida é analisada por um espectrômetro (LIBS) que revela “os elementos de que as rochas são compostas”, como ferro, silício, ou alumínio.

– Microfone –

Mas “para descobrir possíveis sinais de vida passada, é preciso mais do que química. É preciso analisar as moléculas, fazer mineralogia”, diz o pesquisador do IRAP.

E, portanto, é preciso ser “muito mais ambicioso, acrescentando três técnicas”.

E isso será feito com um disparo de laser de luz verde, de até 12 metros, associado a uma espectrometria Raman, que observa como os átomos da matéria estão organizados, e a um espectrômetro infravermelho. Este último completará essa observação analisando, até o horizonte, a forma como a luz solar é refletida pelo objeto em estudo.

Por fim, um microfone, “uma estreia em Marte”, informará sobre a dureza da rocha, graças à análise do “clack”, o ruído que o disparo do laser faz ao atingi-la.

Operando remotamente, a SuperCam complementará os dois “instrumentos de contato” americano, PIXL e SHERLOC. Localizados na extremidade de um braço articulado, na parte inferior do robô, eles estudarão a composição química e vão procurar um traço biológico nas rochas, respectivamente.

Os disparos de laser da SuperCam ajudarão a selecionar os melhores alvos e a “limpar” a superfície antes do estudo por parte do PIXL e do SHERLOC.

“A ideia é que um instrumento deve responder a várias questões e que uma pergunta deve encontrar sua resposta com vários instrumentos”, acrescentou Sylvestre Maurice, cujo instituto, o IRAP, vai compartilhar, a partir de um centro operacional no Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) a pilotagem da SuperCam com o Laboratório Nacional de Los Alamos (LANL), nos Estados Unidos.

“Se sinais de vida forem percebidos com uma ferramenta, eles deverão ser confirmados com as outras”, indicou.

O juiz final será o retorno à Terra, em alguns anos, com as amostras coletadas pelo Perseverance.

Até lá, “todos se ajudam”, acrescentou o cientista.

Ele cita, por exemplom a importância da ferramenta norueguesa RIMFAX, equipada com um radar que estuda o subsolo, e o instrumento espanhol MEDA, que vai medir, entre outras coisas, o tamanho e a forma da poeira, que poderia atrapalhar as medições infravermelhas da SuperCam.

Este último instrumento é resultado do trabalho de uma grande equipe, de cerca de 200 pessoas, de vários laboratórios, atuando sob a supervisão do CNES.

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