Estilo

Sossego, vinhos e sustentabilidade

Com bangalôs projetados para receber luz natural sem abrir mão da privacidade, o Hotel Boutique Quebra-Noz aposta nos prazeres da mesa com prato assinado por Luciano Boseggia, adega com 150 rótulos e anuncia cursos para quem quer se tornar sommelier.

Crédito: Divulgação

VISTA NATURAL Para valorizar a beleza do entorno, o projeto abusa do vidro. Ele vai do chão ao teto nos bangalôs, na biblioteca e no restaurante. (Crédito: Divulgação)

Nem parece que se está a apenas 300 metros da Praça do Capivari, o famoso centrinho de Campos do Jordão (SP) repleto de lojas, bares, restaurantes e turistas. O Hotel Boutique Quebra-Noz fica a uma curta caminhada de toda a agitação que toma conta da cidade nos finais de semana, mas parte de seu charme é justamente estar quase escondido numa rua sem saída, na encosta do Morro do Elefante. O terreno de 40 mil m2 preserva araucárias, pinus, plátanos e cerejeiras. Aproveitando ao máximo a beleza do entorno, o projeto arquitetônico permite aos hóspedes permanente contato visual com a natureza. Graças ao uso generoso de vidro, cada bangalô recebe o máximo possível de luz do sol. O material vai do chão ao teto também na biblioteca com mobília assinada por Oscar Niemeyer e em todo o restaurante. A sensação é de plena harmonia com o verde. Mas, quem quiser, pode fechar a cortina para garantir maior privacidade.

Além do conforto, a sustentabilidade é um dos pilares desse exclusivo hotel boutique. “Obtivemos autorização para aproveitar 30% da área na construção, mas só derrubamos duas árvores, e por motivo de força maior”, disse o engenheiro Rafael Marcandali, que pertence à família de proprietários. “A madeira de ambas foi usada em mesas, bancadas e outros móveis. A natureza continua viva aqui dentro”, afirmou. A preocupação ambiental não se limita a manter as árvores de pé, a ponto de uma delas praticamente impedir o acesso de veículos aos bangalôs. Para reduzir o consumo de energia com o aquecimento (é bom lembrar, a cidade é a mais alta do Brasil e a temperatura cai abaixo de zero no inverno), o hotel firmou uma parceria com a Comgás. “Com uma usina própria de cogeração de biogás seremos 100% autossuficientes nesse aspecto”, disse.

Preservar a natureza é vital para um hotel que nasceu — e vem crescendo — a partir da incorporação de casas de campo em meio a uma área com vocação para reserva ambiental. A Casa Quebranoz, que inspirou o nome do hotel, foi a primeira. Depois veio a vizinha Casa Pinho-Bravo. Construída na década de 1970 por uma família influente na política, ela já hospedou presidentes da República, ministros e congressistas. Hoje, abriga quatro suítes (que só podem ser reservadas por um mesmo grupo ou família) e um salão de chá. Outra casa vizinha acaba de ser adquirida.

O tradicional hotel Vila Regina, na mesma rua, passou recentemente para as mãos da família Marcandali e está em reforma para abrigar uma nova ala do Quebra-Noz. Segundo os proprietários, ela terá a maior suíte da rede hoteleira de Campos do Jordão, com 150 m2. A expansão prevê uma nova academia de ginástica e a garagem de bicicletas oferecidas como cortesia. Com isso, a atual sala de fitness será convertida em charutaria. Hoje, é proibido fumar em qualquer ambiente do hotel.

Um segundo restaurante também está nos planos. A intenção é manter a privacidade de quem escolhe ficar no Quebra- Noz, onde as diárias para casal podem superar R$ 4 mil, dependendo da acomodação. O valor inclui o café da manhã, servido ao som de violino ou sax ao vivo. As refeições são cobradas à parte. Vão de pizzas à experiência Icona della Cucina, assinada por Luciano Boseggia, chef italiano que passou 14 anos no grupo Fasano e é fundador da Sociedade Brasileira de Alta Gastronomia. Lançado em julho, ele é composto de três etapas. O prato principal: filé de vitelo com fonduta de pecorino romano, creme de trufa negra e pontas de aspargos acompanhado de risoto de morango. Para harmonizar, a adega oferece 150 rótulos das principais regiões produtoras, incluindo o Brasil.

O vinho, por sinal, é uma das apostas dos proprietários para diferenciar o hotel. “Vamos trazer para Campos do Jordão, em parceria com a Associação Brasileira de Sommeliers, um curso básico com certificação internacional”, disse Marcandali. Embora não seja exclusivo para hóspedes, o curso terá uma vantagem para quem ficar no hotel: uma aula prática com visita à vinícola Brandina, na Villa Santa Maria. A primeira imersão será em setembro. “O passo seguinte será oferecer o curso completo de sommelier, com o objetivo de promover a qualificação do serviço de vinho em Campos do Jordão.”

AMENITIES Conforto e sustentabilidade convergem nos mimos oferecidos: os sabonetes, xampus, condicionadores e hidratantes, da marca francesa Damana, ficam em dispensers fixos e não mais em embalagens individuais descartáveis. “Com isso reduzimos o desperdício de amenities e o descarte de plástico, que era muito alto”, disse Marcandali. “O hóspede está mais responsável com a questão ambiental. Pede para não trocar a toalha diariamente.” Afinal, para relaxar de verdade é preciso estar com a consciência limpa em relação ao planeta.