Depois de levantar R$ 310 milhões em novembro, a startup curitibana Olist, especializada em e-commerce, resolveu engordar a rodada de investimento: a empresa anunciou ontem que recebeu um aporte adicional de R$ 144 milhões, fazendo a rodada chegar ao total de R$ 454 milhões.

No ano passado, a primeira parte do investimento foi liderada pelo grupo japonês SoftBank, que já havia participado de uma rodada de R$ 190 milhões na Olist em 2019. Agora, quem esteve à frente do “chorinho” foi a divisão de gestão de ativos do banco Goldman Sachs – a firma brasileira de capital de risco Redpoint Eventures também participou.

Segundo Tiago Dalvi, fundador e presidente executivo da startup, o crescimento da Olist nos primeiros meses deste ano exigiu mais gasolina no tanque. “Em 2020, crescemos duas vezes em receita na comparação com o ano anterior e, no primeiro trimestre deste ano, fomos positivamente surpreendidos por um crescimento ainda mais acelerado, puxado principalmente pela nossa parte de logística. Isso nos fez repensar o tamanho da rodada e antecipar planos”, disse Dalvi, em entrevista ao Estadão. Ele confirma que, agora, a rodada (de série D) da Olist está fechada.

Apontada como candidata a unicórnio em 2021, segundo relatório da empresa de inovação Distrito, a Olist não revelou o seu valor de mercado com o fechamento da rodada. Questionado sobre a proximidade da marca de US$ 1 bilhão, Dalvi diz que a startup está “sem dúvida” mais perto do que longe.

Fundada em 2015, a Olist ganhou mercado inicialmente ajudando lojas físicas a venderem em marketplaces como Mercado Livre e Amazon, mas hoje reúne também outros serviços relacionados a e-commerce.

Pouco antes do início da pandemia, a startup lançou um novo produto, o Olist Shops, que permite a qualquer lojista criar sua própria loja online e gerenciá-la. Um terceiro braço do grupo, o Olist Pax, é focado na logística por trás das vendas – além de atender os usuários da startup, esse serviço atende cerca de cem clientes externos, como C&A, GPA e Carrefour. Ao todo, as três frentes têm hoje 325 mil clientes.

Foco

Com o cheque, a startup pretende investir em melhorias para todos os seus serviços. O Olist Shops, porém, deve ganhar atenção especial. “É um serviço que nasceu há pouco mais de um ano e há muitas possibilidades de novas ferramentas”, diz o fundador da Olist.

Parte desses aperfeiçoamentos virá de fora, por meio de aquisições. Segundo Dalvi, a startup tem hoje 20 empresas no radar e deve fechar de três a cinco aquisições neste ano.

Quanto a contratações, a startup espera chegar a 1 mil funcionários até o fim do ano. Hoje, a equipe da Olist é de 675 pessoas – à época da primeira parte da rodada, eram 480.

Está também entre os planos da startup internacionalizar seus serviços. Atualmente, o Olist Shops já atende usuários em mais de 180 países, mas a ideia é fincar a bandeira em algumas regiões. A previsão é de que a empresa anuncie por volta de junho qual será o primeiro país em que irá aterrissar. “Queremos ter uma operação mais próxima e regionalizada”, diz.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.