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Sua casa na melhor das montanhas

Vizinha dos Parques Nacionais de Yellowstone e Grand Teton, a mais premiada estação de esqui dos Estados Unidos combina belezas naturais, ares de velho oeste e excelentes pistas para os esportes de neve

Aspen, Vail, Beaver Creek e Telluride transformaram o Colorado no destino favorito dos brasileiros que viajam aos Estados Unidos para esquiar. As qualidades que tanto encantam os turistas, porém, já começam a tirar parte do encanto durante a alta temporada, quando a lotação é total. Felizmente, ainda há nos EUA recantos de neve menos conhecidos e que ainda preservam o charme de uma experiência menos massificada. É esse o caso de Jackson Hole, no Wyoming. O nome se deve ao caçador e explorador de montanhas David Edward Jackson, que se aventurou por lá no século 19. O “buraco” (Hole) refere-se à topografia da região, um amplo platô circular cercado de picos por todos os lados — o mais alto dele, Grand Teton Peak, fica a 4.197 metros de altitude em relação ao nível do mar.

Construída sobre o tal “buraco” que lhe dá nome, a pequena cidade de Jackson ainda preserva ares de velho oeste, com seus saloons em que bandas de música country se revezam no palco enquanto os clientes alternam goles de uísque local e cerveja sentados sobre bancos que simulam selas de cavalo. Pitoresca, Jackson Hole agrada por uma combinação de fatores que vai além de suas rivais famosas do Colorado. Uma das vantagens é sua própria natureza. Parte de um maciço das Montanhas Rochosas, a estação fica nas proximidades dos Parques Nacionais de Yellowstone e Grand Teton, que reúnem belezas inigualáveis. Outra é a qualidade das pistas que levam esquiadores e snowboarders ao delírio: são 1.261 metros verticais de terreno sem obstáculos e mais de 10 km² de área praticável. Apenas 10% das pistas são destinadas a iniciantes; 40% atendem a quem está no nível intermediário; e 50% são dedicadas a experts. Nenhum outro resort de esqui da América do Norte tem esse mix de oferta.

Com tudo isso, a estação foi eleita a melhor dos EUA por sete anos consecutivos, condição que tem favorecido investimentos milionários para aprimorar a infraestrutura que acolhe quem pratica esportes de neve. Na última temporada, o Jackson Hole Mountain Resorts inaugurou a Estação Solitude, um ce ntro familiar para crianças e adultos a apenas 2 minutos (de gôndola) da área de base em Teton Village. O edifício reúne restaurante, loja para locação de equipamentos e a sede da Mountain Sports School, escola voltada para o aprimoramento de quem quer aprender a dominar as pistas nevadas.

Incluir aulas de esqui no roteiro, aliás, é fundamental para evoluir até as desafiadoras black e double black runs (a cor preta indica que por ali só deve descer quem é tarimbado). Como em outras estações, em Jackson Hole os primeiros passos são no “magic carpet”, uma esteira rolante onde se aprende o básico. Uma aula em grupo custa, em média, US$ 150 por pessoa. As individuais chegam a US$ 850,00, por 7 horas. Os instrutores, sempre pacientes, ensinam a colocar o equipamento, se posicionar nos esquis, descer de um lift (os meios de elevação até as pistas), além das primeiras manobras: frear, fazer curvas, aumentar e diminuir a velocidade. Alguns tombinhos fazem parte do aprendizado.

FAT BIKE Não pretende esquiar? Ok, é possível curtir a neve de outras maneiras. Já ouviu falar de fat bike? É uma espécie de bicicleta com pneus bem largos (de até 5 polegadas), para pedalar na neve. Os passeios podem ser feitos em trilhas ou estradas e permitem conhecer a paisagem do inverno em um ritmo menos intenso que o de um snowmobile, o equivalente para o gelo e neve de um jetski. Foi pilotando um desses por cerca de 250 quilômetros que conheci as belas paisagens do Parque Nacional de Yellowstone, famoso por seus gêiseres. Sob a área do parque está um dos maiores vulcões do planeta e sua atividade é tão regular que suas erupções diárias de vapor d’água podem ser previstas com a precisão de minutos.

Diariamente centenas de pessoas se posicionam perto do gêiser The Old Faithful para observar o “respiro” do vulcão. Em alguns pontos do parque, os jatos d’água na forma de vapor lançados das entranhas da terra formam lagos de água cristalina, embora sulfurosa. Com o tempo, a ação do ácido dá às rochas sob a água tons amarelados, daí o nome do parque. As motos tracionadas por esteira e com um par de esquis no lugar da roda da frente permitem percorrer longas distâncias em pouco tempo (a velocidade média do percurso é de 60 km/h, o que pode parecer pouco no asfalto, mas é bem rápido na neve). Além de apreciar a paisagem ao longo do caminho, há paradas estratégicas para fotos, algumas delas diante dos animais nativos da região, caso de alces, cervos, búfalos e ursos-pardos. Não foi por acaso que a dupla Hanna-Barbera escolheu o local para ambientar as histórias de Zé Colmeia e Catatau.

Para suportar as baixíssimas temperaturas – a mínima em nosso passeio foi 27 graus Celsius abaixo de zero – é preciso vestir roupas térmicas apropriadas. E mesmo as luvas pesadíssimas não bastam para manter as mãos aquecidas. Mas o que se vê compensa a sensação de quase hipotermia. A quantidade de vida selvagem, a beleza impressionante e a raridade dos fenômenos geotérmicos que ali ocorrem fizeram de Yellowstone o primeiro e mais antigo parque nacional do mundo, declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1978.

BISTRÔS E CERVEJA Como nem só de esportes vive quem vai à montanha, Jackson Hole tem se esmerado em um item que não pode faltar no cardápio de uma estação de esqui premium: a alta gastronomia. Em Teton Village, de onde partem os meios de elevação, as opções são inúmeras, assim como os sotques: Rendezvous Bistro, Il Villaggio Osteria, The Kitchen, Bin 22, Bar Enoteca… No topo da montanha, o destaque é o Pistê Mountain Bistrô, que reúne esquiadores e snowboarders para celebrar suas experiências com uma impressionante vista do alto da cordilheira. A cidade de Jackson fica a 20 minutos de carro dali e, além dos bares estilo caubói, como o One Million Dollar, oferece de restaurantes tailandeses a cervejarias artesanais de excelente qualidade. A região não produz vinho, mas uma empresa local engarrafa bons rótulos de chardonnay e cabernet sauvignon produzidos em Sonoma, na Califórnia.

Para aproveitar tudo isso, nada melhor que o conforto de uma casa mobiliada, com lareira, hidromassagem e banheiros aquecidos. Elas estão ao seu alcance em Teton Village. Enquanto no Hotel Terra, na alta temporada, a diária para um casal, em quarto com cama king-size, sai por cerca de US$ 600, pelo dobro desse valor é possível alugar uma casa para a família toda, com três suítes e jacuzzi. Ou dividir a locação em um grupo de amigos Há dezenas de opções, e o privilégio de sentir-se em casa, no melhor resort de esqui dos EUA, não tem preço. Saiba mais em https://www.jhrl.com.