Finanças

Stan Lee teve que enfrentar vilões financeiros ao longo de toda a vida

Mesmo com recordes de filmes e produtos, criador do universo Marvel não tinha o mesmo talento para a administração quanto para a criação de seus personagens

Stan Lee teve que enfrentar vilões financeiros ao longo de toda a vida

Stan Lee morreu nesta segunda-feira (12), aos 95 anos

Stan Lee, uma lenda dos quadrinhos e criador de super-heróis icônicos, como o Homem-Aranha, Hulk, Homem de Ferro e dezenas de outros do universo Marvel, morreu nesta segunda-feira (12), aos 95 anos.

Mesmo com a sua vasta criação e a exploração inesgotável dos seus personagens em filmes, jogos, brinquedos, roupas e quase tudo que se possa colocar uma estampa em cima, Lee não era tão rico quanto a maioria das pessoas pensam. Estima-se que o seu patrimônio era de US$ 50 milhões a US$ 80 milhões (R$ 187 milhões a R$ 299 milhões).

Stan Lee durante o período que serviu no exército dos Estados Unidos

Claro que isso continua sendo uma enorme quantia em dinheiro. Porém, levando em consideração os valores recordes de arrecadação dos filmes da Marvel e os bilhões derivados de produtos licenciados, ainda parece um valor modesto.

A razão disso é explicada pelo próprio Stan Lee. Em algumas ocasiões, ele afirmou que tomou muitas decisões erradas ao longo dos anos, o que resultou na perda de muito dinheiro.

Confira abaixo uma lista da revista Money sobre os principais pontos da vida artística e financeira de Stan Lee.

Início com salário de US$ 8 por semana

Stan Lee, nascido em 1922, entrou no mundo dos HQ’s como office boy da Timely Publications, com salário de US$ 8 por semana. A Timely era responsável pela publicação da Marvel e Lee teve seu primeiro crédito estampado em uma história do Capitão América, em 1941.

O primeiro grande trunfo de gênio dos quadrinhos veio em 1961, com a criação do Quarteto Fantástico, em parceria com Jack Kirby. O início dos anos 1960 foi um período de produções notórias. Entre 1961 e 1963, Lee e sua equipe deram vida as primeiras histórias de o Homem-Aranha, o Incrível Hulk, os X-Men e o Homem de Ferro.

 

O Homem-Aranha, um dos principais personagens de Lee

Ao fim daquela década, a Marvel ultrapassou a DC Comics como a editora de quadrinhos mais vendida do mundo. E em 1972, Stan Lee foi promovido ao cargo de diretor-editorial e editor da Marvel Comics. Mesmo com o prestígio, Lee nunca se tornou dono da companhia.

Fraquezas financeiras

Os quadrinhos fizeram de Lee um homem rico e famoso. Porém, o mesmo talento que tinha para desenvolver histórias de tirar o fôlego não se repetia na administração de suas finanças. “Eu era estúpido em termos de negócio”, afirmou Lee ao Hollywood Reporter em 2016. “Eu deveria ter sido mais ganancioso.”

Ao largo do seu sucesso comercial, a Marvel foi comprada e vendida inúmeras vezes ao longo das décadas. Na última negociação, a Disney se apropriou da marca em um negócio de US$ 4 bilhões.

Lee disse que se arrependeu de ter assinado um contrato com a Marvel em 1998 que supostamente lhe renderia uma parte dos lucros de filmes e programas de TV baseados em personagens que ele criou.

Em 2002, ele acabou processando a editora, afirmando que não tinha recebido a devida participação. Alguns anos depois, ele recebeu 10% dos lucros de filmes, como  o Homem-Aranha. Ele também disse ter recebido US$ 1 milhão por ano por seu cargo de presidente emérito da companhia.

Além de seus processos contra a Marvel, Stan Lee processou a POW! Entertainment no início deste ano, buscando US$ 1 bilhão em danos por fraude. Em sua acusação, Lee disse que foi induzido a assinar um contrato onde cedia os direitos da sua imagem. O processo foi retirado alguns meses depois.

Criado no início da década de 1960, o Homem de Ferro se tornou um enorme sucesso

Stan Lee também se envolveu em batalhas judiciais com sua filha, JC, com alegações de abuso de idoso. “Lee está no centro de uma batalha desagradável por seu cuidado (e propriedade) quando um amigo pede ajuda: ‘Ele precisa de um super-herói’”, escreveu o Hollywood Reporter no início deste ano.

“Stan Lee tem uma longa história de ter personagens obscuros ao seu redor”, disse Bob Batchelor, autor de uma biografia de Stan Lee, publicada no ano passado, ao Los Angeles Times. “Se Stan Lee tivesse um senso de espírito para vigaristas, o mundo estaria melhor e sua fortuna seria melhor.”

Especulação imobiliária

Além do lucro com os quadrinhos, Lee também se aventurou na especulação imobiliária de Los Angeles ao longo dos anos. Ele comprou uma casa de 230 metros quadrados em Hollywood Hills, em 2006, por US$ 3,6 milhões, e colocou de volta no mercado em 2014 por US$ 3,75 milhões . Ele também colocou outra casa que possuía no mesmo bairro à venda em 2015, com um preço inicial de US$ 5 milhões.

Mais de US$ 100 por um autógrafo

Nos últimos anos, Stan Lee tem sido uma das estrelas mais procuradas nas convenções de quadrinhos, que se tornaram um fluxo constante de renda. Ao longo dos anos, os fãs estão dispostos a pagar mais e mais para conhecê-lo e obter uma selfie ou autógrafo.

Como a saúde de Stan Lee se deteriorou nos últimos anos, os fãs expressaram preocupação com sua agenda lotada de aparições públicas. Ele deveria encabeçar um evento nas Filipinas, no início deste ano, mas acabou cancelando.

Stan Lee chegou a participar Comic Con do Vale do Silício em abril passado, mas os fãs disseram que a lenda de 95 anos parecia exausta, confusa e sobrecarregada .

“Aquele homem é uma lenda e vocês o arrastaram como se ele fosse um saco de dinheiro!”, escreveu uma pessoa na página do evento.

O preço para um autógrafo Stan Lee foi de US$ 50 em 2010, e dobrou para US $ 100 em 2016, e atingiu US$ 130 mais recentemente.