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Atlas Schindler, divisão brasileira da gigante suíça de elevadores Schindler, investe em tecnologia, fatura R$ 2 bilhões e mantém patamar de receita mesmo com a crise a partir da pandemia, beneficiada pela rápida recuperação da construção civil.

Crédito: Claudio Gatti

ROTA DE CRESCIMENTO Flávio Silva, presidente da Atlas Schindler, diz que a empresa deve aumentar receita este ano. (Crédito: Claudio Gatti )

O sobe e desce no ritmo da economia a partir da crise provocada pela pandemia não afetou o resultado da Atlas Schindler, divisão brasileira da gigante suíça de elevadores Schindler. Pelo contrário. No ano passado, a companhia faturou R$ 1,98 bilhão, menos de 1% abaixo do que a empresa registrou de receita em 2019, de R$ 2 bilhões. “Nossa visão estratégica é de longo prazo, porque isso nos ajuda a amortizar esse sobe e desce”, disse Flávio Silva, presidente da Atlas Schindler. A empresa foi fundada no Brasil há 103 anos, em 1918, com o nome Elevadores Atlas e comprada em 1999 pelo grupo europeu. Desde a inauguração, já forneceu mais de 221 mil equipamentos para o mercado brasileiro, entre elevadores e escadas rolantes.

Das 11 fábricas do grupo no mundo, uma delas está em Londrina (PR), e é responsável pelo abastecimento do mercado brasileiro para a companhia e fornecimento, como polo exportador, para a América Latina, do México à Argentina. A empresa não abre a participação do Brasil no faturamento global, mas informa que, em 2019, as Américas representaram 29% da receita mundial.

Para este ano, a perspectiva no Brasil é de ultrapassar o faturamento do ano passado, embora a empresa não revele a projeção. No período, o lucro líquido registrou queda. No ano passado, a empresa alcançou R$ 236,4 milhões, contra R$ 266,4 milhões em 2019. A explicação, segundo Silva, está relacionada ao gasto maior com despesas extraordinárias, como compra de equipamentos de proteção individual aos cerca de 5 mil funcionários, além de novos servidores e laptops para a migração do trabalho ao sistema home office.

Mas isso não alterou o horizonte otimista do executivo, principalmente pelo bom resultado da construção civil, segmento que conseguiu rapidamente se recuperar do impacto do isolamento social. Com a retomada na construção dos prédios novos, mais pedidos para elevadores chegam. “O primeiro semestre deste ano foi muito positivo, bem de acordo com que imaginávamos. Somos derivados da comercialização de imóveis”, disse.

Pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) mostra que, no acumulado dos últimos 12 meses, foram comercializadas 64.455 unidades em São Paulo, maior praça imobiliária do Brasil, o que representa aumento de 38,7% em relação ao período anterior (julho de 2019 a junho de 2020). “A queda nos juros impactou diretamente no financiamento de imóveis e alavancou as vendas. E a casa própria passou a ter uma ressignificação a partir da necessidade do isolamento social”, disse Basilio Jafet, presidente do Secovi-SP.

103 anos após ter sido criada no brasil, a companhia forneceu 221 mil unidades

A venda de novos elevadores tem crescido praticamente no mesmo ritmo, segundo o presidente da Atlas Schindler, de outras duas unidades de negócios da companhia, que são as ações de manutenção preventiva e de modernização tecnológica dos aparelhos. “A gente trabalha em um modelo de ecossistema. E o segredo para nós é manter o equilíbrio das unidades de negócios”, afirmou Silva.

E foi justamente o efeito do isolamento social que acabou contribuindo, de certa forma, com o segmento de manutenção de elevadores no mercado nacional, já que a utilização foi potencializada pela necessidade de uso individual ou, no máximo, de pessoas da mesma família no equipamento. Isso forçou o uso dos aparelhos, que precisaram de reparos. No ano passado, o setor faturou, segundo a Associação Brasileira de Elevadores (Abeel), R$ 5,5 bilhões, alta de 4,5% sobre o ano anterior. Deste total, R$ 4,3 bilhões vieram da manutenção e modernização de elevadores. A venda de novos equipamentos somou R$ 1,2 bilhão, levando-se em conta as cerca de 2 mil empresas do setor.

Para Marcelo Braga, presidente da Abeel, a tendência é de crescimento nos próximos dois anos, provocado, principalmente, pela demanda de novas construções. “Há elevadores sendo entregues agora que foram adquiridos há um ano. Há uma demanda reprimida que deve garantir mais vendas no ano que vem.” A previsão é de que o segmento feche 2021 com faturamento médio de 7,5% acima de 2020.

Para crescer ainda mais, como projeta Silva, a Atlas Schindler foca em tecnologia. Serão investidos R$ 50 milhões em manutenção e outros R$ 10 milhões na implementação de uma central de soluções integradas, no Paraná, que deve estar pronta no primeiro semestre de 2022. Em 2018, a empresa lançou uma plataforma chamada Schindler Ahead, que traz soluções tecnológicas para monitoramento inteligente dos aparelhos. “Hoje o síndico tem o elevador na palma da mão. A digitalização do setor já é uma realidade.” Mais digital e mais moderno para ajudar a companhia a seguir apertando somente o botão do andar de cima.