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Streaming ilegal de jogos ‘rouba’ US$ 28 bilhões à indústria do futebol

Crédito: Reprodução/Pexels

A popularidade mundial do esporte fez com que o mercado da pirataria seja altamente lucrativo, desviando em torno de US$ 28 bilhões (Crédito: Reprodução/Pexels)

Com uma média entre três a quatro bilhões de fãs espalhados por todo o mundo, o futebol é líder de audiências na esfera esportiva. A sua vasta popularidade também o torna um dos principais alvos da pirataria online, com elevadas perdas para os detentores de direitos televisivos e emissoras: 28 bilhões de dólares, estima-se.



“De acordo com as nossas análises, a pirataria online está retirando perto de 28 bilhões de dólares potenciais aos detentores de direitos televisivos e às emissoras. As pessoas podem pensar que o futebol já tem receitas suficientes, mas, se pensarmos bem, estes valores seriam mais tarde reinvestidos no futebol e isso seria bastante positivo na sua globalidade”, revelou Simon Brydon, diretor do departamento de Security Business Development na Sports Synamedia, num painel da SIGA Sport Integrity Week 2021 sobre a questão da pirataria no futebol.

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Perante os volumosos danos que o streaming ilegal está provocando na indústria do futebol, o dirigente salientou ser necessário agir o mais rapidamente possível perante este tipo de crime: “Temos que atuar imediatamente e o mais rápido possível na luta contra os streamings ilegais de eventos ao vivo. Precisamos mostrar às pessoas o quanto sofisticadas são estas organizações criminosas. Não tenho dúvidas de que se trata de uma atividade criminosa organizada”.

Estas práticas ilícitas não afetam apenas quem detém os direitos televisivos das partidas, mas também o consumidor de futebol. A esmagadora maioria dos espectadores desconhece os perigos que surgem quando acessam a plataformas de streaming ilegal para assistir aos jogos.

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“Esta situação também é ruim para os consumidores, pois outro dos métodos que estas plataformas de streaming têm para gerar receitas é através da publicidade. Por exemplo, se uma pessoa clicar num link de acesso a um site de streaming ilegal há uma grande probabilidade dos seus dados pessoais possam ser roubados e vendidos a terceiros, o que pode levar a situações como o caso do roubo de identidade”, afirmou Miruna Herovanu, senior EU Affairs Officer da Association of Commercial Television in Europe (ACT).

No mercado já existem soluções para minimizar os danos causados pela desinformação e o descuido ao redor deste tema: “Tem de existir uma campanha de sensibilização sobre este assunto a nível global. Há ainda a perceção de quem está por trás da pirataria são simples adolescentes, mas isso está longe de ser verdade. Na realidade, quem está neste meio, são perigosos criminosos que geram milhares de euros todos os anos através do roubo de direitos de transmissão“, afirmou Miruna.

Para além da sensibilização do consumidor, já há outros mecanismos para combater a pirataria online e a Premier League é pioneira no assunto, com a implementação do “Super Block“. Um mecanismo criado em 2017, em que o Tribunal Supremo de Inglaterra concedeu à Premier League poderes para combater a pirataria. Especificamente, estes poderes forçam os ISP (Internet Service Providers) a bloquearem os servidores que hospedam fluxos ilegais assim que forem identificados pela equipe antipirataria da Liga inglesa.

Desde a sua criação há quatro anos, o panorama melhorou e tem sido um exemplo de sucesso dentro do Reino Unido, garante Mathieu Moreuil, diretor de Relações Internacionais de Futebol e Assuntos Europeus da Premier League.

“Tem sido um sucesso, muito eficiente e funciona muito bem no Reino Unido. Obviamente é algo que requer muito trabalho e cooperação mas tem sido um sucesso. No Reino Unido, temos um sistema legal que nos permite que um juiz aceite uma lista de servidores, que estejam infringindo a lei através do streaming de jogos, que possam ser bloqueados enquanto ocorrem as partidas de futebol“, explica.

Apesar de demonstrar bons resultados, fora das terras sua de majestade, esta poderá não ser a solução ideal: “Para os titulares de direitos de transmissão, tanto da Premier League como de outras ligas, situados em outros países, esta poderá não ser a solução ‘mágica‘. Mas entretanto temos estado em contato com várias emissoras fora do Reino Unido com o intuito de arranjar soluções viáveis”.


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