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Sorria, a Intel bras está te filmando

Prestes a abrir capital, a empresa catarinense define uma estratégia bilionária para se consolidar na liderança do setor de monitoramento eletrônico.

Crédito: Divulgação

Na crise, enxergue oportunidade. O clichê, muito presente entre empreendedores de todo o mundo, nunca foi tão verdadeira para o segmento de segurança eletrônica no País. A consequente necessidade de distanciamento social a partir da pandemia da Covid-19 trouxe a busca por soluções tecnológicas para companhias como supermercados, shoppings e o setor industrial em geral, como portaria remota, câmeras térmicas e de monitoramento. Dados preliminares da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese) mostram que o setor cresceu 12% em 2020, com faturamento de cerca de R$ 8 bilhões, contra R$ 7,17 bilhões em 2019. Os números oficiais ainda sairão divulgados. E a tendência é de mais crescimento.

A expansão pode ser alavancada por outro componente: a proximidade do IPO (oferta inicial de ações) da líder do setor Intelbras, companhia catarinense que tem 44% do market share no Brasil em segurança eletrônica e a primeira do segmento a abrir capital na B3. A batida de martelo inaugural deve ocorrer no dia 4 de fevereiro, segundo o prospecto preliminar enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa planeja captar R$ 1,2 bilhão na operação. Em período de silêncio por causa do pregão, o CEO da Intelbras, Altair Silvestre, não concedeu entrevista.

A presidente da Abese, Selma Migliori, acredita que o ritmo de crescimento de todo o setor deve ser mantido em 2021. “A expectativa é de crescer acima dos 12%, em função das demandas reprimidas que a pandemia trouxe”, disse. “As pessoas queriam soluções que evitassem colocar mãos em equipamentos, como reconhecimento fácil. A colaboração da indústria nacional foi enorme.” A rede Havan investiu cerca de R$ 3 milhões em sistema de monitoramento e controle de acesso com equipamentos da Intelbras.

A confiança de um ano ainda mais promissor que 2020 para as empresas de segurança eletrônica está nos próprios números da Intelbras, que cresceu bem acima do setor. Nos nove primeiros meses do ano passado, a companhia registrou alta de 20,2% na receita líquida, com R$ 1,46 bilhão entre janeiro e setembro de 2020, contra R$ 1,21 bilhão nos mesmos meses de 2019. O lucro líquido também subiu: R$ 121 bilhões ante R$ 118 bilhões no mesmo período. Em 2019, a empresa faturou R$ 1,69 bilhão.

Levantamento feito pela Abese entre abril e maio com indústrias, distribuidores e prestadores de serviço mostrou que 40% das empresas notaram aumento na procura por soluções de segurança. Ainda segundo a entidade, o percentual nas vendas de câmeras térmicas saltou de 6,2%, antes da pandemia, para 13,7%. Os equipamentos de reconhecimento facial tiveram alta de 12,3%. A pesquisa também mostrou que 65,2% das empresas não demitiram e que 20,3% contrataram na pandemia. A cadeia do setor de segurança atinge 300 mil empregos diretos e 2 milhões indiretos.

CRISE GERA CRESCIMENTO Pandemia acelera busca de soluções tecnológicas por companhias como a Havan (acima); IPO da Intelbras será benéfico para todo setor, diz Selma Migliori, presidente da Abese. (Crédito:Divulgação)

INÉDITO O estrategista-chefe da Guide Investimentos, Luis Sales, considera que o ineditismo de um setor na Bolsa traz pontos positivos, mas há preocupações a serem observadas. “Tem um risco, pela falta de informação do setor. O lado bom é que normalmente são líderes do segmento, o que garante uma boa oportunidade.” A presidente da Abese enxerga otimismo. “Demonstra o amadurecimento da empresa, que irá impulsionar o crescimento do setor.”

Criada em 1976 em São José, na Grande Florianópolis, a Intelbras tem hoje 3,5 mil funcionários, 370 distribuidores e cerca de 80 mil revendedores. Em 2019, vendeu 10% de participação à multinacional chinesa Dahua Technology, além de parceria em pesquisa e desenvolvimento. Também em 2019, a Intelbras adquiriu as empresas Décio Indústria Metalúrgica e Seventh, para auxiliar no processo de integração do portfólio.

A atuação da empresa catarinense é expressiva também nos demais segmentos em que atua, além da segurança eletrônica. Na comunicação, tem 32% do mercado; 23% em redes; 22% no setor de controle de acesso; 9% em energia e 1,3% em energia solar.

Com a captação no IPO, a Intelbras pretende investir em ampliação de negócios, locação de produtos e em crescimento inorgânico. “A companhia está constantemente analisando oportunidades de investimento em negócios complementares às suas atividades”, disse a empresa no documento enviado à CVM. O dinheiro também será usado para ampliação dos parques fabris da companhia, em Santa Catarina, em Santa Rita do Sapucaí (MG) e em Manaus.

Para Selma Migliori, o avanço do segmento também coincide com o crescimento de iniciativas para implementação de cidades mais conectadas. “Cidade inteligente é o futuro. Segurança eletrônica é um pedaço desse tema”, afirmou. “Outras tecnologias e mais inovação virão.” São as chamadas oportunidades, ainda que na crise. E que a Intelbras enxergou.

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