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Sudão cria Conselho Soberano para iniciar transição política

Sudão cria Conselho Soberano para iniciar transição política

(17 ago) Assinatura do acordo de transição, em Cartum - AFP

Militares e representantes da oposição no Sudão formaram, nesta terça-feira, um Conselho Soberano que dirigirá o país durante os três anos de transição para um governo civil, informou um porta-voz.

O Conselho Soberano será presidido durante 21 meses pelo general Abdel Fatah Al Burhan, atual chefe do Conselho Militar de Transição, que tomará posse nesta quarta-feira, às 11h [6h de Brasília], informou o general Shamsedin Kabashi, porta-voz dos militares.

A composição do Conselho, que conta com seis civis e cinco militares, deverá acompanhar o período durante o qual o Sudão encerrará um capítulo de três décadas de mandato do general Omar Al Bashir, ex-presidente destituído em abril, após meses de manifestações em todo o país.

A lista dos de 11 membros do Conselho foi anunciada por um porta-voz do Conselho Militar de Transição que assumiu o poder após a destituição de Al Bashir.

O anúncio da composição do Conselho Soberano veio dois dias depois do planejado, já que as Forças pela Liberdade e Mudança (FLC), que compõem a principal organização do movimento de protesto, pediram um adiamento por causa de disputas dentro do movimento.

Após 21 meses, um civil vai tomar o lugar do general Burhan para liderar o Conselho Soberano durante os 18 meses restantes de transição.

De acordo com os termos iniciais do acordo de transição, o Conselho deve indicar na terça-feira se valida o candidato apresentado pelo movimento de protesto, o economista e ex-colaborador da ONU Abdulá Hamdok, como primeiro-ministro. Sua confirmação deve ser anunciada na quarta-feira.

Se nomeado, terá que ser encarregado de formar um governo, que enfrentará a árdua tarefa de organizar a economia de um país marcado por vários conflitos internos, especialmente em Darfur (oeste).

Também será formado um Parlamento de transição.

Apesar da euforia que a assinatura do acordo de transição gerou no sábado, um mal-estar palpável foi sentido entre os manifestantes pela onipresença de Mohamed Hamdan Daglo, chefe de uma temida força paramilitar acusada de estar por trás da repressão aos protestos.

Daglo também é o número dois do Conselho Militar de Transição e foi nomeado nesta terça para o Conselho Soberano.

Mais de 250 pessoas morreram desde o começo das manifestações, em 19 de dezembro, no Sudão. Metade delas morreram em 3 de junho, na dispersão de um protesto pacífico em frente ao quartel do Exército, segundo um comitê de médicos próximo ao movimento de protesto.

As sudanesas, muito envolvidas nos protestos dos últimos meses, também expressaram sua insatisfação com a presença pouco expressiva de mulheres no processo de transição, embora estivessem na linha de frente das manifestações.

Há duas mulheres entre os civis que fazem parte do Conselho Soberano, uma delas integrante da minoria cristã do país.